18/03/2017 09:05:00

Acabou a perfumaria

Copa do Brasil entra em fase mais “cascuda”



Divulgação

Conforme previsto desde o início, acabou a fase “perfumaria” na Copa do Brasil. De agora em diante o bicho vai pegar, ou como diria o saudoso radialista Eurico Gade, da nossa vizinha Caratinga, a “cidade das palmeiras”: - A cobra vai fumarrrrr...

E se pedra é pedra, pau é pau e sorteio é sorteio. Então, bolinhas no pote e... a quarta fase foi definida com destaque para dois confrontos entre gigantes: Internacional x Corinthians e São Paulo x Cruzeiro, com o mando do segundo jogo para o Timão e Raposa.

Veremos ainda mais três embates equilibrados, com favoritismo do Sport sobre o Joinvile; Vitória sobre o Asa da Paraíba ou Paraná, que ainda vão jogar; e o Fluminense, muito favorito contra o Goiás.

Para quem ainda não sabe, devido às mudanças no regulamento da competição implementadas este ano, os oito representantes brasileiros na Libertadores só entram na próxima fase, chamada de “oitavas de final”, onde também participam os campeões das copas regionais do Norte, Nordeste e Centro do país.

Como eu disse lá no começo, até agora só tivemos “perfumaria” nessa Copa do Brasil, e no caso específico do Cruzeiro nem se fala: Volta Redonda, São Francisco/Pará e Murici/Alagoas, todos bambalas, ou arimatéias, para não dizer outra coisa.

Foi o nosso maior dramaturgo que cunhou a expressão “complexo de vira-latas”. Era como Nelson Rodrigues enxergava uma das características dos brasileiros: achar que aqui no país é tudo ruim, e que no exterior tudo é uma maravilha, tudo funciona, tudo é perfeito, civilizado.

Sem querer me comparar ao autor (obviamente), esse sentimento dos conterrâneos também me incomoda profundamente, por isso achei inoportuna e ridícula a CBF, visando atender seus interesses políticos, copiar o regulamento das copas europeias e iniciar o torneio com 91 clubes, alguns deles sem condições financeiras e estruturais para disputar até mesmo competições amadoras.

O resumo dessa ópera bufa é que jogar contra um Murici é bem diferente de pegar um adversário do mesmo tamanho, como o Flamengo, Corinthians, Palmeiras e, agora, no caso do Cruzeiro, um São Paulo.

Fica a expectativa de que o Cruzeiro confirme tudo aquilo que nós, críticos, andamos dizendo a seu respeito, que montou este ano um time cascudo, competitivo, pronto para ser protagonista, e não coadjuvante, como nos últimos dois anos, ou então a carruagem celeste vira abóbora.

• Relutei muito, até que resolvi abordar esta situação envolvendo o ex-goleiro Bruno. Digo isso porque um dos defeitos que mais detesto no ser humano é a hipocrisia. E neste caso, vejo na argumentação dos opositores à libertação e volta do ex-goleiro aos gramados uma dose excessiva desse mal, praga milenar que afeta o comportamento humano em sua grande maioria.

• Mas, tenho grande dificuldade para entender por que o Boa Esporte teve essa ideia tão rápida, que considero também impensada, de contratar Bruno, já condenado como responsável pelo sequestro, assassinato e ocultação do corpo de Eliza, mãe do seu filho. Terá sido uma tentativa de simular um gesto humanitário? Demagogia pura?

• Por enquanto, o que o episódio mostrou é que nossa Justiça continua esperando e precisando de mudanças, que nunca chegam. Como pode um caso grave como esse ficar parado, sem julgamento por quase cinco anos, na gaveta de um nobre desembargador aqui nos nossos grotões? Como se sabe, Bruno foi condenado a 22 anos de prisão, e libertado agora por decisão de um juiz do Supremo Tribunal Federal, depois de cumprir pouco ou nada mais do que seis anos da pena a ele imputada

• O que esperar também de um clube que muda de cidade, muda de nome, tem um presidente ditador que manda, desmanda, faz o que bem quer? Por enquanto, e ainda, o que este “cartolinha” conseguiu angariar foi tão somente o que cabe à este tipo de gesto, ou seja, a antipatia de toda a cidade que o acolheu, além de transformar o Boa no clube mais odiado do país e de perder patrocinadores. (Fecha o pano!)


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