02/01/2017 16:27:00

Um condomínio chamado Brasil





Há tempos, gostaria de provocar a analogia de se administrar um país, um estado ou um município, com a administração de um condomínio. Um condomínio de prédios, de casas ou de empresas.

O que percebemos, então, é que contribuímos (os condôminos) para que um síndico e sua equipe cuidem da conservação e limpeza de áreas comuns, assim como os demais serviços de iluminação, água e manutenção hidráulica, elétrica e civil de tudo o que for comum aos moradores. A diferença é que não há ideologia. O que for decidido pela maioria dos moradores deste condomínio será realizado e pago por todos. Porém, cada morador cuida do seu imóvel, dotando-o dos mesmos cuidados que as áreas comuns têm pela administração do condomínio. O que difere, são quesitos como educação, saúde e promoção humana. Um país, no contexto de nação, tem de crescer. A questão é que nem todos pagam pelas despesas comuns, mas todos querem ter acesso aos benefícios. Com isto, trava-se uma batalha sem fim entre os que pagam e querem retorno do estado pelos serviços e, ao mesmo, tempo os que não pagam querem receber, cada vez mais, do estado que, por sua vez, ratifico, é mantido pela parte que paga. Ufa!

Com isto, partidos políticos praticamente se dividem atuando à perspectiva dos que pagam e dos que não pagam. Os que pagam podem ser rotulados de capitalistas e neoliberais. Os que não pagam são os socialistas, os de centro esquerda e amantes do estado do bem-estar. Esta analogia foi inspirada, entre outros fatos, nos últimos acontecimentos políticos desses três anos. O movimento do passe livre que desencadeou uma série de protestos país afora em meados de 2013 que fez forjar o congelamento das tarifas, assim como a criação dos Mais Médicos foi resposta imediata a uma das demandas desses protestos. Em 2014, os escândalos de corrupção escancarados pela Operação Lava Jato fez o país se indignar com a corrupção dos partidos políticos e, por fim em 2015 o processo de Impeachment foi estartado e os bate-panelas se fizeram ouvir abrindo espaço para Michel Temer e seus representados.
Nos EUA, o governo que se encerra, o de Barack Obama, foi duramente criticado por criar políticas públicas de seguridade social (Obama Care), em um país que a saúde, mais que qualquer outro serviço, é um bem a ser adquirido. Lá, cada um entende que se deve comprar a saúde. Se você não tem condições de comprar, vai ter que prescindir desse serviço e sofrer as consequências. Aqui, temos outra cultura. Entendemos que saúde e educação são deveres do condomínio (digo, estado) e, por isto, os mais pobres são ativamente politizados para encontrar alguém que lhes fale da obrigação que o estado tem em lhe proporcionar o que ele próprio não teve condições de proporcionar.

O condomínio Brasil parece não compreender e nem se compreender. É preciso menos ideologia e mais pragmatismo nas relações entre governantes e governados. Buscar na igualdade social o ponto de partida para a resolução de todos os problemas não me parece cabível. É preciso que se mude o entendimento de cidadão, colocando às partes o verdadeiro sentido de sociedade. E, esta sociedade precisa que todos contribuam e que, de forma mínima pelo menos, os serviços comuns sejam retornados satisfatoriamente à sociedade.

Um país melhor passa por esse debate. Cada vez mais teremos alternâncias de filosofias ou de perspectivas sobre o mesmo tema. Os que contribuem ameaçam parar de contribuir se mudando para fora do país ou levando sua empresa para locais onde são menos carregadas dessa responsabilidade. Por outro lado, os que ficam precisam mais que projetos sociais e tapinhas nas costas. Ele tem que se capacitar, cada vez mais, para pertencer ao grupo onde se encontram os seus adversários. Aí, teremos sociedade mais justa.


Reação dos Leitores





Envie o seu Comentário