17/12/2016 11:40:00

Número de jovens que nem estudam nem trabalham aumenta a cada ano

De 2014 para 2015, o percentual de jovens que não estudam nem trabalham pulou de 20% para 22,5%



Rovena Rosa/Agência Brasil

Entre os brasileiros de 15 a 17 anos, que nem estudam nem trabalham, 53% não completaram o ensino fundamental


O número dos jovens de 15 a 29 anos que não estudam nem trabalham, conhecidos como geração “nem-nem”, aumentou nesses últimos anos segundo a Síntese de Indicadores Sociais (SIS 2016), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De 2014 para 2015, o percentual pulou de 20% para 22,5%, o que representa cerca de 9,6 milhões de jovens brasileiros ora nessa situação. Profissionais da área do comportamento humano e treinamento de equipes vêm com preocupação essa tendência ao ócio absoluto, por uma considerável parcela da população.


Marilene Vitorino Ferreira aponta os prejuízos que a geração “nem-nem” traz para o Brasil


A consultora, instrutora e palestrante empresarial, Marilene Vitorino Ferreira, também colunista de Opinião, do Diário do Aço, avalia o aumento do número de jovens que pertencem à geração “nem-nem”. “O país deixa de conhecer e de usufruir dos potenciais desses jovens ou de sua inteligência. Nessa fase eles têm muita energia, e a mesma precisa ser canalizada para o bem, e quando isso não ocorre, todos sofrem prejuízos, econômicos e sociais”, lamenta.

Para a profissional, a maioria dos imersos na geração “nem-nem”, possui menos capacitação e pertence à parcela mais pobre da população, e muitos não conseguiram sequer concluir o ensino médio. Além disso, a maior parte dessa geração sem rumo é do sexo feminino e já possui filho para cuidar.

Wôlmer Ezequiel


Ricardo Mégre diz que origem dessa distorção está no “excesso de facilidades”


Para o psicólogo ipatinguense, especialista em saúde mental, Ricardo Mégre da Silva, jovens que se comportam de forma a evitar o trabalho ou estudo, o fazem pela facilidade que sempre tiveram em conseguir tudo o que sempre quiseram e, também, por não ter recebido uma orientação dos pais desde pequenos para descobrir sua vocação.
“Para eu desejar algo, tem que me faltar. Se não me falta nada, eu não quero nada. Muitos pais, hoje em dia, possuem medo de perder o amor de suas crianças, dando tudo aquilo que elas pedem. Falta uma rigorosidade com os filhos, que precisam aprender que tudo acaba um dia, incluindo os próprios pais. Por isso, é preciso ter mais diálogo e passarem mais tempo juntos, para que eles descubram seu ideal de felicidade desde pequeno e percebam a importância de se dedicar mais, de fazer suas obrigações por mais chatas que sejam”, explica o psicólogo.

Já o empresário, e especialista em formação de líderes, Roberto Guedes, acredita que a solução para esse problema tem que envolver o governo, a família e o próprio jovem.

“O governo deve reformular os métodos de ensino, tornando-os mais atraentes. Já, a família, precisa potencializar as qualidades, habilidades e conhecimentos dos jovens, apoiando-os no que eles mais gostam de fazer. E por último, esses jovens têm que buscar seu autoconhecimento e suas fortalezas, focando naquilo que os atraem e que os deixa felizes”.


Roberto Guedes aponta solução para diminuir o número de jovens que pertencem à geração “nem-nem”


Perfil
Também divulgado este ano, um estudo realizado pelo Instituto Ayrton Senna traçou o perfil da geração que não trabalha nem estuda, aponta a necessidade de um olhar atento em torno desse grupo para oferecer novas oportunidades de aproveitamento do seu potencial.

Conforme estudo, 53% dos brasileiros de 15 a 17 anos que nem estudam nem trabalham ainda não completaram o ensino fundamental, e 27% possuem o ensino médio incompleto e, aproximadamente, 6% não sabem ler nem escrever.

A predominância é de morador de zonas urbanas (84%), com renda familiar per capita (ou seja, todo o rendimento da família dividido pelo número de pessoas que são sustentadas por ele) entre meio salário mínimo e dois salários mínimos por cabeça.







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