15/03/2017 17:50:00

"Querem nos transformar em escravos”

Entre os profissionais que participaram do protesto em Ipatinga estavam estudantes, professores, bancários, metalúrgicos, petroleiros e servidores estaduais da Receita e da Previdência Social



Alex Ferreira


A manifestação reuniu representantes de diversas categorias profissionais na praça 1º de Maio
Uma manifestação agitou o centro de Ipatinga na manhã desta quarta-feira (15), com a concentração na praça 1º de Maio. A estimativa é que 300 pessoas participaram do ato. Os participantes tinham como ponto central a luta contra as reformas trabalhista e previdenciária, essa última, proposta pelo Projeto de Emenda à Constituição 287 e que ganhou mais destaque nos protestos, também realizados em diversas cidades e capitais brasileiras ontem.

Entre os profissionais que participaram do protesto em Ipatinga estavam estudantes, professores, bancários, metalúrgicos, petroleiros e servidores estaduais da Receita e da Previdência Social.

Segundo o diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), o ipatinguense Norton Almeida, não existe déficit da previdência social, como o governo insiste em divulgar para as pessoas.

“A seguridade no Brasil é superavitária. Ela tem em torno de R$ 20 bilhões de superávit todo ano. É verdade que nós temos que pensar em alguma forma de capitalização, mas essa capitalização pode ser feita com esse superávit. Só que esse superávit é sequestrado com a desvinculação com a receita da União, que tira 30% da previdência. Se você arrecada e tira 30%, vai faltar. E por isso que eles chamam de déficit. Mas na realidade é o sequestro de recursos da seguridade social”, explica.

O diretor da Sindipetro-NF também informa que as pessoas precisam procurar saber mais sobre a reforma da previdência, porque ela pode definir o futuro da aposentadoria. “As pessoas só vão acordar para a realidade quando fizerem as contas e concluir que muitos nem sequer vão chegar perto da aposentadoria”, alertou.

Carregando faixas e cartazes, manifestantes inseriram Ipatinga entre cidades que tiveram manifestação nesta quarta-feira

Incapacitados
Para o diretor, é inaceitável que um idoso acima de 65 anos continue exercer determinadas atividades de trabalho. “É muito difícil para um trabalhador com 65 anos ter que ficar em uma plataforma marítima, e trabalhar durante 14 dias, sujeito a uma série de acidentes, ou para um trabalhador da aciaria da Usiminas ou ainda da Cemig, que precisa mexer em uma rede elétrica, ou para um trabalhador do comércio que tem que ficar o horário quase todo em pé. Tudo isso é um deboche com trabalhador brasileiro. Todos sabem que a partir de determinada idade um ser humano fica incapacitado em algumas habilidades”, critica.

O diretor defende que todos lutem juntos, inclusive os juízes, promotores e militares. “A proposta, no fundo é acabar com a previdência social e o serviço será entregue aos planos de previdência privada. Então, se os juízes, promotores e militares pensam que vão ficar imunes a essa reforma, estão enganados”, declara.

Escravidão
A manifestação também atraiu jovens. Raissa Prado, 16 anos, estudante da Escola Estadual Herbert José de Souza (Betinho), no bairro Cidade Nova, em Santana do Paraíso, afirma que muitas pessoas não percebem a gravidade do problema que a reforma da previdência irá causar na vida delas. “As pessoas não têm ideia sobre os impactos da reforma, da forma como está sendo proposta pelo governo. Se tivessem noção disso, certamente haveria mais gente nas ruas, gritando pelos seus direitos. Eles querem tirar os direitos de quem pagou anos e anos pela Previdência. Ninguém vai conseguir aposentar com 65 anos de idade e 49 anos de contribuição para poder ter benefício a 100%. Eu teria que deixar a escola hoje e começar a trabalhar. Querem nos transformar em escravos, em pleno século XXI”, contesta.

Durante o ato, os manifestantes avisaram que não deixarão os deputados e senadores em paz e orientaram que todos enviem mensagens aos parlamentares alertando-os dos riscos da aprovação da reforma. Também afirmaram que nenhuma parlamentar favorável à reforma conseguirá se reeleger na próxima eleição.


Manifestação contra a reforma da previdência social em Ipatinga


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Comentários

Gildázio Garcia Vitor

15 de Março, 2017 | 18:57
Por que o sindicato dos Professores das escolas particulares (SINPRO), do qual sou filiado, não nos convocou para participarmos dessas manifestações, como fez o Sind-UTE, do qual também sou filiado?

Gildázio Garcia Vitor

15 de Março, 2017 | 18:57
Por que o sindicato dos Professores das escolas particulares (SINPRO), do qual sou filiado, não nos convocou para participarmos dessas manifestações, como fez o Sind-UTE, do qual também sou filiado?
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