25/03/2017 11:20:00

Dois lados



Divulgação

Quem tinha outro programa ou compromisso na noite de quinta-feira passada, como foi o meu caso, ou chegou em casa tarde, ligou a TV e só então foi saber o resultado do jogo entre Brasil e Uruguai, tomou um susto com o placar de 4 x 1 a favor da nossa seleção.

O próprio Tite disse que “não esperava tanto”. Ainda mais porque a equipe saiu perdendo, numa falha grotesca do lateral Marcelo, mas mostrou personalidade e virou o placar com três gols de Paulinho, volante que joga na China, e que por conta disso, até bem pouco tempo atrás tinha suas convocações questionadas por muitos colegas; além de um golaço com a grife e assinatura de Neymar, neste momento, sem favor algum, o melhor jogador em atividade no mundo.

De fato, foi uma noite histórica para a Seleção Brasileira, sétima vitória seguida sob o comando de Tite nas eliminatórias, uma marca inédita, e ainda por cima no lendário e mítico Estádio Centenário, onde o Uruguai vinha de seis vitórias seguidas, lotado por 50 mil torcedores locais apaixonados.

Mas, para não fugir à regra, tem sempre o outro lado no nosso país, quase sempre negativo, pois se a noite foi de perfeita dentro de campo, fora dele, quem administra a Seleção, a dona CBF, aprontou mais uma das suas praticando um ato vergonhoso, lastimável, que deveria merecer maior divulgação na grande imprensa e repúdio de todo o povo brasileiro.

Na tarde de quinta-feira, horas antes da histórica vitória da Seleção em Montevidéu sobre o Uruguai, sem nenhum pudor, a CBF realizou uma assembleia geral, só com a presença dos representantes das federações estaduais, e mudou as regras para a eleição na entidade.

O que ela fez? Acreditem, mudou o peso dos votos dos filiados passando para 3 as federações, de modo que agora torna-se impossível alguém se eleger presidente da CBF sem que haja a aprovação dessas entidades, que são na verdade seus apêndices, penduricalhos desnecessários e arcaicos, cabides de empregos, cujos dirigentes rezam na mesma cartilha do atual presidente Marco Polo del Nero, aquele que não viaja.

Vou trocar em miúdos para todos entenderem a engenharia deste golpe, ou a maneira encontrada pela atual direção da CBF de se perpetuar no comando da entidade: agora 27 federações valem 81 votos; os 40 clubes, sendo 20 da Série A com peso 2 e os 20 da Série B com peso 1, vão valer 60 votos, ou seja, o poder de decisão e influência dos clubes agora é o mesmo que zero.

Mesmo diante de mais este descalabro da CBF, não vi nenhum dirigente de um grande clube do país se insurgir contra a manobra da atual direção. Todos, sem exceção, temem represálias, e grande parte deles recebe repasses ou “ajudas” vultosas, que usam para saldar dívidas de suas instituições e sabe-se lá para mais qualquer coisa. Com raras exceções, estão no mesmo balaio, por isso ninguém grita, esperneia, denuncia as artimanhas do comando da CBF. Os grandes veículos de comunicação também se calam, não se aprofundam na questão para não se indispor com a cartolagem, com receio de prejuízos financeiros futuros.

Claro que a seleção, o técnico Tite, Neymar e os demais jogadores não podem ser incluídos no mesmo saco onde estão os cartolas da CBF. Só espero ver o torcedor brasileiro se indignar algum dia, se manifestar, ir às ruas ou aos estádios, não para brigar ou matar-se uns aos outros, como ocorre hoje, mas para demonstrar repúdio contra essa gente, que há décadas comanda o nosso futebol com métodos retrógrados, sem nenhuma transparência e de forma suspeita.

Parabéns aos torcedores do Clube Atlético Mineiro, o Galo famoso, pelos 109 anos de fundação completados ontem. Hoje, no Independência, contra a URT de Patos de Minas, valendo pelo nosso estadual, trinta grandes nomes que vestiram e honraram a camisa do clube em épocas distintas serão homenageados.

Toda lista ou seleção de melhores no futebol gera polêmicas, mas vou ousar e citar os melhores que vi defender o Atlético, nessas quatro décadas de militância ininterrupta como cronista esportivo: Taffarel, Nelinho, Leonardo Silva, Luisinho e Paulo Roberto Prestes; Cerezo, Oldair, Ronaldinho Gaúcho e Éder Aleixo; Diego Tardelli e Reinaldo. Técnico: Telê Santana; Presidentes, Elias e Alexandre Kalil. O MAIOR DE TODOS: Reinaldo.

“Enquanto houver uma camisa branca e preta pendurada no varal, o atleticano torce contra o vento”. ROBERTO DRUMOND. “Torcidas, as haverá mais numerosas ou mais conhecidas por sua grandeza, mas nenhum séquito futebolístico brasileiro se compara ao do Clube Atlético Mineiro em mística apaixonada, em anedotário heroico, em poesia acumulada ao longo dos anos. ARMANDO NOGUEIRA (Fecha o pano!)


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