05/12/2016 11:30:00

Suruba para Colorir



Eduardo Belga e Gabriel Góes


Nada de gatos, florestas ou aves exuberantes. A moda dos livros de colorir para adultos pegou mesmo. Se você tem Facebook ou Instagram, certamente já se deparou com alguém na timeline pintando para "desestressar". Na contramão dos temas relaxantes, a editoria Bebel Books levou ao pé da letra o termo "adulto" e lançou Suruba Para Colorir , cuja segunda tiragem foi disponibilizada nesta segunda-feira (11) no site bebelbooks.iluria.com .

A ideia é objetiva e o tema, mais universal impossível, reuniu grandes ilustradores para retratar suas visões sobre sexo. Há imagens de Laerte, Adão Iturrusgarai e muitos outros. "A grande maioria achou muita graça e topou na hora. Orlando [Pedroso] respondeu: 'Já estou de lápis duro'", disse a editora Bebel Abreu.
Tiago Elcerdo



A ideia do Suruba Para Colorir vai além da publicação do livro em si, que já possui planos para ganhar uma versão bilíngue ainda neste mês. A editoria ainda incentiva os "pintores adultos" a postarem suas imagens nas redes sociais com a hashtag #surubaparacolorir.

Como surgiu a ideia do 'Suruba para Colorir'?
Bebel Abreu - A ideia do livro aconteceu em um jantar na casa de um casal de amigos, na Lapa carioca, numa noite muito quente de 3 de dezembro de 2014. Éramos 8 pessoas conversando e celebrando o encontro, comendo as comidinhas deliciosas que a Flavia e o Alexandre fizeram, bebendo cerveja pra aplacar o calor e naturalmente falando bastante besteira. Eu estava comentando sobre a minha mini-editora, que já não é mais tão mini assim (estamos com 32 títulos), e contando sobre a coleção É Bom Para o Moral , que faz parte da Bebel Buxxx, selo pornô elegante da Bebel Books. 'Moral' é uma série didática, que mostra a diversidade do encontro amoroso/sexual entre as pessoas: o #1 traz imagens de meninas, o #2 de meninos e meninas, o #3 só de meninos. A ideia é trazer o assunto 'sexo' pra conversa, inspirar as pessoas a transarem mais, sem se preocupar com a opção do coleguinha. Quando eu falei que essa era uma série didática, educativa, o pessoal riu, e surgiu coletivamente a ideia de que poderia ser legal fazer livros de colorir pra adultos, "quem sabe sobre sexo", "ah então uma suruba!". Suruba para colorir.
Diego Sanches



Até agora só vi reações positivas sobre o livro. Chegou a receber alguma crítica ou mensagem raivosa nas redes?
Bebel Abreu - Olha, a grande maioria das reações é muito positiva sim. As pessoas marcam os amigos, publicam os desenhos coloridos - com #surubaparacolorir - e geralmente escrevem muitos "rsrsrsrsrs" e "kkkkkkk". Muitos pedem de presente - fato é que a divulgação tem sido em progressão geométrica, porque um fala pro outro, que mostra pra um terceiro... Que eu conheça é a primeira publicação independente a se transformar num 'viral', de uma certa maneira. Tem um ou outro que fala que é de mau gosto e tal, mas é bem raro, pelo menos nos canais da Bebel Books. Vale a pena ler os comentários no post do Tas, aqui. Tem gente que fala que é vulgar, aí o outro vai e fala que vulgar é desviar verba de merenda, e por aí vai.

Como foi na hora de apresentar o projeto aos cartunistas? Quem se animou mais?
Bebel Abreu - A grande maioria achou muita graça e topou na hora. Orlando respondeu: 'já estou de lápis duro'. A maioria deu aquela risadinha safada, alguns se interessaram na possibilidade de concretizar o assunto ("quem sabe no lançamento?"). Antes de convidar o João Montanaro perguntei se ele já tinha feito 18 anos; com a resposta positiva fiz o convite, e ele disse: "massa, tô dentro. Desde que não caia nas mãos da minha avó, tudo bem".

Como tudo na Bebel Books, esse livro é uma ação entre amigos - a diferença é que são mais amigos, porque é o primeiro livro com tantos autores. Sendo a editora meu 'lado B', a ideia inicial é a diversão, a despretensão de fazer coisas leves e que deem vazão à verve criativa daqueles que me cercam. Depois daquele jantar no Rio (fique claro que não imaginei que a coisa ia tomar a proporção atual, no começo achei meio devaneio), comecei a pensar em quem poderia chamar. Pensei no Kiko Dinucci, que tem uns desenhos picantes bem lindos, no Marcelo Araújo, que tinha uma série genial sobre cunnilingus (em breve faremos uma edição sobre isso) e a Janara Lopes, que generosamente divulga o trabalho de tanta gente e que certamente poderia colaborar com um lindo desenho. Como numa festa, chama daqui, chama dali e dos primeiros 14 nomes (tinha chegado nesse número por conta de aproveitamento de papel e tal) chegamos a 35 (!!!), em dois volumes com 17 desenhos cada (há um feito por dois autores). Conheço muita gente da área porque produzi uma exposição coletiva chamada Ilustrando em Revista, pela Abril, onde tinham mais de 200 artistas. Fui pensando em quem curtiria o tema, fiz os convites e o povo curtiu.
Taís Danjos



Os tais livros de colorir para adultos realmente estão na moda, mas Suruba para Colorir, principalmente pelo assunto, ganhou bastante destaque. Você ficou surpresa com a repercussão?
Bebel Abreu - Achei muito engraçado, e um pouco assustador. Quando comecei a fazer o livro, em dezembro de 2014, não tinha nem sinal dessa febre - tanto que, quando começamos a divulgação para o lançamento, em fevereiro, a brincadeira de comparação era com o bestseller 50 Tons de Cinza e sua adaptação ao cinema. Muitas pessoas falaram "Tons de cinza que nada, vamos colorir isso aí!". Claro que também teve muita repercussão por conta da variedade de traços, o número enorme de ilustradores - de renome, como Laerte e Adão Iturrusgarai - e da nova e talentosíssima geração, como Ale Kalko, Renata Miwa e tantos outros.

E a partir de abril muitos veículos começaram a me procurar, porque a essa altura a moda do Jardim Secreto já tinha chegado, e o Suruba para colorir trazia um tema mais divertido. Até quem criticava os livros de colorir, por serem 'caretas', ou 'monótonos' (eu nem acho, gosto muito), aderiu à moda com o Suruba para colorir. Brinco que é o primeiro livro de colorir para adultos não recomendado para menores do mercado brasileiro (risos).

Achei que estava sendo super ousada em imprimir 1800 livros! Normalmente fazemos de 60 a 100 de cada publicação, posto que somos editora independente, que só vendia em feiras e eventos. Pois a primeira tiragem acabou - já fizemos uma segunda e começo a pensar numa terceira. Como tem muita gente de outras cidades interessada estou estudando a distribuição em livrarias. Seria um bom presente de dia dos namorados, né?

Já chegou a pensar em alguma sequência para ele? Ou outro projeto semelhante?
Bebel Abreu- Estamos trabalhando agora o lançamento da versão bilíngue, em inglês/português: acontece dia 21 de maio em Amsterdã, durante minha palestra no avento da AGI NL (há dois autores da Alliance Graphique International no livro: Max Kisman e Alejandro Magallanes) no What Design Can Do. Acho bem provável termos um #3, porque muita gente que eu adoraria convidar ficou de fora dos dois primeiros volumes. Tenho vontade de publicar uma série de tiras de um autor gaúcho, um trabalho lindo! São praticamente haikais eróticos ilustrados. Pela Mandacaru, lançaremos tiras de Liniers para colorir, por ocasião da exposição dele que realizaremos em julho no Centro Cultural Correios, em São Paulo. Seria engraçado um de ligar os pontos, né? Olha lá, vou pensar melhor nisso!





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