26/12/2016 18:21:00

2016, o ano interminável


Divulgação

Em 2016, recebi pela primeira vez uma homenagem na minha terra natal, Tarumirim, dentro de um campo de futebol, local onde vivi bons momentos da minha infância e adolescência, e onde aprendi a gostar de esportes que, mais tarde, me fizeram optar por me tornar jornalista esportivo.

Mas, não foram só alegrias, pior, foram mais tristezas ao longo desse interminável 2016, ano que me levou embora vários amigos, parentes queridos, além de dezenas de pessoas, jogadores, dirigentes e colegas de profissão no acidente aéreo com o time de futebol da Chapecoense.

Para quem gosta, vive diuturnamente ligado no esporte, sobretudo o futebol, a marca dolorosa que irá ficar deste ano é esta, ou seja, a tristeza que nos faz ainda pensar no sentido da vida, em família, no trabalho, pois ela precisa ser vivida intensamente, sem esquecer que qualquer descuido pode ser fatal.

As tragédias humanas em 2016 não ficaram restritas somente ao futebol, pois tem o fracasso humanitário de Aleppo, os atentados na Bélgica, França, Orlando, por último na Alemanha, o nacionalismo que separou a Grã-Bretanha do resto da Europa, do ódio que dividiu os americanos na eleição de um presidente mentecapto e populista.

Enfim, 2016 aprofundou ainda mais a desmoralização da classe política, acuada pela Lavajato, o que só aumenta a crise econômica, deixando um rastro de desesperança na população.

Mas não podemos nos acomodar e deixar de lutar, não podemos perder a fé num futuro melhor para o nosso país, então, foi por isso que escolhi iniciar esta última coluna de 2016 com bonita lembrança da homenagem emocionante para mim, recebida na minha terra natal.

Com o mesmo carinho que reservo ao povo de Tarumirim, vou guardar de positivo deste ano também a lembrança dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, que ficaram meio esquecidos, por conta da quantidade de fatos incomuns ou ruins registrados dentro de um contexto pra lá de tumultuado e difícil.

Se serve de alento, pelo menos os historiadores estão afirmando que o planeta onde vivemos, em 2016, está sendo, comparativamente com outras décadas, mais pacífico e igualitário.

Mas por via de dúvidas, reitero o pedido que fiz a Papai Noel na última noite de Natal: “Acaba logo 2016, ano interminável!”

Claro que há certo exagero nessa condenação, se compararmos com outros períodos na história da humanidade. De fato, já tivemos épocas piores, como, por exemplo: 1914-1918, quando a primeira Guerra Mundial dizimou parte do planeta e começou a mostrar ao mundo a face odiosa do nazismo; 1945, quando explodiu a bomba atômica, encerrando uma guerra muito maior que exterminou milhões de pessoas; em 2001, no atentado que derrubou as torres gêmeas nos Estados Unidos e consolidou a era do terrorismo islâmico.

Voltando ao futebol, precisou da CBF quebrar a cara e ver a classificação para o Mundial da Rússia ameaçada, para dispensar Dunga e fazer o óbvio, contratar Tite para o cargo de técnico da nossa seleção. A reviravolta foi espetacular. Tite levou a seleção brasileira ao primeiro lugar nas Eliminatórias, com seis vitórias seguidas, culminando com os 3 a 0 na Argentina, o que deu uma trégua no espírito de 7 a 1 que tomou conta do torcedor e se arrastava há dois anos.

A Fifa completou seu primeiro ano sem Sepp Blatter, representante de uma estrutura arcaica e corrupta de poder, que estava encastelada na entidade há décadas. Foi também este ano onde finalmente a tecnologia entrou no futebol, embora a primeira experiência tenha sido um fracasso no Mundial de Clubes. Mas vamos dar tempo ao tempo e continuar aperfeiçoando o sistema, que já foi integrado à rotina de outros esportes com sucesso, a fim de diminuir as injustiças no futuro.

Finalizando, quero agradecer aos diretores do “Diário do Aço”, Valdecy Castro e Valter Oliveira, pela confiança no nosso trabalho; aos colegas da redação por mais este ano de apoio, bem como às empresas Alaska Refrigeração, Saritur, Casa do Ruralista, Laboratório Acil, Roberto Escapamentos, Escola Mayrink Vieira e Colégio John Wesley, que nos apoiam comercialmente. Foi uma honra poder compartilhar os bons e os maus momentos com vocês. Volto no dia 3 de janeiro. Feliz 2017 para todos nós! (Fecha o pano!).




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