13/02/2017 14:01:00

O que o Espírito Santo nos deixará como legado



O bloqueio de batalhões, feito por familiares de policiais militares, impedindo a saída da corporação, fez com que o Espírito Santo chegasse a uma das mais graves crises de Segurança Pública que o país viveu. O impasse ocorreu porque o movimento, protagonizado por mulheres de PMs, pediu reajuste salarial e o governo diz que não há como fazer isso, dentro dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Tudo começou no dia 3 de fevereiro, quando algumas mulheres fizeram um ato com cartazes em frente ao destacamento da Serra, cidade da Grande Vitória. No dia seguinte o movimento começou a ganhar força, ocupando os portões de vários batalhões no estado. De certa forma, o governo não cuidou e o caso virou uma panela de pressão.

A situação de caos vivido na semana passada pelo estado do Espírito Santo, foi ímpar em toda a história do Brasil. O verdadeiro clima de guerra civil às avessas mostrou o quanto das nossas famigeradas instituições não são sólidas.

Família, polícia, executivo, legislativo, justiça... O Brasil não existe como nação que prioriza os fins sem abrir mão dos meios legais para tal. Vivemos a vergonha de que, se não temos fiscalização, os nossos princípios são deixados de lado e também vamos saquear e roubar. Ou seja, vale o famoso ditado de que a ocasião faz o ladrão.

Por outro lado, Brasília vive num país à parte. Discute-se em um barco repleto de políticos se o indicado para o STF, o ex-ministro da justiça, pode exercer o cargo (com a presença do próprio), e o presidente indica um delatado pela Lava Jato para a ocupar um ministério com foco apenas na prerrogativa de foro privilegiado. E enquanto isso, um estado inteiro vive sob o signo do medo.

Bom, mas o nosso assunto aqui são os negócios, e estes foram muito prejudicados. Segundo as associações comerciais do estado, algo em torno de 300 milhões. Aí perguntamos: e os impostos? Poderão ser pagos em data posterior? E os salários dos funcionários? E o pagamento a fornecedores?

Vamos trazer o fato para a realidade do Vale do Aço. E se a Usiminas e a Aperam, por exemplo, tivessem a sua produção paralisada? Altos fornos podem ser desligados da noite para o dia? E se esses (ou essas mulheres) policiais viessem a formar barricadas na porta das lojas, dos hospitais e das empresas?

Um prejuízo desse tamanho pode levar muitos negócios a sucumbir. Uma semana sem faturar, para quem já está com as finanças combalidas, pode ser um golpe muito forte. Portanto, todos devemos aprender muito com o que aconteceu no Espírito Santo... e não tem nada ver com religião.

VISITA ÀS LIDERANÇAS DO VALE DO AÇO

A presença do presidente da Usiminas, Rômel Erwin de Souza, em Ipatinga, tem que ser considerada um fato especial. Desde a sua recondução à presidência da empresa, no segundo semestre do ano passado, salvo engano, ele não havia visitado as lideranças para dar manutenção à parceria entre a empresa e a sociedade. E ele está atento ao ambiente.

Por exemplo, sabe que a Associação dos Aposentados de Ipatinga, entidade cuja formação a empresa fomentou, há mais de 35 anos, é uma força local sempre atenta ao sinal dos ventos que sopram em nossa região. A entidade congrega mais de 25 mil associados, tem algo em torno de 120 empregados e oferece serviços que o estado presta de forma precária, tornando sua assistência à saúde um exemplo nacional. Visitar o atual presidente da AAPI, Edízio Simplício Neto, é sempre um gesto de respeito à influência que a associação tem no dia a dia do Vale do Aço.

Rômel esteve ainda com as direções da FIEMG e ACIAPI, e com o prefeito Sebastião Quintão. Mais do que o só protocolar, o presidente da empresa apresentou algo que há muito tempo, aqui mesmo, nessa coluna, eu indicava como um novo caminho para a sobrevivência da empresa.

Reorientar o foco da produção em alta escala de aços de menor valor agregado, os “quase comoditizados”, para aços cuja aplicabilidade passaria a ser uma exclusividade de fornecimento da siderúrgica, como o Dual Phase 1200, o aço de maior resistência mecânica já produzido no Brasil para a indústria automobilística. Este tipo de aço vem na esteira de outros investimentos realizados recentemente pela empresa, como a nova linha de galvanização, o resfriamento acelerado de chapas grossas (aço de aplicação na indústria naval) e em outras melhorias na linha de produção. Esses novos aços desenvolvidos pela usina já estão ganhando mercado.

Caro leitor, a demanda ainda continua em níveis baixos, mas já existe uma pequena perspectiva de crescimento. Então, devemos continuar torcendo para que essas perspectivas se confirmem, e que o Vale do Aço enfim retome a sua rota de desenvolvimento.

A PONTE NÃO VAI CAIR

Pelo menos, não no que depender das lideranças regionais. No intuito de propor uma alternativa para a recuperação da ponte sobre o rio Piracicaba, entre os municípios de Coronel Fabriciano e Timóteo, a Agenda de Convergência para o Desenvolvimento do Vale do Aço da Fiemg (Regional Vale do Aço) reuniu lideranças políticas e empresariais na quarta-feira (8) passada, na sede da entidade.

Bem, e o que ficou definido: A Usiminas Mecânica fará um levantamento e estudo topográfico e, em seguida, o anteprojeto, que será apresentado na próxima reunião da Agenda, no dia 20 de março. Depois a ideia do projeto será levada ao DNIT, para que a obra seja executada.

A ponte está parcialmente interditada há quatro anos. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) publicou edital pela terceira vez, no dia 12 de dezembro, porém sem sucesso na licitação.

Caro leitor, infelizmente, a sensação é que, se a ligação entre Coronel Fabriciano e Timóteo não fosse mais feita ainda exclusivamente pela ponte velha, como no passado, este problema já teria sido resolvido. Como hoje temos a ponte nova e ainda o contorno rodoviário, o senso de urgência acaba passando longe do DNIT.

AGORA, FALANDO EM GESTÃO PÚBLICA...

O ex-prefeito de Belo Oriente foi preso na última quarta-feira (8). É com muita tristeza que percebemos que modus operandi próprios do que ouvimos e vemos ser desbaratados na operação Lava Jato foram identificados tão próximos de nós. Belo Oriente não merecia ganhar as manchetes desse jeito.

O ex-prefeito Pietro Chaves, segundo o GAECO – Grupo de Ações Especiais de Combate ao Crime Organizado, era o mentor de um esquema que primava pela contratação e pagamento de salários de funcionários fantasmas. Outros funcionários da confiança do prefeito foram presos ou indiciados.

Caro leitor, é incrível ver isso ocorrer em um município, que é a esfera menor do poder executivo, onde o chefe do governo tem contato direto com todas as mazelas dos cidadãos e, sobretudo, do cidadão mais pobre. E mais incrível ainda é ver o mandatário fechar os olhos e cometer crimes tão deploráveis. Mas Pietro, lamentavelmente, não tem exatamente um histórico de administrações anteriores exemplares.

Esperamos que as acusações sejam concluídas e que o ex-prefeito tenha amplo direito à defesa. Ainda não há nada transitado em julgado, portanto, são apenas acusações, e não sentenças.


Reação dos Leitores





Envie o seu Comentário