10/03/2017 17:15:00

Ipatinga tem manifestação regional contra reforma da Previdência Social

O protesto começou na Praça 1º de Maio, e seguiu em passeata para a avenida Cláudio Moura, em frente à agência da Previdência Social de Ipatinga



Tiago Araújo


Dezenas de manifestantes se reuniram em frente à agência da Previdência Social de Ipatinga, nessa sexta-feira

O avanço da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 287/2016, conhecida como Reforma da Previdência, a PEC 287, na Câmara dos Deputados, foi alvo de uma manifestação na manhã dessa sexta-feira (10), no Centro de Ipatinga. O ato foi convocado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Seguridade Social, Saúde, Previdência, Trabalho e Assistência Social em Minas Gerais (Sintsprev-MG) e pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Minas Gerais (Fetaemg). O protesto começou na Praça 1º de Maio, e seguiu em passeata para a avenida Cláudio Moura, em frente à agência da Previdência Social de Ipatinga.

A diretora do Sintsprev-MG, Cleuza Faustino, disse ter a expectativa que a população brasileira se conscientize que a Previdência Social não é deficitária. “A Previdência Social é superavitária e o governo está usando mais uma vez, nós, trabalhadores, para pagarmos uma conta que não é nossa. Muitos veículos de comunicação estão divulgando que, se não tiver reforma, não terá aposentadoria. Isso é uma forma de fazer a população engolir a reforma. O governo quer aumentar o caixa da previdência social, tanto é que ele desvincula 30% da arrecadação da previdência social para pagar juros de dívidas de seus gastos”, pontua.

Cleuza acrescenta que o governo precisa resolver outros assuntos relacionados à previdência. Cita, como exemplo, o rombo das grandes empresas. “Elas devem cerca de R$ 300 bilhões à Previdência Social. Então, o governo precisa discutir sobre isso também, porque não pode apenas alguns pagarem enquanto outros sonegam”, salienta.

Para a diretora Cleuza Faustino, é um absurdo aumentar a idade mínima de aposentadoria para 65 anos, como propõe o governo Temer. Caso seja definida essa faixa, as pessoas vão ter que trabalhar a partir de 16 anos para aposentar com saúde e disposição para aproveitar o restante da vida. Além disso, ela acredita que, com esse aumento de limite de idade, a mulher será mais prejudicada, porque tem dupla jornada, que envolve o trabalho fora e dentro de casa.

Fetaemg

Já a diretora regional da Fetaemg e membro do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bugre, Juliana de Souza Matias, avalia que, aos poucos, abre-se a discussão pública sobre os efeitos da reforma da Previdência. “Vamos manter a mobilização para que os políticos compreendam o nosso lado. Eles precisam sair do ar-condicionado e sentir o que um trabalhador rural sofre na pele para garantir o alimento dentro de casa”, argumenta.

A diretora de Políticas Sociais e Previdência Social da Fetaemg, Maria Alves de Souza, avisa que não será aceito que mexam no direito à Previdência, na idade da aposentadoria, tanto do homem quanto da mulher, no tempo de contribuição e não aceitarão que não seja mais possível acumular a contribuição com a aposentadoria.
Maria Alves acrescenta que já foram apresentadas as propostas de emenda supressiva ao Congresso Nacional em relação à reforma da Previdência. Para o assunto ser colocado em discussão, seriam necessárias no mínimo 171 assinaturas, mas já foram conseguiram 224, mais do que o suficiente.

“O governo também precisa discutir o alto custo que tem com cargos políticos de alto escalão e, inclusive, com os salários do Judiciário. Como pode hoje os trabalhadores pagar tão caro pelos seus direitos e o governo querer cortar o mínimo que eles têm, enquanto recentemente acabou de aumentar em 44% o salário dos membros do Judiciário? É essa desigualdade que o Brasil precisa compreender. Não tem como os trabalhadores pagarem durante a vida toda para sustentarem uma pequena elite do país”, critica a sindicalista.

Principais mudanças contidas no projeto do governo

Idade mínima de 65 para homens e mulheres
Tempo mínimo de 25 anos de contribuição
Para receber 100% do valor máximo da aposentadoria será necessário contribuir 49 anos para a Previdência, ainda que o trabalhador tenha a idade mínima exigida
Não é mais possível acumular pensão e aposentadoria. Será preciso escolher um dos dois benefícios
A pensão não pode passar de 50% da aposentadoria do trabalhador morto, acrescidos de 10% por dependente. Ao chegar à maioridade, o dependente para de receber
Os trabalhadores rurais vão se aposentar com base nas mesmas regras dos brasileiros das áreas urbanas, aos 65 anos de idade e com 25 anos de contribuição
Estipula regra de transição: homens com 50 anos ou mais e mulheres de 45 anos ou mais terão de trabalhar 50% a mais do tempo que faltar, na data da lei, para se aposentar
Proposta vale para trabalhadores de empresas privadas, servidores públicos e políticos. Os militares estão fora das regras


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Comentários

Lucio C.

11 de Março, 2017 | 04:59
Infelizmente nosso Pais e um Grande Barco a deriva, sem direçao e nem freio, pelo que vejo nao ha futuro, os BANDIDOS ESTAO NO PODER, e ninguem tira.
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