03/04/2017 16:51:00

Os mesmos



Divulgação

Como acontece todos os anos, o nosso campeonato estadual está chegando ao fim transformado em torneio com jogos de mata-mata, de novo sem muita graça, mais por culpa dos times, sobretudo os do interior, que não oferecem qualquer tipo de resistência aos três “grandes” da capital.

Então, sem qualquer novidade, com Atlético, Cruzeiro e América já classificados para a fase decisiva, resta apenas saber qual será a quarta equipe ou o representante do interior na semifinal, aparecendo com maiores chances a URT (Patos de Minas) e o Tombense (Tombos), com a Caldense (Poços de Caldas) correndo por fora.

Já se tornou assunto recorrente nesta coluna a situação caótica vivida pelos clubes do interior do estado, sobrevivendo à custa de migalhas da TV ou do aporte financeiro de empresários interessados em colocar no mercado alguns de seus jogadores.

Sem ter condições financeiras para manter categorias de base em funcionamento, os clubes do interior não revelam ninguém e gastam o pouco que conseguem arrecadar contratando jogadores veteranos ou de qualidade duvidosa, tornando-se meros figurantes na competição.

Entra ano e sai ano é sempre a mesma coisa, nada acontece para mudar este quadro, já que os clubes pequenos ou médios do interior não se unem, não possuem uma liderança capaz de articular uma reação contra este modelo arcaico, deficitário e ineficiente que aí está.

Enquanto o futebol brasileiro - leia-se seleção brasileira comandada por Tite -, já deu um sinal de recuperação classificando-se com méritos e antecedência para a Copa da Rússia em 2018, nossos clubes definham cada um na sua proporção de importância, cada qual no seu quadrado.

Sim, pois se no âmbito tupiniquim a situação dos clubes do interior é de falência total, não se vê entre os principais clubes do país um “grande time”, ou aquele que cause a mesma impressão animadora da seleção.

A explicação para isso é simples: mesmo que estejamos ainda produzindo pés de obra de grande qualidade, não ocorre mais a mesma quantidade de revelações do passado. Além disso é fato que todos os melhores jogadores atualmente atuam no exterior.

Isto quer dizer que, mesmo sendo um país de dimensões continentais, onde centenas de clubes e milhares de jogadores disputam anualmente dezenas de competições, se tirarmos os jogadores da seleção de Tite, o que sobra está muito abaixo do nível de alguns clubes que disputam hoje as segundas divisões europeias.

Sobre o clássico de sábado, achei justa mais uma vez a vitória do Cruzeiro, que encarou o jogo com mais vontade de vencer, enquanto o Atlético entrou como se fosse disputar uma partida qualquer. Pelo lado celeste, destaque para Arrascaeta, que se firmou como carrasco do alvinegro, e Thiago Neves, que ainda bem abaixo do seu potencial fez a melhor partida desde que chegou ao clube.

No Atlético, apenas Luan merece elogios pela garra mostrada. Os piores: Marcos Rocha, Fred - pela expulsão infantil - e o goleiro Giovani, que conseguiu a proeza de aceitar um chute de longe e, ainda por cima, dado com o pé direito de Thiago Neves, o mesmo pé que só serve para ele andar e pisar no acelerador do carro.

O erro cometido pelo bandeirinha, no segundo gol do Cruzeiro, deixando de marcar um impedimento claro de Thiago Neves, não tira o mérito da vitória celeste. Aliás, o único defeito do assoprador de apito, Igor Benevenuto, é conversar demais com os jogadores, permitindo que alguns mais experientes tentem apitar o jogo no seu lugar. Se melhorar nessa parte disciplinar ele ainda vai se tornar um bom árbitro, pois é melhor tecnicamente do que todos os demais no âmbito estadual.

No Campeonato Paulista, a diretoria do Linense pensou em arrecadar R$ 1 milhão ao ceder o direito de mandar em casa a primeira partida do mata-mata com o São Paulo, indo jogar no Morumbi as duas partidas com renda dividida. Não só perdeu a primeira de 3 x 1 no último domingo, como só conseguiu lucrar R$ 60 mil da renda, já que o público pagante foi de apenas 15 mil torcedores, uma decepção total. Malandragem demais também atrapalha.

Na verdade, são bem poucas, mas algumas vozes de respeito se levantam aqui e ali contra a manobra, e porque não dizer, o golpe da CBF e de seu presidente, Marco Polo del Nero, ao dar mais poder às 27 federações, em relação aos 40 clubes das Séries A e B, para se perpetuar no comando da entidade. Em matéria publicada no jornal Lance!, Zico lamentou a “passividade” com que os clubes se submetem às manobras da CBF e também das federações estaduais, que, para ele, nem deviam mais existir.

Para seus fãs e admiradores, mesmo os muitos como eu que não torcem para o Flamengo, Zico acaba de lançar um canal de variedades no YouTube, o CanalZico10, postando, além de assuntos relacionados ao esporte, variedades, música e gastronomia, onde ele vai receber artistas, cantores e, naturalmente, jogadores de futebol, muitos deles da sua época, que tiveram o privilégio de jogar ao seu lado. (Fecha o pano!)


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