24/04/2017 17:41:00

Final esperada



Divulgação

Foi como tomar o picolé da mão de uma criança, os jogos que decidiram a semifinal do Mineiro para Atlético e Cruzeiro, que passaram com o pé nas costas por URT e América, respectivamente, e agora vão decidir o título, o que há dois anos não acontecia.

No Independência, o destaque foi Rafael Moura, que não só marcou o primeiro gol, como também sofreu o pênalti no segundo, que foi convertido por Robinho, figura que novo esteve apagada em campo, na vitória de 3 x 0.

Mas o “He-Man” levou o terceiro cartão amarelo e não vai poder jogar o primeiro clássico da decisão, o que traz o foco para a reunião de hoje do tribunal esportivo da FMF, que vai julgar um pedido de redução da pena de quatro jogos - três já cumpridos -, aplicada a Fred.

Um detalhe que chamou a atenção foi a comemoração dos gols pelos jogadores do Galo, indo em direção ao banco de reservas para abraçar o técnico Roger Machado, cujo trabalho vem sendo questionado e que, inclusive, poderá vir a ser demitido caso perca o título para o maior rival.

No Mineirão, o Cruzeiro também fez o dever de casa ao derrotar o América por 2 x 0, gols de Arrascaeta, o destaque celeste, que fez valer a sua superioridade em campo pelo conjunto da obra, com um elenco de atletas muito superior ao Coelho.

No caso do América, o treinador Enderson Moreira preferiu tapar o sol com a peneira na coletiva pós-jogo, dizendo que “faltou sorte” à sua equipe, referindo-se aos dois gols perdidos por Blanco e Renan Oliveira, quando o placar ainda era 0 x 0.

O norte-americano Eldrick Tont Woods, mais conhecido como Tiger Woods, o maior atleta do golfe na história, perguntado se o segredo da precisão de suas tacadas, que lhe renderam muitos títulos e mais de um bilhão de dólares em premiação, tinha também o componente da sorte, respondeu: - “Quanto mais eu treino, mais sorte eu tenho”.

É claro que o treinamento, condicionamento físico e estrutura do clube são fundamentais para o êxito do atleta, mas há um outro componente essencial, que a meu juízo faltou aos dois jogadores do Coelho nos lances capitais. Faltou-lhes algo que se chama talento, um detalhe que sobrou ao uruguaio Arrascaeta em lances até mais difíceis.

Nos momentos decisivos, na hora da onça beber água, prevalece quase sempre o talento dos jogadores, e é onde se pode ver as diferenças entre um craque de verdade e um autêntico perna de pau.

A decisão será em dois jogos, o primeiro no domingo (30), no Mineirão, e o segundo no Independência, pois o Atlético leva a vantagem do regulamento por ter feito melhor campanha na fase anterior, e assim sendo, jogará por dois empates.

Acho que os dois jogos deveriam ser disputados no Mineirão, com torcida dividida, como nos bons tempos, mas isso não cabe na cabeça dos nossos cartolas sabichões, metidos a inteligentes, metidos à besta. É perda de tempo discutir este assunto.

Apesar de tudo, certamente veremos dois grandes jogos, sem favorito, pois prever resultados neste clássico é coisa para a Mãe Dinah. Porém, não há como negar que o momento atual do Cruzeiro é melhor, bem mais ajustado taticamente, com um elenco melhor do que o rival, sobretudo na quantidade e qualidade de reservas em todas as posições. O Galo ganhou muito com a volta do goleiro Victor, mas sofre com a fase ruim de alguns de seus jogadores, sendo o principal deles Robinho.

Mas “clássico é clássico e vice-versa”, dizia o ex-jogador e “filósofo” Paulo Isidoro, que brilhou com as camisas dos dois maiores rivais. Para ficar não ficar em cima do muro, eu vou usar um argumento que é comum aos comentaristas do rádio: “Quem errar menos, ou quem tiver melhor controle emocional, vai ser campeão”.

O fim de semana ficou marcado pela disputa de semifinais nos estaduais pelo país afora. No Rio, deu Fla-Flu na decisão, coisa que não acontece desde 1995. Em São Paulo, a final vai ser entre Corinthians e Ponte Preta, como há 38 anos atrás, quando o Corinthians foi campeão.

O gol do título - marcado por Basílio - será reprisado à exaustão e o técnico José Angelo, o Preca, que defendia a Ponte Preta, vai se emocionar de novo ao rever o lance, pois foi dele a falta que originou o cruzamento e o gol que pôs fim ao jejum corintiano de 23 anos sem um título estadual. “O futebol, cheio de dúvidas, incertezas, contradições, emoções, alegrias e tristezas, é uma metáfora da vida”. Tostão (Fecha o pano!)


Encontrou um erro? Comunique: falecomoeditor@diariodoaco.com.br


Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.
Envie o seu Comentário