10/01/2017 17:18:00

Ipatinguense vive tormento com carro clonado há três anos

Jason diz em entrevista ao Diário do Aço, que já buscou ajuda de todo tipo possível, mas nenhuma das suas tentativas teve êxito, até agora



Tiago Araújo


Jason Lopes mostra as multas de trânsito em frente ao carro clonado


Um morador de Ipatinga teve o seu carro, um Peugeot SW, clonado por um criminoso na cidade de Duque de Caxias, estado do Rio de Janeiro, há três anos e até hoje o problema não foi resolvido pelas autoridades. Desde 2014, chamado Jason Lopes de Carvalho, já recebeu 12 multas em seu nome, sem que nunca foi à cidade na Baixada Fluminense.

Jason diz em entrevista ao Diário do Aço, que já buscou ajuda de todo tipo possível, mas nenhuma das suas tentativas teve êxito, até agora. “Entrei com Ação Judicial e o juiz me negou o alvará para me livrar das multas e pontos na CNH. Já escrevi para o Comandante do 13º Batalhão da PM de Duque de Caxias, pedindo a ele providências para prender o bandido. Pedi ajuda a um desembargador em Belo Horizonte, mas todo mundo só fica jogando a responsabilidade para outro. Então, o bandido vai continuar a trafegar na contramão, a dirigir em alta velocidade na cidade, a ultrapassar sinais fechados, a levar multas e essas multas continuarão a ser emitidas em meu nome”, relata o ipatinguense.

O criminoso que clonou o carro de Jason até foi parado pela polícia em 2014, segundo a vítima, quando passava em uma estrada perto de Ipatinga, indo em direção a Belo Oriente, mas nada foi feito contra o autor do crime. “Este bandido foi parado pela Polícia Militar Rodoviária. Ele estava sem os documentos do veículo, sem CNH e com excesso de passageiros no carro. Adivinhe quem recebeu as três multas? O cidadão de bem aqui. E o DEER-MG (Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem do Estado de Minas Gerais ) disse que não responde por isto, sendo que o policial militar trabalhava em uma estrada sob jurisdição do DEER-MG”, destacou.

Jason também procurou o Departamento de Clonagem do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte, que responderam que não possuem poder de polícia, o que significa que não podem fazer nada em relação ao caso dele. Além disso, também foi à Delegacia de Trânsito em Ipatinga, onde foi orientado por um escrivão a procurar a Justiça.

Entretanto, pela via judicial, o juiz mandou esperar os trâmites processuais para dar a sentença ao fim. Enquanto não sai a decisão judicial, o criminoso toma seguidas multas que são emitidas em do verdadeiro proprietário do carro clonado. “Comete uma infração atrás da outra, em um carro parecido com o meu, mas com várias diferenças e ninguém o incomoda”, reclama Jason.

Histórico
Os casos de clonagem de veículos são mais comuns do que parecem. O tormento de Jason já foi experimentado por várias outras pessoas. O despachante ipatinguense, José Geraldo Pereira Matos, explica em entrevista ao Diário do Aço, que recebe cerca de oito pessoas por mês reclamando de casos desse tipo. Por isso a vítima precisa juntar o máximo possível de provas e levar à delegacia da cidade, em que reside, para fazer queixa, orienta. “O primeiro passo é verificar as características do veículo multado e perceber as principais diferenças que existem em relação ao carro clonado. Buscar saber onde o veículo com placa falsa estava no dia da multa, por exemplo, se estava em um estacionamento ou posto de gasolina, porque aí é possível conseguir um comprovante de pagamento para provar que o proprietário não estava no local em que a multa ocorreu”, disse.

Outra providência citada pelo despachante é entrar com um processo na Justiça Comum e fazer um requerimento ao juiz, para livrar o proprietário das multas e dos pontos da carteira de motorista. Ou então trocar a placa do carro para tentar resolver o problema. “A pessoa estará sendo injustiçada pelas autoridades, caso nenhuma das duas primeiras alternativas dê certo”, conclui o despachante.



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Comentários

Cecilia

11 de Janeiro, 2017 | 09:28
E só Jesus na causa mesmo porque mais uma vez fica provado que o poder público não liga a mínima para o cidadão de bem.

José de Cássio Basílio

11 de Janeiro, 2017 | 08:38
Triste esta reportagem. Pessoa honesta vivenciando esta situação; mas quando vemos o acontecido em Manaus que foi determinado o pagamento às vítimas em trinta dias... É o Brasil.

Mariana Ribeiro Silva

10 de Janeiro, 2017 | 21:07
Essa é apenas um dos motivos que eu sinto vergonha de ser brasileira; será ate quando um cidadão de bem vai ter que conviver com essa situação?será que a justiça brasileira pode ser chamada de justiça? EU acho que não né.outra coisa eu acho que quem teria que reunir provas pra provar que é este veiculo que esta cometendo infração é a justiça e não o contrario;;o luta só..
Que me desculpem a minha ignorância mas se fosse eu ja teria resolvido esse caso a muito tempo levaria um prejuizo enorme mas não passaria tanta raiva,eu colocaria fogo no suposto veiculo e dava baixa no mesmo já na primeira tentativa de solucionar o caso na "INJUSTIÇA"..
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