27/03/2017 17:59:00

Porco magro



Divulgação

Todos nós, da crônica esportiva, torcedores de todos os matizes, entendidos ou não no assunto, somos unânimes em dizer que, enfim, a seleção brasileira está no caminho certo, e que o responsável por essa transformação, além dos jogadores, é o técnico Tite.

Me parece que não há nenhum exagero em dizer, sobretudo após os 4 a 1 sobre o Uruguai, na semana passada, em Montevidéu, que a nossa seleção chegou finalmente ao nível de jogar de igual para igual, com possibilidades até de vencer as principais seleções europeias.

Longe de mim (sem saudosismo algum) dizer ou estabelecer, qualquer tipo de comparação entre a seleção de hoje com a de 1958/62, que se sagrou bicampeã mundial; ou com a de 1970, a melhor de todos os tempos; ou até com a de 1982, que não ganhou a Copa do Mundo, mas até hoje é lembrada como uma das melhores que já tivemos.

Essas comparações, feitas por alguns colegas, são necessárias apenas para que se estabeleçam parâmetros de qualidade, mas só no sentido de explicitar que a atual seleção voltou a ter um formato, um espírito vencedor, como, aliás, é a marca do futebol brasileiro pentacampeão mundial.

Agora, não se pode exagerar nos adjetivos e na euforia, pois penso que a atual seleção ainda está longe de ser considerada favorita ao título na Copa de 2018, na Rússia, mesmo porque não foi testada pra valer contra equipes de ponta da Europa, como a Itália, Espanha, Inglaterra ou o nosso principal algoz, a Alemanha dos “7 x 1”.
No topo do prestígio, o professoral Tite tratou de botar um pouco de água nessa fervura toda, ao dizer que a seleção “ainda pode evoluir”.

Sim. Ele está coberto de razão, pois o que ninguém quer ver ou admitir nesse momento é a seleção ter um retrocesso ou tropeço contra um adversário mais fraco, como, por exemplo o de hoje, dentro da Arena Corinthians, quando enfrentará o Paraguai.

Ninguém espera outra coisa logo mais do que uma vitória da seleção brasileira, mas é bom se precaver, e neste caso vale lembrar um ditado popular sempre atual aqui nos nossos grotões, que diz assim: “Porco magro é que suja a água”.

Para mim não foi nenhuma novidade. Mais uma vez os clubes brasileiros, principalmente os chamados “grandes”, abaixaram a cabeça e se renderam como cordeirinhos mediante um ato espúrio da cartolagem da CBF, com Marco Polo del Nero à frente, visando unicamente se perpetuar no poder. Os clubes tiveram uma oportunidade de reagir, mas o que se viu foi uma ou outra voz, como a do técnico do Atlético-PR, Paulo Autuori. E mais nada que pudesse se caracterizar como sendo um eventual movimento de protesto e de oposição.

O propósito da CBF, ao reforçar o poder das Federações, que na prática garantem agora a eleição do presidente da entidade, é exatamente o de impedir a chegada ao poder de qualquer núcleo de oposição. Mas os nossos dirigentes não se unem, não têm coragem de enfrentar essa cambada que há décadas faz o que quer do nosso futebol. Preferem, sabe-se lá porque motivo, continuar figurantes, participando de campeonatos deficitários, onde as federações estaduais são as únicas que têm lucro. Um espanto!

A cada três anos, são realizadas eleições para a presidência do Cruzeiro. Há décadas a sucessão no clube passava despercebida da imprensa e da torcida, pois as discussões eram conduzidas internamente, sem nenhum alarde. Agora tudo mudou. O clima é de beligerância total entre os dois grupos, que já foram grandes aliados. De um lado está o presidente Gilvan Tavares, que apoia o diretor de futebol Bruno Vicintin; e do outro, os partidários do ex-presidente e atual senador, Zezé Perrela, que deseja voltar ao comando do clube.

O primeiro round da disputa está previsto para abril, quando o Conselho Deliberativo vai se reunir extraordinariamente para votar uma alteração no estatuto, que permitiria a candidatura de Vincintin. Se a proposta da situação passar, os Perrelas podem tirar o cavalinho da chuva. O que mais se teme é que o barulho da disputa eleitoral acabe atrapalhando o time em campo.

Dezenas de leitores atleticanos enviaram mensagens comentando a escalação da melhor equipe do Atlético, publicada na coluna do último domingo. A maioria contestou a escolha de Taffarel, sugerindo o atual goleiro Victor, alegando uma série de motivos, como, por exemplo, o fato de Victor ter sido um dos principais protagonistas na conquista da Libertadores em 2013.

Eu explico que a minha escolha foi pessoal, pelo que vi em quatro décadas de militância na crônica esportiva. Respeito as divergências, mas a meu juízo, Taffarel foi mais completo tecnicamente do que Victor, e se não ganhou títulos importantes com a camisa do Galo, foi o herói, ao lado de Romário, na conquista do tetra em 94, na Copa dos Estados Unidos. (Fecha o pano!)


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