08/04/2017 11:13:00

Sem novidades



Divulgação

Sem apresentar quaisquer novidades, chega ao fim neste domingo a primeira fase do nosso campeonato estadual, onde o que mais se viu foram estádios vazios, jogos desinteressantes, times pobres tecnicamente ou entrando em campo apenas para cumprir tabela.

Os rebaixados são América/TO e Tricordiano, que, por ironia do destino, jogam entre si esta manhã, em Teófilo Otoni, quando iremos saber então quem é o “menos pior”.

O jogo que terá sentido será entre Tombense e URT de Patos de Minas, em Tombos, que certamente vai revelar o quarto integrante da semifinal para se juntar a Atlético, Cruzeiro e América, já garantidos por antecipação.

É o tal do “mais do mesmo”, como gosta de dizer o amigo jornalista Chico Maia, ou seja, uma competição que leva do nada para o lugar nenhum, que em nada acrescenta ao vencedor, mas pode, sim, causar sérios danos ao perdedor, como a queda de técnicos, etc e coisa e tal.

Os estaduais pelo país afora - e o nosso é um dos grandes exemplos -, servem hoje apenas para atender aos interesses da cartolagem encastelada nas arcaicas federações e na CBF, e também aos chamados “grandes” clubes, neste caso, Atlético, Cruzeiro e América, que juntos abocanham cerca de 80% da verba paga pela TV.

Entra ano e sai ano e nada muda, porque quem poderia fazer alguma coisa para mudar e melhorar a fórmula de disputa, qualificando a divisão da verba publicitária e dando mais equilíbrio à competição, está na zona de conforto e não tem interesse, não quer nem ouvir falar nesse assunto.

Somente a Rede Globo, que paga - e muito bem - pelo direito de transmitir essas verdadeiras peladas pelo país afora, poderia mudar esta situação, mas ela está na mesma zona de conforto, sem ataque da concorrência, conseguindo obter ainda bons contratos de patrocínio, então deixa tudo como está.

Os maiores prejudicados, é claro, são os clubes do interior, paupérrimos, sem recursos financeiros para montar equipes competitivas, que fazem papel de meros figurantes, às vezes nem isso, são zeros à esquerda mesmo, enquanto os chamados “grandes”, FMF e a emissora detentora dos direitos de transmissão se comportam como garbosos cavalos em um desfile de 7 de setembro.

• Uma das maiores decepções dos últimos anos em se tratando de um dirigente do futebol estadual em Minas, Castelar Neto, atual presidente da Federação Mineira, elegeu-se com um discurso reformista, prometendo revigorar uma entidade tomada por antigos clãs familiares, que na prática a controlam há décadas ocupando todos os cargos estratégicos, sem nenhuma transparência administrativa.

Mas tão logo sentou na cadeira de presidente, o jovem e então promissor cartola aderiu ao esquema vigente capitaneado pelos antecessores.

Neste momento, a convite da dona Fifa, ele está flanando pela Suíça, desfrutando de mordomias dignas de sheiks árabes, a fim de tomar posse no pomposo cargo de “conselheiro aspone” em uma comissão qualquer de coisa nenhuma, mas que, com certeza, vai lhe render uma polpuda mesada de gratificação pelo “relevante” serviço prestado ao futebol mundial. Aff!

• O grande Salvador Dali disse que “o mínimo que se exige de uma estátua é que ela não se mova”. Essa obviedade deveria existir também entre os nossos dirigentes de futebol, sobretudo na hora de decidir questões de interesse coletivo, deixando a rivalidade somente para dentro do campo de jogo. A intolerância das partes neste “imblóglio” da ampliação da capacidade do Estádio Independência para 30 mil torcedores demonstra o quanto os nossos cartolas são amadores.

• De um lado, a empresa que administra o estádio tenta empurrar goela abaixo de todo mundo um projeto de ampliação das arquibancadas, sem as garantias de segurança mínimas exigidas pelas leis e normas vigentes. O grande interessado é o Atlético, o maior usuário do estádio, que, no entanto, não dá a cara à tapa e deixa a concessionária sozinha no fogo cruzado contra tudo e todos que só querem atrapalhar.

• Do outro vem o América, que ganhou o estádio de mão-beijada dos políticos, sem investir um centavo sequer, com a arrogância peculiar da sua diretoria, useira e vezeira em se achar acima do bem e do mal, para ingressar na justiça e embargar a obra, mesmo sabendo que significa um tiro no pé, pois a mesma lhe trará bons lucros no futuro. Falta diálogo, inteligência e sabedoria aos nossos dirigentes do futebol.

• O goleiro Fábio, recordista de jogos com a camisa do Cruzeiro e ídolo de parte da torcida celeste, volta hoje a iniciar uma partida como titular, depois de quase um ano afastado por contusão. Mesmo que o atual substituto, o fabricianense Rafael, não tenha comprometido no período em que o titular esteve ausente, acho injusta e até deselegante a posição do técnico Mano Menezes, ao dizer que adotará o critério “técnico” para definir quem será o titular daqui pra frente.

• Em respeito à história de Fábio no clube, o correto seria dizer logo de cara que ele é o titular absoluto, reassumindo a posição assim que ganhar ritmo de jogo, uma vez que não saiu da equipe por razões técnicas, e sim, por contusão. Fosse eu o goleiro Fábio, diante dessa posição do comando técnico celeste, pediria imediatamente à diretoria para deixar o clube. (Fecha o pano!)


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