03/04/2017 10:25:00

A sociedade paga duas vezes!



Divulgação

No ano passado, quando o governo Cecília Ferramenta lançou os parquímetros (aquelas máquinas eletrônicas para regular o estacionamento no centro da cidade) de forma atabalhoada, sem uma campanha de orientação, sem criação do agente municipal de trânsito... simplesmente fez a implantação do sistema e a população que se virasse para comprar moedas ou um cartão magnético ao pornográfico valor de R$ 12 para depois pagar o carregamento de créditos.

A prefeitura, à época mergulhada numa enorme crise, se debatia na tentativa de gerar recursos para cobrir seus gastos. Reformas administrativas não se concretizavam na redução de cargos comissionados, uma vez que significa perder o apoio na câmara e dos partidos da base aliada. A saída mais fácil? Onerar o cidadão! Que é o mesmo que justifica o aumento de impostos para gerar serviços para atender suas necessidades.

O atual governo herdou uma cidade na era espacial! Crateras por toda parte da cidade! Buracos nas vias públicas ganharam até festa de aniversário. O prefeito Sebastião Quintão, assustado com o tamanho da dívida (reconhecida no mês passado em mais de 400 milhões de reais) demonstra atordoamento com a herança que recebeu. Neste caso, especificamente, acabou dando sequência à “malvadeza” do governo anterior, implementando os agentes municipais de trânsito.

Esses agentes têm sido alvo das redes sociais porque o cidadão acredita que ele está agindo vorazmente na captação de recursos, através de multas indiscriminadas a ele aplicadas. Espalham-se na grande rede vídeos de indignação contra a atuação meramente “arrecadadora” denunciada pelas “vítimas”.

Caro leitor, sofremos pagando impostos com retorno de serviços ao cidadão proporcionalmente muito menor ao que se paga. Ipatinga, no trânsito, mostra a falta de condições de investimento em operações tapa-buracos, um paliativo que se tornou corriqueiro e de caráter definitivo.

Uma nova pavimentação ou calçamento é algo impensável para a maioria dos municípios brasileiros. Mês passado, escrevi aqui sobre fontes me dando conta de que nem dinheiro para pagar os correios para envio dos carnês do IPTU o município tinha. Ora, se não tem como cobrar o imposto deste ano, como teria para comprar asfalto quente ou massa asfáltica?

No momento em que o desemprego alcança 13,5 milhões de brasileiros, as famílias têm sofrido queda substancial do padrão de qualidade de vida alcançado na década anterior por ocasião do boom das commodities. Agora, quando menos podem contribuir com o erário público, são coagidas a fazê-lo, através do estacionamento rotativo.

Esse mesmo estacionamento que prejudicava o cidadão comum no passado, que não conseguia vagas próximas às lojas por ter que disputar espaço com vendedores autônomos e automóveis de donos de lojas. Foi reclamar, e deu nisso. Mas no Brasil é assim. Utilizam a insatisfação do cidadão para justificar a criação de uma nova taxa, imposto ou multa.

E o pior, com o apoio de parte dos empresários! Justamente eles, que dependem que você gaste dinheiro com eles, e não com o estacionamento. Os donos de loja deixam de te vender para o dinheiro ir para o erário público. Vejam o exemplo do shopping! Pergunte a algum lojista de lá se ele deu bem com a cobrança do estacionamento.

Mais uma vez, repetimos os erros do governo federal. Precisa aquecer a economia, daí acena com o aumento de impostos para cobrir o rombo de 42 bilhões das contas públicas que, por sua vez, já tinham um débito enorme projetado para esse ano. Aqui, precisa-se aquecer o comércio para reerguer a economia local em pandarecos e cobra-se o estacionamento, aliás, multam as pessoas por estacionarem.

Ah... se o Paraguai fosse aqui... os produtos lá são tidos como de qualidade duvidosa, mas a vergonha na cara do cidadão é de altíssima qualidade, muito superior à dos brasileiros. Se você não entendeu, acesse o Google, escreva “congresso-fogo-Paraguai” e se informe.


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