28/11/2016 13:50:00

Pré-sal: O que Guilherme Estrela me contou


Semana passada, tivemos a VII edição do Seminário de Petróleo, Gás e Energias renováveis, promovido pelo Sindimiva – Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Vale do Aço, Fiemg Regional Vale do Aço, ABDI – Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial e Sebrae – Gerência Regional Leste.

Este evento, que já faz parte do calendário empresarial de nossa região, tem demonstrado, como afirmou o presidente do Sindimiva, Carlos Afonso de Carvalho em seu discurso, tem sido “um foco de resistência” do setor metalomecânico frente às fortes crises econômicas que, sem dúvida nenhuma, afetaram todos os investimentos das cadeias produtivas às quais o setor é transversal. De maneira especial, a cadeia de Petróleo e Gás que, nos últimos anos, foi eleita como a saída para desenvolver e mudar o patamar das indústrias de nossa região.

Em 2009, quando a diretoria do ex-presidente Jéferson Bachour fez o primeiro evento, o Brasil estava sentindo os primeiros efeitos da crise macroeconômica. Crise que foi deflagrada nos Estados Unidos, que se espalhou pela Europa, mas teve seus efeitos mitigados no Brasil.

Mas, como o setor metalomecânico é altamente sensível a investimentos e nossa região, altamente dependente da siderurgia e mineração, a busca por novas cadeias produtivas foi a solução para desenvolvimento de empresas e teve, nesse evento que chegou a sua sétima edição, o seu pontapé inicial. Na época, os principais atores desta cadeia, estavam presentes, davam testemunho de suas experiências e apresentavam suas demandas. Mendes Jr., Petrobras – Refinaria Gabriel Passos, Petrobras-Sergipe e tantas outras estiveram aqui, de forma inédita, e abriram diálogo com as indústrias locais para cadastro e desenvolvimento de soluções.

Mas, nesse último evento, a atração principal ficou por conta do “pai” do pré-sal Guilherme Estrella, que chefiou, de 2003 a 2012, a área de Exploração e Produção da Petrobras. Guilherme, um funcionário de carreira da estatal, que exerceu vários cargos ao longo dos seus 40 anos de trabalho, possui posicionamentos importantes para o entendimento do momento que a empresa e o Brasil atravessa.

Entre eles, destaca-se a oposição da aprovação do fim da exclusividade da Petrobras na liderança do pré-sal que foi defendido pelo atual ministro das relações exteriores, o tucano José Serra. Ao novo marco legal que acaba com a obrigatoriedade de a estatal participar de todos os blocos do pré-sal, o geólogo que ingressou na estatal ainda monopolista de 1965, afirma que as multinacionais “só querem ficar com o filé mignon”.

Disse ainda que “não pode uma empresa petrolífera ser gerenciada como um banco” referências ao antecessor de Pedro Parente, o ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine (executivo com longa passagem pelo Banco do Brasil).

Explica que esta obrigatoriedade possibilita, à Petrobras, definir o modelo de desenvolvimento de todas as cadeias produtivas ligadas a exploração e produção, garantindo a manutenção da exigência de conteúdo local (até 70% produzido no Brasil) no fornecimento de equipamentos, peças e serviços. Esta obrigatoriedade gera empregos no Brasil inteiro possibilitando crescimento da economia e redução das desigualdades regionais e sociais.

Guilherme, um nacionalista de nos deixar envergonhados pela pequenez dos nossos objetivos provincianos, pontua que os desafios tecnológicos são sempre uma oportunidade para elevar a soberania de um país, na medida que supera uma barreira até determinado momento intransponível garante autonomia à nação detentora de riquezas extrativistas como a brasileira. Por haver dificuldades, concedemos esse desafio ao capital internacional, ficamos com a parte do negócio de menor valor e altamente dependente do conhecimento alheio para que o percentual que nos cabe se transforme em benefícios ao nosso povo.

Caro leitor, no momento em que vimos o governo Temer passar por mais uma crise institucional, direcionando seus esforços para “conceder” um apartamento de luxo para o ex-ministro Geddel Vieira Lima, o desconforto em ver questões de grande relevância como esta, causa uma “preguiça” perceber que a turma do bater panelas tem que ser acionada novamente. A não ser que essa turma entenda que a lama do PT, somente ela, incomoda.

Guilherme foi de uma gentileza que poucos palestrantes são capazes. A despeito da ignorância da plateia, da mídia que ali se encontrava, não mediu esforços para narrar com riqueza de detalhes os fatos que levaram a crise da estatal e, sobretudo, externar a confiança no futuro que o petróleo do pré-sal possibilitará ao Brasil, o quanto precisamos dos combustíveis fósseis a despeito das novas fontes de energias e a oportunidade que o país terá para impulsionar infraestrutura, educação e agroindústria.

Eu confio nele!

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