06/03/2017 18:43:00

Muita calma



Divulgação

Em qualquer região deste país, os campeonatos estaduais têm as suas particularidades. Aqui nos nossos grotões, quem ganha dos “grandes” Galo ou Raposa não faz mais que obrigação, mas quem perde normalmente entra em crise, acarretando-lhe problemas para a sequência da temporada. Isso q quando não derruba o treinador, jogadores e até o presidente.

É fato que o vencedor tem muito pouco a comemorar, pois o nosso estadual não serve de parâmetro para avaliar com precisão as possibilidades de fazer boas campanhas nas disputas nacionais e internacionais. O caso recente do América é um exemplo disso, pois a equipe se iludiu com a conquista do título de 2016, ao ponto de um dos seus nove presidentes, falastrão por excelência, dizer que no Brasileirão o Coelho lutaria “por vaga na Libertadores”, mas acabou, isto sim, rebaixado à Série B.

Agora o Atlético não só é o líder do Mineiro, mas detém 100% de aproveitamento, mesmo sem apresentar um futebol vistoso e convincente para a sua torcida, como na vitória de virada do último sábado, por 2 a 1, sobre o Villa Nova, no Independência. No entanto, é preciso cautela nas críticas ao futebol apresentado pelo time até agora, pois ele ainda está sendo formado pelo técnico Roger Machado.

Talvez devido ao péssimo desempenho da defesa na temporada passada, a imprensa alvinegra e a torcida exagerem muito nas cobranças, reaja com enorme impaciência diante de qualquer mínimo erro, pedindo a cabeça deste ou daqueles jogadores, como se vê agora na mídia e redes sociais.

Entendo que a crítica tenha de existir, mas é preciso compreender que este é o momento propício para ajustes, sendo normal que o técnico Roger Machado, até pela qualidade do elenco que tem nas mãos, mude o esquema, mexa, remexa à vontade na equipe, em busca da formação ideal.

Se o nosso estadual não garante a ninguém, muito menos a quem tem 100% de aproveitamento, o direito de se considerar no caminho certo, então é preciso utilizá-lo como laboratório visando as competições mais importantes que terá pela frente. O primeiro teste verdadeiro será nesta quarta-feira, na Argentina, estreando na Copa Libertadores contra o Godoy Cruz, que não é nenhum bicho papão, muito antes pelo contrário, mas é sempre um time argentino. Só isto basta!

Contra o Villa Nova, o Atlético de novo encontrou muitas dificuldades com a falta de criação do seu meio-campo, além do fato de algumas peças importantes, como Robinho, estarem pouco ou nada inspirados. Valeu mesmo pelo oportunismo - mais uma vez - do artilheiro Fred no primeiro gol, e a jogada do segundo, com toques rápidos e precisos até a conclusão certeira do venezuelano Otero, o melhor em campo, que vem crescendo a cada jogo.

Mas a intolerância ou até mesmo implicância de alguns colegas da imprensa com o time é tanta, que sobraram críticas até mesmo para a comemoração do gol por Otero, que deu várias cambalhotas no ar, após mandar a bola para as redes do Leão. Deixem o rapaz extravasar a sua alegria do jeito que achar melhor. E vão todos catar coquinho na beira da lagoa.

O Cruzeiro jogou para o gasto em Teófilo Otoni, derrotando o lanterna América-TO apenas por 1 x 0, gol de Alisson. O calor na tarde de domingo estava mesmo infernal, por isso os jogadores celestes tentaram resolver a partida sem fazer muita força. No segundo tempo o América deixou de lado o medo de jogar, e por pouco não conseguiu o empate em dois lances. Os três pontos valeram muito ao Cruzeiro, que continua distante apenas dois pontos do líder e maior rival, o Atlético, contra quem ainda irá jogar nesta primeira fase do torneio.

No Rio de Janeiro, uma das características do estadual é o primeiro turno, que leva o nome de Taça Guanabara, ser até mais importante que o próprio certame. E pelo menos no último capítulo, a dupla Fla-Flu fez um clássico que nos fez lembrar o clima e o carisma dos bons tempos do verdadeiro futebol carioca. Os dois times jogaram por todos os outros da competição, que é muito fraca. O jogo foi emocionante, duas viradas e decisão por pênaltis, com vitória e título merecido para o Fluminense.

Este jogo foi apelidado de “Fla-Flu da resistência”, devido à união dos dirigentes dos dois clubes apoiados pela sociedade organizada, até conseguir derrubar uma decisão judicial que obrigava a ter torcida única no estádio, no que deve servir de exemplo para todo o resto do país. Futebol não é guerra, não é violência, não é “duelo”, como gostam de dizer alguns colegas, não é caso de vida ou de morte, é sim, show, espetáculo, lazer, alegria. E parabéns ao Fluminense pela conquista da sempre charmosa Taça Guanabara. (Fecha o pano!)


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