19/12/2016 16:49:00

Treinador modelo



Divulgação

Em recente entrevista, antes mesmo de se eleger, o novo presidente do Fluminense, Pedro Abad, foi bem claro ao ser questionado sobre o modelo de treinador que contrataria para dirigir o tricolor carioca. “Em relação ao técnico, ele terá de se adaptar ao modelo previsto pelo clube”, resumiu. E disse mais: “Não virá com sua filosofia para ver se dá certo, terá que se encaixar.”

Estou citando esta declaração do dirigente carioca porque mais explícito que isso, impossível. Abad se referia a qualquer treinador, qualquer um, que fosse contratado, teria de seguir o planejamento do clube.

Palmas para o dirigente que, depois da eleição e já empossado no cargo de presidente, anunciou Abel Braga, velho conhecido dos torcedores tricolores, como novo treinador para a próxima temporada.

Na sua apresentação, o popular Abelão foi logo dizendo que o time do Fluminense “precisa ter alma”, algo que ele não viu em campo nos últimos meses do Campeonato Brasileiro.

Aqui nos nossos grotões, o jovem presidente do Atlético, Daniel Nepomuceno, desde que assumiu o posto de mandatário do clube, em substituição ao experiente Alexandre Kalil, tem caminhado na direção contrária, indeciso em relação ao estilo ideal de treinador para comandar o alvinegro, ora caminhando na direção do boleirão-motivador, ora optando pelo moderno-estudioso.

Trouxe o motivador Levir Culpi para o lugar de Cuca, o único técnico recente do Galo que une os dois estilos, trocado no início da atual temporada pelo “tático” e “estudioso” Diego Aguirre, substituído pelo boleirão e caseiro Marcelo Oliveira que, agora, deu lugar ao “moderno e emergente” Roger Machado.

Da minha parte, penso que o treinador ideal é aquele que une os dois estilos, moderno e motivacional, desde que isso coincida, também, com o ponto de vista administrativo do clube.

Acho até que não deve ser difícil, porque não há, no mundo inteiro, alguém que queira ver seu time jogar sem alma, desmotivado, o que, evidentemente, destrói todo e qualquer planejamento tático que se queira implantar.

A declaração de Roger Machado após ter sido anunciado oficialmente como técnico do Galo para 2017 não trouxe nenhuma novidade, pois o que disse sobre suas metas de trabalho são o bê-á-bá da profissão que abraçou: união, entrega, entrosamento, disposição coletiva.

Por falar em treinador vitorioso e competente, Cuca fez recentemente declarações pra lá de interessantes e reveladoras à “Folha de S. Paulo”. Uma delas, surpreendente: “Se não sentir falta do futebol (no período em que ficará passeando e estudando na Europa), pode ser que eu não volte mais à beira do campo.” Cuca, que à custa de seu trabalho já está milionário, se diz cansado, entediado, necessitando de afago junto aos familiares.

Sinceramente, espero que não se transforme em realidade. Cuca é um dos poucos treinadores, atualmente, que faz falta ao futebol brasileiro. Gosta de estudar, como está se vendo, é irrequieto, perfeccionista, e se entrega a tal ponto que, durante os jogos, não consegue ficar parado na área técnica nem por segundos. Anda de um lado pra outro, se abaixa, levanta, rói as unhas, beija a imagem ou a medalha da sua santa padroeira. Claro, por conta disso tudo deve estar cansado mesmo.

Pela quinta vez, o Real Madrid conquistou o título de melhor time de futebol do planeta (???). A interrogação é por achar que, desde algum tempo, esse Mundial se tornou apenas um grande negócio financeiro da Fifa, mas não define de fato quem é o melhor time do mundo.

Ou alguém acha que o Kashima Antlers, que nem sequer é o atual campeão japonês, será reverenciado como o segundo melhor time do planeta? Em 2010, a decisão foi entre a Internazionale de Milão e o Mazembe, do Congo; em 2013, entre Bayern Munique e Raja Casablanca, do Marrocos.

E desta vez, pra piorar, o todo-poderoso time espanhol de Cristiano Ronaldo ainda precisou da ajuda de um péssimo, horrível, incompetente árbitro, que medrou ao não expulsar o capitão do time, Sergio Ramos, pouco antes de começar a prorrogação.

O juizinho fraquinho chegou a levar a mão ao bolso para pegar o cartão amarelo, que seria o segundo, mas se lembrou que teria de expulsá-lo e desistiu. Lá, como cá, privilégios há. Mas só para os grandes e poderosos clubes. (Fecha o pano!)


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