12/12/2016 16:19:00

Para esquecer



Divulgação

Acabou a temporada mais triste do futebol brasileiro, que ficará marcada para sempre como aquela onde se deu a maior tragédia de toda a história do esporte no planeta, a queda do avião da Chapecoense, com 71 mortos entre jogadores, dirigentes, tripulação e profissionais da imprensa.

Se pudesse pediria um “fecha o pano” logo no primeiro dia deste ano, e pularia logo para 2017, que parece estar demorando muito além do normal a começar.

No que diz respeito aos nossos três representantes, apenas o Atlético disputou, em alguns momentos, com algum brilho, este Brasileirão, mas por uma sucessão de erros da sua diretoria, sobretudo na escolha de treinadores e contratações de jogadores, terminou em quarto lugar.

Só irá disputar a fase de grupos da Libertadores, em 2017, por conta da desistência dos clubes mexicanos, o que é muito pouco para o alto investimento feito na montagem do atual elenco.

Já o Cruzeiro, pelo segundo ano consecutivo, teve uma temporada pífia, que não merece ser lembrada. A torcida celeste, tão acostumada à conquista de títulos, sofreu vendo o time lutar para sair da zona de rebaixamento durante quase todo o campeonato, e não fosse novamente o trabalho do técnico Mano Menezes, poderia ter amargado o pior no final.

Menos mal que conseguiu uma vitória nesta última rodada sobre o Corinthians (3 a 2), e se classificou para a Copa Sul-Americana, em 2017, cuja visibilidade é muito menor que a Libertadores, mas como diz um ditado popular aqui nos nossos grotões, “quando não tem tu, vai tu mesmo”.

E o América? Se iludiu com a conquista do Mineiro e com a arrogância habitual de seus dirigentes, acreditou que tinha time para disputar até uma vaga na Libertadores.

Mas assim que a bola rolou teve de se recolher à própria insignificância, permaneceu quase todo o tempo no Z-4, e terminou como o pior time da competição, situação que o credencia a sofrer por mais um bom tempo na Série B.

A última rodada do Brasileirão somou 17 mil torcedores pagantes em média, 21 gols marcados, ou 2,3 por jogo. Como estava previsto, o Internacional se tornou o nono gigante do futebol brasileiro a provar o gosto amargo da Segundona na próxima temporada. O clube gaúcho, que já ganhou quase tudo em seus 107 anos de existência, desde títulos estaduais a um Mundial de clubes, agora terá a chance de acrescentar ao seu currículo um título da Série B nacional.

O jovem William Pottker, da Ponte Preta, e os veteranos Fred, do Galo, e Diego Souza, do Sport, todos com 14 gols, se tornaram artilheiros deste Brasileirão, cuja média pífia só superou a de 1994, quando Amoroso, pelo Guarani, e o botafoguense Túlio, marcaram 13 gols cada um. Isso deixa claro que o nível técnico do campeonato foi sofrível, pois em 38 rodadas chega a ser risível que os artilheiros só tenham conseguido balançar 14 vezes as redes adversárias.

Embora os números do campeão, Palmeiras, sejam incontestáveis, melhor ataque, 62 gols, melhor defesa, 32, 70% de aproveitamento, maior número de vitórias, 24, menor número de derrotas, apenas 6 em 38 jogos, melhor média de público, com 32 mil torcedores por jogo, com melhor arrecadação, de mais de 42 milhões de reais, o futebol que o levou ao título foi apenas prático e não chegou a empolgar.

A média geral de público deste Brasileirão, 15.251 pagantes por jogo, com uma ocupação de apenas 40% dos estádios, também foi abaixo da crítica, embora supere em muito os estaduais. O nosso, por exemplo, tem média inferior a 3 mil pagantes por jogo, enquanto o Borussia Dortmund mantém uma média de 75.299 torcedores por partida no campeonato alemão, a maior média de público em estádios da Europa.

A nossa capital Belo Horizonte completou ontem 119 anos. Projetada inicialmente para acolher 300 mil habitantes, hoje já conta com mais de 2,5 milhões, com todos os problemas comuns às grandes metrópoles do país. Mas não posso deixar esta data passar em branco e quero parabenizar a todos os belo-horizontinos, pois também amo a nossa capital.

Parodiando Caetano Veloso, gostaria de dizer que “alguma coisa acontece no meu coração”, quando cruzo a Amazonas com Afonso Pena, ou quando estou no Independência, ou no Mineirão. (Fecha o pano!).


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