22/04/2017 11:19:00

Como antes



Divulgação

Mesmo sem a importância de algumas décadas atrás, é fato que os campeonatos estaduais monopolizam as atenções dos torcedores de norte a sul do país quando chegam as decisões. Aí pegam fogo mesmo, ou, como dizia o saudoso radialista Eurico Gade, pelos microfones da Rádio Caratinga/AM: - A cobra vai fumarrrrr!!!

O fim de semana nos traz jogos decisivos pra tudo enquanto é lado, e aqui nos nossos grotões não é diferente, com o Galo encarando a URT de Patos de Minas, no Estádio Independência, enquanto o Cruzeiro tem pela frente um velho rival, o América, no Mineirão.

Sob total desconfiança da sua torcida, o Atlético tem a vantagem de jogar pelo empate, e obviamente isso aumenta ainda mais o seu favoritismo diante da URT, única equipe do interior nesta semifinal.

O técnico Roger Machado sofre forte pressão devido às fracas atuações da equipe, que não tem um padrão de jogo. Isso sem falar do mau resultado na última quarta-feira pela Copa Libertadores, quando perdeu para o modesto time do Libertad, no Paraguai, dando apenas três chutes em direção ao gol em 90 minutos.

Apesar das reclamações quanto ao calendário maluco do futebol brasileiro procederem – foram seis jogos até o dia 19 deste mês -, pelo elenco que possui o Galo já deveria estar mostrando um futebol competitivo, de qualidade, que trouxesse confiança e otimismo à sua torcida.

No Mineirão, Cruzeiro e América farão um clássico decisivo, onde o Cruzeiro leva a vantagem do empate por ter feito melhor campanha na fase anterior, mas cujo resultado se torna imprevisível por conta das últimas oscilações da equipe celeste, além da tradição do Coelho de surpreender nas decisões tupiniquins.

O Cruzeiro perdeu titulares importantes esta semana, - o zagueiro Manoel e o volante Ariel Cabral se contundiram na sofrida classificação contra o São Paulo, pela Copa do Brasil -, mas possui no elenco peças de reposição à altura, como Caicedo e Dedé para a zaga, além de Henrique, Hudson e Lucas Silva para o meio campo.

Já o América, além de um bom treinador, Enderson Moreira, terá a garra, superação e vontade de seus jogadores como arma principal, aliados à mística da sua camisa, para tentar superar de novo o gigante celeste e chegar à final em busca do título, tal como foi no ano passado.

Enfim, os estaduais farão com que o país transpire futebol e emoções no fim de semana. Agora fico aqui pensando com os meus botões, imaginando se ainda valessem... ou se tivessem a mesma importância que tinham nos tempos em que Belchior fazia um enorme sucesso cantando: “...quando havia Galos, noites e quintais”.

A lista de árbitros mineiros que alcançou projeção nacional, mas foram vetados pelas diretorias de Galo e Raposa para apitar seus jogos, é extensa. Agora entrou mais um, Ricardo Marques Ribeiro, que ostenta um escudo da FIFA no peito, mas está oficialmente fora das decisões do atual Campeonato Mineiro. Não deveria, mas é assim mesmo que funciona o submundo do nosso futebol, onde clubes “grandes” mandam e fazem o que querem com as federações estaduais, que nem deveriam existir, de tão ineficientes, suspeitas e inúteis que são.

A lista dos vetados vem de longe: José de Assis Aragão, que depois virou “Aramengo”; o timoteense Márcio Rezende Freitas, hoje comentarista de TV, que conseguiu a proeza de ser vetado pelos dois lados; Sandro Meira Ricci, este aí um verdadeiro sem noção, entre outros. No caso desse assoprador de apito, também conhecido nos meios do futebol pela alcunha de “Garça”, discordo da maneira ou motivação política usada para afastá-lo. Mas, por outro lado, reconheço que a sua ausência será sentida como se ele fosse uma sanfona em velório.

Na mídia voltada para o esporte, uma novidade foi apresentada pelo canal pago Fox, pelo qual o ex-goleiro Follman, sobrevivente do avião da Chapecoense, foi contratado como comentarista. A emissora foi duramente castigada no acidente, com a perda de três dos mais brilhantes profissionais da crônica nacional: o narrador Deva Pascovicci, o comentarista Mário Sérgio Pontes de Paiva e o repórter Vitorino Chermont, além de técnicos e cinegrafistas. Sucesso para Follman nessa nova profissão, onde certamente terá uma missão importante a cumprir.

Não é novidade para ninguém a crise pela qual passam os veículos de comunicação do país, refletindo a queda na atividade comercial e a crise política em todos os níveis. Por isso, alvíssaras pela chegada da Rádio Super Notícia FM, veículo da Sempre Editora, do empresário ítalo-brasileiro Vittorio Medioli, atual prefeito de Betim, que entra no ar em BH no próximo dia 1º de maio.

A emissora vai priorizar o jornalismo, entregue ao comando de Rodrigo Freitas; e o esporte vai contar na sua equipe com alguns “dinossauros”, do tipo Osvaldo “Pequetito” Reis (narrador), Arthur Moraes e Roberto Abras nas reportagens. O comentarista Lélio Gustavo foi convidado, mas recebeu um aumento salarial na 98FM e preferiu não mudar de prefixo. Tomara mesmo que a “Super FM” venha para ficar, e não seja apenas mais uma dessas rádios de verão, usadas por políticos como trampolim para se elegerem, sendo desmanchadas ou sucateadas logo após atingirem seu objetivo. (Fecha o pano!)


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