06/05/2017 09:00:00

Todos voando

A decisão do mineiro e Joel Santana



Divulgação

Confesso que nunca fui de me comover muito com o discurso repetitivo e constante de jogadores e técnicos, em relação à quantidade de jogos a que são submetidos aqui no Brasil.

Mas reconheço que - este ano - a CBF, a Conmebol e as emissoras de TV que compram os direitos de transmissão, com anuência dos próprios clubes, exageraram na dose, pois são quatro, cinco competições ao mesmo tempo, fazendo do nosso calendário um verdadeiro “samba do crioulo doido”, cansando até mesmo o público, que anda sumido da maioria dos estádios, além dos telespectadores enfastiados pelas ofertas de jogos todos os dias, em horários diferentes e de qualidade duvidosa.

Então, não podemos condenar o que fizeram neste meio de semana os técnicos do Galo e Raposa, ao decidirem poupar meio time de cada lado, preservando jogadores para a decisão do Campeonato Mineiro hoje, no Independência.
O técnico do Atlético, Roger Machado, que contou até com avião fretado para transportar a delegação até a Bolívia, deixou de fora contra o Sport Boys, além do jovem zagueiro Gabriel, os atacantes Maicosuel, Robinho e Fred, substituindo outros tantos durante a partida, que foi vencida com facilidade por 5 x 1.

O Cruzeiro, no Mineirão, chegou até a anunciar força máxima contra a Chapecoense para o jogo de ida das oitavas de final na Copa do Brasil, mas na última hora, e de olho na final do Mineiro, o técnico Mano Menezes se rendeu às recomendações da área médica e poupou vários titulares importantes, entre eles Mayke, Leo, Hudson, Rafinha e Rafael Sobis.

Todos devem atuar na decisão de logo mais, aumentando a expectativa da torcida, pois ao Cruzeiro só interessa a vitória. Ao Atlético, por ter feito melhor campanha na fase anterior e empatado o jogo de ida, outro resultado de igualdade no marcador lhe basta para conquistar o título.

De qualquer forma, depois de tanto mistério e cuidados de Atlético e Cruzeiro com o desgaste físico dos seus jogadores, só há uma certeza, se é que ela existe no futebol: todos deverão estar voando baixo em campo neste domingo.

Que vença o melhor, sem violência dentro ou fora de campo, pois como diz um ditado popular espanhol: “La gloria es de los vencedores, pero las lendas si forjan por los perdedores”. Obviamente, isso vale não só para batalhas do futebol ou guerras, mas para todos os seres vivos e mortais no nosso dia a dia.

• A vitória magra de 1 x 0 sobre a Chapecoense, na última quarta-feira, ao menos serviu para mostrar uma nova joia da base celeste, o jovem atacante Raniel, autor de um golaço logo aos dois minutos, que o credencia a merecer novas oportunidades na equipe titular. Na zaga, Dedé, aparentemente recuperado da série de contusões que o afastaram dos gramados por mais de um ano, deve voltar à condição de titular em breve.

• Pelo lado do Atlético, a goleada de 5 x 1 no fraquíssimo Sport Boys, se entendida com os olhos da razão, e não da emoção, poderá fazer muito bem à equipe e ao técnico Roger Machado, que já fala abertamente em novas opções, o que significa possíveis mudanças na equipe titular.

Os estaduais nada acrescentam à rica história de conquistas dos grandes clubes, que consideram vencê-lo uma “obrigação”, mas a sua perda causa estragos enormes, como por exemplo aconteceu esta semana no Palmeiras, que demitiu o técnico Eduardo Batista muito em razão da eliminação precoce na semifinal do Paulistão para a Ponte Preta, não levando em consideração o fato de a equipe já estar classificada para a próxima fase da Libertadores e na liderança do seu grupo.

• É por isso que, para não ser chamado futuramente de “profeta do acontecido”, este cronista de quimeras quer deixar registrado - com antecedência - que não ficará surpreso se o técnico Roger também perder o cargo em caso de uma derrota hoje, o que significaria a perda do título mineiro para o Cruzeiro.

Há várias indicações de insatisfação com o trabalho do treinador vindos da diretoria, cujo presidente, Daniel Nepomuceno, tem como mentor ou “chefe” ninguém menos que Alexandre Kalil, o maior presidente na história do clube e atual prefeito de Belo Horizonte, que é capaz de dormir com uma taça de campeão, como fez na conquista da Libertadores, e que não aceita desculpas quando se trata de justificar derrota para o maior rival.

• Tem muita gente e até colegas respeitáveis da crônica que não gosta do seu estilo ou faz piadas, que acha o técnico Joel Santana ultrapassado, e cada um tem o direito de pensar como quiser.

Penso diferente, mas fiquei admirado quando o vi no “Bem Amigos” da última segunda-feira, principal programa do gênero na TV paga nacional, apresentado pelo maior ícone da mídia esportiva do país, o narrador Galvão Bueno, principalmente porque não é comum um convite dessa importância para alguém como Joel Santana, que não está no auge da carreira.

Neste caso, o apresentador pouco simpático, mas muito competente, ganhou pontos em todos os sentidos. “A gente sente que está bem no clube pelo roupeiro, não pelo presidente”. Joel Santana. (Fecha o pano!)


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