27/03/2017 11:52:00

Nem AM, nem FM. Em breve, todas serão rádios

A migração das emissoras e presidência da Usiminas em pauta



Divulgação

Semana passada, 47 emissoras mineiras de rádio assinaram o termo aditivo para migrar de AM para FM, em Belo Horizonte (MG). Minas Gerais é o estado que tem o maior número de emissoras migrantes no Brasil. Além dessas 47 emissoras de agora, outras 26 assinaram a migração no ano passado, em Brasília.

Cerca de 20 emissoras estão com pendência de documentação e outras 22 aguardam o canal estendido, que será liberado após o encerramento do sinal analógico da TV. Cento e quarenta emissoras mineiras solicitaram a migração do AM para o FM, e destas, 102 foram contempladas no primeiro lote.

Caro leitor, a tecnologia foi inviabilizando o rádio AM há anos, por causa das falhas na qualidade do sinal que a transmite. Na medida em que os aparelhos automotivos, na maioria, disponibilizavam apenas a faixa FM, vamos concordar que o rádio está para o carro assim como a TV está para a sala da casa. O local onde o rádio tem mais audiência só era alcançado via faixa FM.

Alguns sortudos como eu possuem rádio de fábrica com a faixa AM no carro. Os que procuravam nas lojas de acessórios automotivos tinham que se contentar com as opções que apresentam apenas a faixa FM. Isso sem falar dos smartphones, que acessam somente o FM, a não que o interessado baixe aplicativos próprios das emissoras.

Na opinião de muitos dirigentes, a migração dará um novo fôlego às rádios AM, que, em muitas cidades do interior, estão agonizantes e, em alguns casos, já fecharam as portas. No Vale do Aço temos um caso emblemático.

A Rádio Globo AM de Ipatinga iniciou as operações em 2012 e se manteve por pouco mais de três anos no ar, trocando várias vezes de comando. Chegou a mudar a denominação para Rádio Metropolitana do Vale do Aço, transmitindo programação em cadeia com a Rádio Inconfidência de BH, mas não ficou seis meses no ar e não tem previsão de retorno.

Da região do Vale do Aço, estão na fila de espera as emissoras Vanguarda AM e Itatiaia Vale (razão social Rádio Vale do Aço). Quem ainda não se posicionou quanto à migração é a Rádio Educadora de Coronel Fabriciano, historicamente ligada à Igreja Católica, mais precisamente à congregação redentorista, a pioneira do Vale do Aço não manifesta planos de migrar tão cedo.

Programação
Leandro Torres, um dos sócios-diretores da Rádio Vanguarda, afirma que, basicamente, nada muda. A distinção entre as emissoras do grupo (Grande Vale FM e Líder FM) ocorre em função dos públicos diferentes, e torna desnecessária tal mudança (sic). Já a Rádio Itatiaia Vale do Aço vem implementando, desde o fim do ano passado, uma guinada no jornalismo local para se inserir nessa nova faixa do dial.

O programa “É Notícia”, recuperando o horário das 8 às 9 da manhã, veio no rastro das eleições municipais. No mês passado, a emissora retomou o “Chamada Geral”, título da rede, no horário das 13h às 14h. Os novos gestores contrataram jornalistas/radialistas experientes, como é o caso de Jéferson Rocha e Gizele Ferreira, e anunciam mais novidades para os próximos dias.

Plataforma múltipla
A questão é que eu penso como o presidente da Associação Mineira de Rádio e Televisão (AMIRT), Mayrinck Júnior, que “o rádio nunca morrerá, ele se adapta às novas tecnologias”. Na verdade, o que se prioriza agora é a geração do conteúdo, e não por onde ele se difundirá. Conhecer o dono da voz não é mais mistério para ninguém.

Hoje, temos jornais de emissoras de rádio, como o da Jovem Pan, que é transmitido na plataforma do You Tube, assim como programas de humor como o Pânico. Na Rádio 98 de BH, o 98 Futebol Clube (aqui retransmitido pela Rádio Líder) pode ser acessado pelo You Tube e pela TV BH News UHF. Ou seja, não é mais conteúdo de rádio ou TV. É simplesmente conteúdo de múltiplas plataformas. O caminho de sobrevivência do rádio moderno passa por aí, com interatividade e conteúdos próprios.

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E A GENTE PERGUNTA: ATÉ QUANDO?

Como o mercado previa, a última reunião do conselho de administração da Usiminas, na quinta-feira (23) da semana passada, retirou o então presidente Rômel Erwin de Souza, e reconduziu Sérgio Leite de Andrade ao cargo. E tudo isso em um período de um ano! Em 25 de maio de 2016, por eleição desse mesmo conselho, Sergio Leite havia sido alçado ao cargo substituindo Rômel, de onde foi retirado em outubro do mesmo ano, por decisão do TJMG e atendendo a um dos blocos acionista, o da Nippon.

Engana-se quem pensa que esse possa ser o epílogo dessa disputa que se arrasta desde outubro de 2014. A Nippon Steel discorda da razão pela qual Rômel foi destituído, e vai judicializar novamente.
Indo pela memória musical, lembro-me agora da frase de Gonzaguinha em Grito de Alerta: “E a gente pergunta: Até quando”?

Talvez, quando a siderurgia se recuperar, e o mercado consumidor ajudar sensivelmente na melhoria dos indicadores, possamos ter o arrefecimento dos ânimos das partes e, com isso, a disputa perca o sentido. Mas eu não me iludo. Se esse mesmo mercado não reagir rápido o bastante para gerar essa calmaria, talvez a empresa não consiga sobreviver, com todas as dificuldades advindas dessa disputa.

Aos trabalhadores e comunidade, resta a apreensão. A vida não tem sido nada fácil para os brasileiros, mas tem sido mais dura ainda para os ipatinguenses, com uma dose a mais de angústia. Assim, eu peço que cada um invoque sua religiosidade e ore, que vibre sobre a empresa. No passado essa empresa ajudou a comunidade, e está na hora da comunidade retribuir e entrar em defesa da empresa, mesmo que seja só em orações.


Reação dos Leitores





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