09/01/2017 17:21:00

Posse dos novos prefeitos: bons e maus exemplos



E foi-se a primeira semana de trabalho dos prefeitos eleitos no último pleito em 2016. Morreram os candidatos e nasceram os prefeitos em pleno mandato. Fiz questão de comentar, nesta sequência, porque se observa, via de regra, discursos distintos. O candidato é um franco-atirador. Junto à população, é mais um insatisfeito com o que se tem e engrossa o coro das proposições que, sem juízo de valor, vão atender os anseios daqueles que, como ele, enxergam a realidade como algo que poderia ser diferente. Após eleito (ou reeleito), todos adotam um tom mais moderado e estrategicamente conciliador, buscando uma transição civilizada e, com isto, um início de governo sem grandes intempéries. A partir de 1º de janeiro tivemos, então, prefeitos com mandato e, a partir daí, se a transição foi civilizada, abrem-se as cortinas do que havia para que comece o discurso do que a nova equipe tem a fazer. Se a transição não foi calma, a figura do prefeito candidato tende a voltar e o início do mandato será mais trabalhoso.

Tivemos de tudo país afora. Prefeito que faleceu a caminho da posse, como o de Santana do Piauí (PI), cujo carro colidiu com um ônibus. Prefeito que tomou posse recebendo elogios e agradecimentos pelos mimos recebidos pelo antecessor, como aconteceu em São Paulo com Fernando Haddad (PT) e João Dória (PSDB). Tivemos prefeitos que sequer entregaram as chaves da cidade ao sucessor, como gesto republicano. Outros justificaram que poderia isso iria constranger os vencedores. Tivemos prefeitos apressados para cumprir promessas de campanha que, no primeiro dia, reduziram a máquina pública demitindo 3.000 funcionários comissionados para readmiti-los logo no dia seguinte, como o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PHS). Houve prefeito que doou sangue e caiu no samba, como Marcelo Crivella (PRB) no Rio de Janeiro. E prefeitos que demoraram a apresentar seu secretariado, fazendo-o já no fim da semana, como fez o de Timóteo, Geraldo Hilário, que, por sua vez, tem o menor secretariado da região (oito secretários).
O que não queríamos observar são as rivalidades que afloram muito acima do interesse público. Vimos maus exemplos de sobra. Há enormes desafios para a manutenção dos municípios, que sofreram muito com a crise econômica. O momento é de humanidade, acabar com as rusgas da campanha e fornecer ao novo prefeito e sua equipe as informações relevantes aos interesses do município. Mas a exceção não é a regra, e o que vimos na posse do novo prefeito de São Paulo não inspirou outros gestos país afora. João Dória, um empresário de sucesso, de educação e honra inquestionáveis, merecia de seu antecessor o tratamento respeitoso que recebeu. Exemplo como este não consigo encontrar país afora.

Há, em todo o país, um discurso único de cortes e austeridade. Primeiro, é preciso manter em níveis aceitáveis os serviços essenciais à população, mantendo os salários dos servidores em dia. Em seguida, é preciso propor parceria com a sociedade para a resolução de problemas que, sozinhas, as prefeituras não possam resolver. Como cidadãos, devemos estar dispostos a, em alguns casos, nos voluntariar para fechar buracos no asfalto, construir muros de arrimo, abrir saídas para passagens de água da chuva, revitalizar monumentos, limpar a praça perto da nossa casa etc. Como eu disse na coluna passada, é o condomínio Brasil. Só que, neste caso, não basta só pagar as taxas, tem que colocar as mãos na massa.

Mas o que será dos novos governos sem investimentos ou obras públicas? Sendo despesas discricionárias e mais fáceis de serem cortadas, elas não possuem as amarras de legislações às vezes arcaicas que, muitas vezes, são impostas de cima para baixo pela União. E esta, por sua vez, não considera o porte, a população e, sobretudo, a arrecadação do município.

Essas e outras perguntas deverão ser respondidas mais adiante pelos novos prefeitos. Todavia, o que sempre ficou para médio e longo prazo no que tange à atração de investimentos e implantação de novas empresas passará a ser de um imediatismo sem precedentes nas ações da área de desenvolvimento econômico. Políticas públicas esquecidas há décadas pelos governantes terão que aparecer como protagonistas das novas administrações. Vetores como o aumento de arrecadação e geração de emprego e renda passarão a ser imprescindíveis para que, independente do contexto nacional, o município soerga-se e proporcione uma nova e eficiente dinâmica econômica, mantendo seus talentos em casa e, assim, retroalimentando o desenvolvimento como um ciclo virtuoso interminável. Este é o caminho a ser seguido. Os cortes de cargos comissionados que incham a máquina pública e drenam os cofres com despesas desnecessárias deveria ser constante, não importa o momento econômico por que passe o município. A eficiência é necessária a qualquer tempo. Como na iniciativa privada, redução de custos tem que ser sempre uma vantagem competitiva.

Boa sorte neste desafio a todos os novos prefeitos e à população que neles deposita a sua esperança. E no meu caso, um agradecimento especial ao novo prefeito de Coronel Fabriciano, Marcos Vinícius Bizarro, por confiar nosso conhecimento ao desenvolvimento econômico da cidade, através dos vetores empreendedorismo e geração de emprego/renda.

Medalha Rodrigo Neto

Gostaria de agradecer ao vereador Ronilson Evelton de Souza (Burrinho) pela bela homenagem que ele e seus colegas do legislativo fabricianense recentemente fizeram a mim e muitas outras pessoas que, de uma forma ou de outra, procuraram com o seu trabalho ajudar Coronel Fabriciano a ser um município melhor. A Medalha Rodrigo Neto leva o nome do repórter assassinado há cerca de 4 anos, cujos motivos e culpados intelectuais (os executores já foram julgados e condenados) ainda são desconhecidos. Sua concessão nos estimula a oferecer, com o trabalho voluntário, reflexões e contribuições como formadores de opinião que pretendemos ser. Agora, mais do que antes, ponho meu conhecimento e vontade para auxiliar o povo de Coronel Fabriciano a encontrar novos caminhos para o desenvolvimento. Reduzir as desigualdades no município é o primeiro passo para reduzir desigualdades regionais e mundiais. Só com o desenvolvimento conseguiremos acabar com todas as mazelas da sociedade. Em 2017,


Encontrou um erro? Comunique: falecomoeditor@diariodoaco.com.br


Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.
Envie o seu Comentário