11/01/2017 16:51:00

Tecnologia x Emprego

Sérgio Orlando Pires de Carvalho



Nos dias de hoje, a tecnologia avança com extrema rapidez, o que causa um impacto significativo no mundo empresarial e nas instituições públicas e privadas, assim como na geração de empregos, deixando desocupados aqueles trabalhadores menos escolarizados. Por outro lado, a tecnologia, tida por especialistas, como “Destruição Criativa”, tem criado novos mercados de trabalho em segmentos distintos que crescem vertiginosamente, os quais se queixam da carência de mão de obra qualificada para o seu atendimento, ou mesmo para o seu desenvolvimento.

Veja que não é tão difícil assim perceber os sintomas da tecnologia no cotidiano. Basta observar com atenção. Ela está na automatização industrial e nos robôs industriais; na operação dos metrôs das grandes cidades sem haver um condutor humano; está nos ônibus sem a participação de motoristas e trocadores; nas entregas em domicílio através de “drones”, sem o mensageiro tradicional etc. Assim é possível verificar que, a cada dia, mais funções realizadas por humanos são substituídas pelas máquinas.

Outros exemplos não faltam. Como em Dubai, em que os táxis já funcionam sozinhos, ou seja, a pessoa entra no carro e no vidro dianteiro do mesmo aparece um mapa para o usuário escolher o destino, clica no mapa indicando para onde deseja ir e o carro o deixa no endereço escolhido. Note que a pessoa não precisa falar nada com ninguém, e que apenas através de um “click” ela se deslocará de um ponto a outro da cidade. Isso acontecerá em breve, em escala mundial, o que trará uma inevitável revolução nos meios de transporte e, certamente, nos empregos.

Um outro avanço interessante é que, através de um ponto no ouvido e outro no celular, é possível uma pessoa conversar com outra de idioma distinto, com tradução simultânea, ou seja, as pessoas se falam e se ouvem, entendendo simultaneamente toda a comunicação. Parece que num futuro próximo não precisaremos mais de tradutores ou de professores de línguas!

Como prova disto, um levantamento feito no Brasil e em outros 14 países que, juntos, representam 65% da força mundial de trabalho, demonstrou o impacto da tecnologia nos empregos nos próximos cinco anos através de uma pesquisa denominada “O Futuro do Trabalhador”, divulgada pelo Fórum Econômico Mundial, a qual revelou que, num período de cinco anos, 7,1 milhões de empregos serão extintos, e dois milhões de vagas serão abertas para absorver trabalhadores afinados com os novos tempos e tecnologias.

Consequentemente, isso nos leva à geração de empregos naquelas funções e atividades mais densas em conhecimento, ou seja, as atividades capazes de absorver pessoas capacitadas a lidar com as inovações tecnológicas. Em contrapartida, acontecerá eliminação de postos de trabalho nas atividades mais simples, mais rotineiras e braçais, o que nos revela que estará na escolaridade dos trabalhadores o futuro de seus empregos. Sendo assim, as pessoas devem se preocupar com a sua formação e, ao mesmo tempo, em estar na escola, tentando terminar seus cursos regulares e procurar cursos de aperfeiçoamento, única maneira de permanecer em condições competitivas no mercado de trabalho.

Os modelos de desenvolvimento econômico sempre dizem que bastaria aumentar a produtividade e o fator tecnológico para gerar empregos na outra ponta, mas a conta parece não estar fechando, porque a velocidade das mudanças tem sido frenética. Cabe então a pergunta: será possível equalizar essa situação? Parece que sim, porém, vai depender do grau de educação de cada sociedade em particular e das pessoas individualmente. Assim, caberá uma maior e melhor preparação da sociedade brasileira, das escolas em todos os níveis e, claro, das políticas governamentais nas três esferas de governo, municipal, estadual e federal.

O avanço tecnológico é patente e jamais será contido, porém, com ele virão os novos empregos e desafios das sociedades e indivíduos. Desse modo será preciso preparo, e o ensino de qualidade é uma das saídas. Daí as reformas do ensino médio serem prementes, porque trazem em seu bojo a formação técnica que pode ser uma das portas para aumentar a capacidade e os saberes dos jovens, facilitando assim a sua empregabilidade. Experiências nesse sentido já são conhecidas, com as chamadas ETECS, FATECS etc., uma vez que nada vai cair do céu como num passe de mágica.
O duro é imaginar que, com tantas mudanças tecnológicas acontecendo, o Brasil se encontre na posição de número 69 no ranking da inovação e na posição de número 81 no ranking de produtividade, e que, infelizmente, não tenhamos conseguido mudar essa realidade a nosso favor.

Sérgio Orlando Pires de Carvalho.
Economista, MBA Executivo em Gestão Empresarial, PG em Administração de Empresas e Organizações, PG em Metodologia do Ensino Superior, Consultor Econômico-Financeiro e autor dos Livros “Economia & Administração” e “Guilhermina de Jesus e a Família Brasileira”.
E-Mail: sergiopiresc@terra.com.br
Blog: http://zaibatsum.blogspot.com


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