19/12/2016 17:12:00

MAIS UM ÊXODO À VISTA! SIDERÚRGICA NO PARÁ VOLTA À PAUTA





Em 2012, quando trabalhava no SINDIMIVA/FIEMG fui, com uma comitiva de empresários do setor metalomecânico, conhecer vários investimentos na região de Canaã dos Carajás e Marabá. Na oportunidade visitamos, o maior projeto minerário da Vale, inaugurado no fim de semana, o S11D, que produzirá 90 milhões de toneladas por ano. O maior projeto minerário do mundo. Visitamos, também, a SINOBRAS, a Siderúrgica Norte-Brasil S.A, instalada em Marabá (PA). A SINOBRAS produz vergalhões, telas, treliças, arames recozidos e outros itens. Fundada em 2007, a empresa foi pioneira no processo de verticalização do minério de ferro na região, conduzindo o estado do Pará ao patamar de fornecedor de produtos acabados, a fim de reduzir a dependência de fornecedores de insumos industriais de São Paulo. O que de alguma forma chamava a atenção era o da ALPA – Aços Laminados do Pará. A princípio, uma parceria da Vale com a Baosteel chinesa que acabou desembarcando do negócio, deixando paralisado um terreno terraplanado e investimentos da ordem de US$ 300 milhões, incluindo gastos no desenvolvimento de engenharia, com vistas à construção da siderúrgica em Marabá.

Passados quatro anos, o Governo do Estado do Pará e as empresas Vale e Cevital Groupe, esta última da Argélia, assinaram um protocolo de intenções que representa um novo passo no processo de implantação da siderúrgica. O documento foi assinado pelo governador do Estado, Simão Jatene, pelos presidentes das companhias, Murilo Ferreira, da Vale, e Issad Rebrab, da Cevital, e outras autoridades.

O protocolo trata dos parâmetros que embasam o projeto de implementação de uma siderúrgica em Marabá, que vinha sendo estudado pela Vale e agora passará a ser conduzido pela gigante argelina. Entre os termos do acordo, a Vale coloca à disposição da Cevital, além de cooperação técnica, todos os estudos e projetos já elaborados, a transferência do terreno de sua propriedade que seria destinado à construção da Alpa, suprimento em bases comerciais de minério de ferro e serviços logísticos para o empreendimento, além das licenças ambientais do referido projeto. “A Vale irá ceder tudo isso, sem ônus ao empreendedor.

Segundo a Cevital Groupe, a expectativa da empresa é que as obras para a instalação da nova siderúrgica comecem ainda este ano e entre em operação em 2019. A previsão é que os investimentos na siderúrgica somem o montante de 2 bilhões de dólares. Esse valor total também deve ser captado com outros investidores. Quando estiver em funcionamento, a siderúrgica de Marabá deve gerar 2,5 mil empregos diretos.
A siderúrgica de Marabá terá capacidade para gerar 2,7 milhões de toneladas de aço com a produção de bobinas de aço, ferro gusa, “biletts”, “blooms”, entre outros. Issad Rebrad, presidente da Cevital Groupe, anunciou, também, que um dos produtos da siderúrgica de Marabá será a fabricação de trilhos para a estrada de ferro. A empresa é líder na Europa na produção de trilhos, com uma fábrica sediada na Itália e agora pretende ser a primeira a produzir trilhos na América Latina.

Onde entra o êxodo no tema...
A Cevital, também, vai disponibilizar aço com preços competitivos para empresas implantadas no polo metalomecânico que deve ser desenvolvido em Marabá, um sonho antigo da população. Como se não bastasse, a CSP a siderúrgica Cearense que entrou em operação este ano levando centenas de nossos talentos demitidos da Usiminas. Estamos produzindo conhecimento e não estamos retendo para desenvolver nossa região. Agora, além de operadores, técnicos e engenheiros, corremos o risco de perder nossas empresas do segmento de trabalhabilidade do aço. A atração de empresas tanto ligadas à cadeia downstreaming (matérias primas) quanto upstreaming (transformação do aço), faz parte da estratégica do governo do estado do Pará para verticalizar a sua produção.

Corremos sérios riscos, a se confirmar o potencial do empreendimento, de perdermos parte significativa da economia regional para outras regiões do país. Um país em crise e nossa região mais agravada pela crise da Usiminas (que alterna boas notícias com a persistente crise societária), atrasa uma reação. Eis um grande desafio para os governos regionais, sobretudo, o de Ipatinga. O problema é que perdemos muito tempo com crises políticas, quando não temos tempo a perder!

Ronaldo Soares


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