19/12/2016 12:00:00

Entrevista Star Wars: Brian Herring explica como deu vida a BB-8 e seres de Rogue One



Brian Herring é quem dá vida a BB-8, um dos personagens mais interessantes da franquia Star Wars, capaz de conquistar adultos e crianças em O Despertar Da Força. Responsável também pelos personagens animatrônicos de Rogue One: Uma História Star Wars, o artista conta ao Cineclick segredos de sua arte.



Sempre bem humorado, Brian explica primeiro como entrou nessa carreira. "Arrumei um emprego num programa de TV do Reino Unido chamado Spitting Image, um programa semanal de sátiras políticas. Nunca mexi com marionetes antes, mas disse que já havia mexido e seis semanas depois eu estava na TV. Eles me treinaram e fui aprendiz de marionetista. Isso faz 25 anos e não parei mais de trabalhar"

Star Wars

Brian explica que trabalhar na franquia espacial é o ponto alto de sua carreira. "Eu tinha sete anos quando Episódio IV saiu e eu tinha cortinas, brinquedos, pijamas e tudo mais, era um grande fã e agora posso fazer parte de Star Wars. É o melhor trabalho que alguém pode esperar. Eu me divirto muito", explica.

Sobre trabalhar com heróis de sua infância, especialmente Harrison Ford, se animou: "São pessoas ótimas, amigáveis, divertidas, profissionais. É Indiana Jones, afinal de contas, foi espetacular".

BB-8

Brian explica que BB-8 foi o personagem mais difícil de sua carreira, pois a responsabilidade era grade demais, mas foi a oportunidade que proporcionou uma grande mudança em sua vida: "Embora sempre tenha amado meu trabalho, passei a me divertir mais e fazer parte de Star Wars, mesmo com algo pequeno, já é incrível, mas estar envolvido como eu estou significa que deixarei um legado, com personagens que vão viver mais do que eu. É incrível e você ainda pode conhecer seus heróis", conta.

Ele explica como surgiu o robozinho. "BB-8 começou como um desenho de J.J. Abrams e passou por diversos processos de design, eventualmente, ele foi construído na oficina de criaturas de Londres por Matt Denton e Josh Lee e depois foi dado a mim e Dave Chapman para descobrir sua personalidade", revela.

Brian ainda falou sobre o processo de dar vida ao robô: "Tivemos duas semanas em um estúdio de som, com uma câmera e bonecos diferentes. Tínhamos que determinar como ele pareceria feliz, triste, como desceria escadas, como ele ligaria e desligaria, então pudemos colocar nossas personalidades em BB-8. Depois fomos ao deserto, num calor de 45 graus, me colocaram numa roupa verde de nylon e disseram 'corra' e foram seis meses de trabalho intenso, bastante físico, mas muito divertido", revela.

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Sua maior dificuldade foi filmar no deserto: "O deserto foi complicado, afinal não sabíamos se os animatrônicos aguentariam o calor, se a cola se manteria, todos tinham problemas com o calor e isso foi logo no início das filmagens, então ainda estávamos aprendendo, por isso essa foi a parte mais desafiadora. Se bem que a floresta do planeta Takodana foi bem complicada com toda aquela lama também".

Rogue One

Sobre Rogue One, o artista se empolga ao falar da produção: "Vi novas lendas serem criadas em um filme bem diferente. Nunca vimos nada assim antes".

Sobre a experiência de filmagem, contou que Edwards foi crucial para o grande resultado de Rogue One. "É uma experiência 360 graus no set, pela maneira como Gareth Edwards (Godzilla) filma tudo, com estilo muito mais de documentário. De repente, a câmera vai pra um lado, de repente para outro e você nunca sabe exatamente onde ele vai focar em seguida. Eles descobrem muitas coisas na sala de edição. Era muito empolgante e diferente", explica.


Ele ainda falou sobre as diferenças entre trabalhar com J.J. Abrams e Gareth Edwards. "Despertar da Força foi novo e excitante e, obviamente, com BB-8 eu tinha um personagem principal envolvido na trama, então eu estava nesse processo do começo ao fim"

"Já em Rogue One, até pela forma diferente de filmagem, foi uma experiência diferente no sentido que você tinha que estar sempre alerta. Você nunca sabia com certeza o que aconteceria em seguida e era preciso dar o seu melhor todo dia, afinal as coisas podiam mudar, Gareth podia decidir fazer algo que não esperávamos e, com essa dinâmica, conseguíamos ótimos resultados, mas era precisar ficar em alerta máximo o tempo todo. E isso é um jeito diferente de deixar as coisas interessantes", conta.

Sobre o incrível visual do novo filme, contou um pouco como tudo foi feito. "Temos muitos efeitos práticos, criaturas, naves, explosões, grandes cenários. Gareth Edwards queria algo sujo, vivo, sombrio, como George Lucas criou. E o melhor jeito de manter isso é ter as coisas no set, colocar seu pé na areia e cruzar com criaturas que você não espera ver. Era muito importante que esses personagens fossem apenas parte do elenco, por mais estranho que fosse", revela.

A arte dos efeitos práticos

"Tudo mudou com Jurassic Park, quando efeitos digitais passaram a ser a regra, mas estou muito feliz que os efeitos práticos estejam de volta. Foi bem inteligente da Lucasfilm retornar a fazer as coisas no set, pois elas deram o senso de realismo da trilogia clássica. Estou feliz porque significa que posso trabalhar. Seria ótimo se outras franquias fizessem isso, afinal acho que os espectadores sabem quando algo é feito no computador, não digo que é melhor ou pior, mas é perceptível. E quando essas técnicas diferentes são usadas juntas, como nos dois últimos filmes da franquia Star Wars, é possível conseguir resultados incríveis", explica.

Para finalizar, explicou os desafios de trabalhar com personagens tão complexos. "Muitas vezes os atores por trás das máscaras não veem nem ouvem nada e precisam de um especialista para servir como seus olhos e ouvidos para guiar o ator pelo set. Esse é o grande desafio, fazer a cena funcionar e garantir a segurança do cara na roupa. Outras vezes, três pessoas trabalham com o mesmo personagem e todos precisam agir em uníssono e conseguir uma atuação bem coordenada".

Para fechar o bate-papo, Brian contou sobre seu sonho de trabalhar com dois personagens icônicos: "Seria ótimo trabalhar com um novo personagem dos Muppets, alguém como Gonzo, fazer algo bom assim seria muito legal. E Yoda, claro. Gostaria muito de dar vida ao Yoda", finaliza.

Por: Cineclick




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