06/02/2017 13:45:00

Calamidade: um início complicado



As duas novas gestões das prefeituras das principais cidades do Vale do Aço, Ipatinga e Coronel Fabriciano, encontraram situações complicadas. Em Ipatinga, há uma dívida acumulada junto a servidores e fornecedores que permeou a gestão anterior. Em Coronel Fabriciano, verificou-se a ausência de servidores e documentos administrativos para continuidade de programas, serviços ao cidadão e, principalmente, as ações de saúde e educação. Mas, há uma confusão entre o que uma e outra decretaram. Ipatinga decretou Calamidade Financeira, e Coronel Fabriciano, calamidade administrativa.

É importante entender que calamidade financeira, apesar de não prevista em lei (a polêmica está aí), é para que se possa, entre outras ações receber recursos do governo estadual e federal e, até, remanejar algumas receitas vinculadas para despesas emergenciais (dinheiro que, por lei, é destinado a algo importante e é direcionado para algo emergencial, muito a ver com o não atendimento da Lei de Responsabilidade Fiscal).
Em Coronel Fabriciano, o decreto de calamidade administrativa é para poder suprir, entre outras medidas em caráter emergencial, profissionais para os cargos vagos. Segundo fontes, a prefeitura tinha 112 vigias e permaneceram apenas 18. Essas mesmas fontes dizem que 800 profissionais foram demitidos, incluindo motoristas, professores, médicos e recepcionistas.

Caro leitor, sem estardalhaço, é importante dizer que as iniciativas dos novos prefeitos não são orientadas para denegrir os governos anteriores, apesar de não se poder controlar o entendimento e suas reações. Todos sabem da crise que atravessamos, e o que os municípios sofreram (e sofrem) com a redução das receitas próprias e os repasses dos governos estadual e federal. No entanto, ambos decretos visam o início de gestão com alguma condição de trabalhar para a população. Pensar em efeitos eleitorais de uma parte ou outra é bobagem, pois as próximas eleições serão daqui a quatro anos. Nada do que acontecer hoje terá efeito significativo até lá. A campanha e os fatos mais recentes são o que determinam se o atual governo será reeleito, ou não.

Então, é melhor que cada um dos novos prefeitos tenha condição de resolver os problemas que encontraram nos seus municípios. E um problema que lhes é comum é o desemprego. Em Ipatinga, para se ter uma ideia, uma fila de mais de 3 mil pessoas se formou no domingo (29) para concorrer a 300 vagas no supermercado EPA, que abrirá no bairro Horto. Então, menos boato, menos polêmica e mais trabalho.


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Comentários

Oswaldo Cruz Rosa

11 de Fevereiro, 2017 | 02:12
Parabéns Ronaldo Soáres! Pelas sabias constatações, a cerca do momento difícil em que vivemos atualmente e pelos serviços de informações e de esclarecimentos de um valor imensurável, que presta (já ao longo de um bom tempo ) a sociedade .
Um forte abraço!

Cláudia

10 de Fevereiro, 2017 | 10:54
O Vale do Aço achou que a siderurgia iria sustentar a região eternamente. Não se preparou para novos cenários. Agora, pra correr atrás do prejuízo, vai ter que ser mais rápida que Usain Bolt. Boa sorte!
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