10/01/2017 17:12:00

Sobe para seis número de vítimas de febre amarela na região

Em Minas Gerais já foram notificados 23 casos por febre hemorrágica, sendo 16 casos considerados prováveis para febre amarela



Alex Ferreira


Alguns pacientes de Caratinga foram direcionados ao Hospital Márcio Cunha
Um morador de Piedade de Caratinga, que estava internado no Hospital Márcio Cunha, em Ipatinga, é o sexto paciente que morre com suspeita de febre hemorrágica, na região. Geraldo Neto de Oliveira, de 28 anos, faleceu na manhã desta terça-feira (10). Amostras de sangue do paciente seguem em análise para confirmação ou não da doença. Outras duas pessoas já haviam morrido no município também com suspeita da doença.

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) confirmou que estão em investigação 23 casos suspeitos de febre hemorrágica aguda. Destes casos, 16 tiveram respostas laboratoriais positivas para febre amarela e os outros seguem em investigação. Além da área rural no entorno de Caratinga, também há casos de municípios do Vale do Mucuri. Não há registro de transmissão no Vale do Aço.

Vacinação

A diretora de Vigilância Epidemiológica da SES-MG, Janaína Fonseca, destaca que nas localidades de aparição do surto o bloqueio vacinal é feito de forma seletiva. “São avaliados caso a caso. Se a pessoa tomou uma dose, será encaminhada para receber a segunda. Se não tiver tomado nenhum dose, receberá as doses necessárias para imunização permanente”, diz Janaína.

Corrida

As notícias sobre a ocorrência dos casos de febre amarela provocou uma corrida aos postos de vacinação. As doses constam no Calendário Nacional do Sistema Único de Sáude (SUS). A vacina é gratuita e tem validade de dez anos. O cronograma para as Unidades Básicas de Saúde, em Ipatinga, é o seguinte. Na quarta-feira (11) a vacina é disponibilizada nos postos de saúde de Bom Retiro, Iguaçu e Veneza. Na quinta-feira (12) é a vez dos postos do Bethânia, Vila Celeste e Esperança I. Na sexta-feira a vacina é ofertada para os bairros Barra Alegre, Cidade Nobre, Caravelas e Nova Esperança. Os bairros Canaã, Limoeiro e Vila Militar possuem a segunda-feira como dia de vacinação contra a doença. Já na terça-feira são contemplados os postos de saúde do Bom Jardim, Esperança II e Vale do Sol.

Médico orienta sobre a febre Amarela

Divulgação


Médico infectologista, Aloísio Bemvindo
O médico infectologista do Hospital Márcio Cunha (HMC), Aloísio Bemvindo, explica como ocorre a transmissão da doença. “A febre amarela é transmitida por mosquitos em áreas urbanas e silvestres. Nas áreas florestais, o transmissor é o Haemagogus ou o Sabethes. Já no meio urbano, nas cidades, a transmissão se dá através do mosquito Aedes aegypti, o mesmo da dengue".

O especialista destaca que o surto está concentrado em apenas duas regiões do estado de Minas Gerais e que, por enquanto, o Vale do Aço está livre. "O que temos notado nos últimos dias é que todos os sete casos de pacientes com suspeita de Febre Amarela que deram entrada no Hospital Márcio Cunha são oriundos de áreas rurais da região de Caratinga e, muito provavelmente, foram inoculados pelo Haemagogus ou o Sabethes. Portanto, neste momento o surto da doença está concentrado nessas localidades rurais”, afirma o médico.

Sintomas

Uma vez infectado pela doença, de três a seis dias após a picada do inseto o paciente começa subitamente a ter febre alta, mal estar, dor muscular intensa, diarreia, vômito, e que podem ser confundidos com a dengue ou até mesmo com uma gripe forte. Caso o paciente tenha alguns desses sintomas, a recomendação é procurar pela unidade de pronto-atendimento mais próxima, o quanto antes, para não entrar nas estatísticas de casos graves da doença. “De modo geral, depois de quatro dias a cinco dias desses sintomas, os pacientes têm uma melhora definitiva. Porém, para cerca de 20%, mesmo depois desse período de melhora, os sintomas podem voltar e até mesmo se agravar, comprometendo vários órgãos do organismo, como fígado, baço, rins, sistema de coagulação, cérebro, coração, entre outros, levando os pacientes à morte em metade desses casos”, conclui Bemvindo.




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