25/11/2016 17:52:00

Fácil demais


Divulgação

O jogo de ida da final da Copa do Brasil foi atípico. O Grêmio veio ao Mineirão determinado a não sofrer gols. E como o Galo “sumiu” em campo, o time gaúcho tomou conta do terreiro. Trabalho facilitado por um Atlético apático, sem um mínimo de ações coordenadas. Os gremistas souberam tirar proveito. Estamos na 26ª edição e, pela primeira vez, um visitante triunfa no primeiro duelo decisivo.

Nunca fui muito fã de Marcelo Oliveira, apesar do histórico de dois títulos nacionais com o Cruzeiro e da façanha de chegar tantas vezes às decisões da Copa do Brasil. Ainda no início do Campeonato Brasileiro, ele passou a sensação de firmeza ao assumir o comando.

Aos poucos, diante de tantas incertezas criadas pelo treinador, ficou muito claro. Um time como o Atlético, com um grupo qualificado e milionário, não daria liga com um comandante tão indiferente ao clima de um jogo. Renato Gaúcho colocou dois volantes para compor uma linha de quatro no meio-campo. Ao perceber que estava muito fácil articular investidas contra a zaga atleticana, liberou Pedro Rocha e Douglas para avançar.

O Grêmio cresceu de produção, soube explorar os pontos falhos do Atlético, como a insistência de escalar Júnior Urso. Para piorar, Marcelo deixou Marcos Rocha no banco. O lateral vem treinando há várias semanas e, em uma decisão que exige alma e entrega teria de entrar de cara.

Praticamente todo o time jogou mal, à exceção de Gabriel e do goleiro Victor, que evitou outra goleada. A desorganização do Atlético era tão grande que o zagueiro Geromel saiu de seu campo de jogo, foi até à proximidade da área atleticana sem marcação efetiva e fez o cruzamento que resultou no terceiro gol.

É muito comum culpar o treinador pelos maus resultados, mas ele é apenas um dos responsáveis pelo iminente naufrágio atleticano nessa decisão. E deve responder pela modesta campanha no Campeonato Brasileiro, frustrando as expectativas de conquista de um título que não vem desde 1971.

Vamos começar pelo presidente. Daniel Nepomuceno não renovou com Levir Culpi, demitindo um treinador que venceu a Copa do Brasil de 2014 contra o Cruzeiro, então comandado por Marcelo Oliveira. Agora, antecipado o bilhete azul para o treinador, é de se esperar que Carlos César, Erazo, Júnior Urso, Hyuri, Cazares, Rafael Carioca e outros sejam usados como moeda de troca para uma renovação do grupo.

Um time não é feito somente de craques. O Palmeiras, virtual campeão brasileiro, tem apenas Gabriel de Jesus como destaque. No entanto, o clube explora o poder de decisão do grupo controlado por Cuca. O Flamengo, antes apontado como um dos prováveis rebaixados, também é prova disso. Com a chegada de Diego, o time ganhou estabilidade e deverá terminar na terceira colocação, com vaga direta na Libertadores.

O Santos, sem um craque da primeira linha, é o vice-líder, porque tem poder de decisão. Esta é a diferença desses times em relação ao Atlético, recheado de craques que nunca correspondem quando a situação exige um futebol mais qualificado e, sobretudo, garra. E, ao contrário dos tempos bicudos em muitos clubes, estão com seus polpudos salários em dia.

Já Marcelo Oliveira, que no Atlético sempre escalou mal e falhava nas substituições, terá de repensar um pouco as suas estratégias para se manter na prateleira de cima. Ou ele acerta de novo a mão para consolidar uma promissora carreira, ou correrá o risco de ser mais um dos muitos que tiveram tudo para emplacar no topo e depois estacionaram na profissão.

Daniel Nepomuceno emitiu sinais de uma contratação imediata, a toque de caixa, mas mostrou bom senso ao avaliar melhor a contratação de um novo comandante. Assim, além de descartar a aposta em treinadores estrangeiros, o dirigente fala em pensar bastante para fechar com um nome capacitado a desenvolver um trabalho duradouro.

Caso se cumpra essa promessa, o próximo passo a ser dado com segurança será no sentido de trazer jogadores às vezes menos badalados que algumas estrelas da atual companhia, mas capazes de dar a resposta esperada em campo.

INCOMPETÊNCIA
O Internacional teve tempo de sobra e não conseguiu em campo se safar do risco de um inédito rebaixamento. Agora, na véspera de enfrentar o Cruzeiro, no Beira Rio, já se movimenta nos bastidores para seguir o péssimo exemplo de clubes quer foram rebaixados nos gramados e recorreram ao tapetão para ficar na elite. Conforme os cartolas colorados, um jogador do Vitória estaria em situação irregular. Mas se a CBF o liberou para atuar, como punir o clube que seguiu as normas da entidade?

LEMBRANÇAS
Do meio-campista Pinta Roxa, um dos maiores jogadores da região, e que ostenta na carreira uma passagem com a camisa do Clube Atlético Mineiro nas categorias de base.
Contato com a coluna: roberto50mg@hotmail.com.




Envie o seu Comentário