08/05/2017 17:32:00

Título merecido



O Atlético conquistou o título do Campeonato Mineiro em dois jogos duríssimos, equilibradíssimos, contra o Cruzeiro (0 x 0 e 2 x 1).

Os resultados por si só exprimem o que foi a disputa entre os finalistas, os dois melhores times da competição, portanto, não seria surpresa se o título tivesse sido do Cruzeiro. Mas acabou sendo do Galo, com merecimento pelo contexto da obra.

O ex-técnico Jair Pereira, que brilhou conquistando muitos títulos à frente dos principais clubes do país nos anos 90, dizia que “a melhor estratégia no futebol é a que deu certo”.

Verdade dita por quem conhece a cultura do nosso esporte mais popular, cuja bipolaridade começa na cartolagem, passa pela imprensa, e descarrega na torcida, fazendo dos estaduais uma obrigação para os “grandes”, e um barril de pólvora pronto para explodir em caso de perda do título.

Assim é que, se após esta conquista o técnico Roger Machado passou a ser chamado de “estrategista”, aplaudido pela torcida alvinegra, ao ponto de o experiente artilheiro Fred dizer que ele deu um “nó tático” no rival, caso tivesse perdido o título dificilmente aguentaria as pressões podendo ser demitido, interrompendo um trabalho iniciado há 4 meses e que agora começa a dar frutos.

Se devido à fragilidade dos adversários, ao momento de preparação das equipes, a fase de classificação do Mineiro não pode ser levada a sério por Galo e Raposa, pelo menos nos dois jogos finais onde mediram forças, ficou clara a superioridade do elenco atleticano, sobretudo no sentido de poder de definição.

As lições a ser tiradas nessa decisão são muitas para os dois lados: a invencibilidade com 100% de aproveitamento do Galo, até perder o clássico para o Cruzeiro na 10ª rodada, era falsa; o mesmo se pode dizer em relação à dita invencibilidade, melhor arranjo tático, equilíbrio, etc, do Cruzeiro, pois na hora da decisão negou fogo e perdeu o título.

Importante que também fique claro, para os atleticanos, que o estadual não serve como parâmetro para saber se o time está no ponto a fim de ganhar competições mais importantes.

O que não pode é se iludir, pois o mais importante ainda está por vir e não é pouca coisa: Campeonato Brasileiro cujo jejum já dura 46 anos, Copa do Brasil, e o principal, a Copa Libertadores, sonho de consumo de todos os grandes clubes nacionais.

* O domingo foi de decisões nos estaduais em todo o país. E serviu para consolidar os técnicos emergentes nos principais centros do futebol nacional. Além de Roger Machado campeão pelo Galo, na Arena Corinthians, como era esperado, deu Timão, comandado por Fábio Carille; no Maracanã, o Flamengo dirigido por Zé Ricardo ganhou do Fluminense com mais com garra do que bola; no sul, nos pênaltis, o Novo Hamburgo virou o novo Mazembe da história colorada, sagrando-se campeão gaúcho sob o comando do desconhecido Beto Campos.
* Em Santa Catarina, o técnico Wagner Mancini conseguiu levar a Chapecoense ao bicampeonato, um feito memorável em virtude da situação do clube após o trágico acidente aéreo na Colômbia, que quase o tirou do mapa. No Paraná, o Coritiba, comandado pelo auxiliar técnico e prata da casa, Pachequinho, derrotou o “Furacão” de Paulo Autuori na final. Na Bahia deu Vitória, campeão invicto após 12 anos, comandado pelo técnico do sub-20, Wesley Carvalho, após a demissão de Argel Fucks.
* Em Pernambuco, a volta de Ney Franco ao futebol brasileiro dirigindo o Sport Recife, depois de um ano residindo e se reciclando nos Estados Unidos, não foi ainda coroada com a conquista do título estadual. No primeiro jogo, em casa, e monitorado pelas câmeras de modo pioneiro, o Sport só empatou em 1 a 1 com o Salgueiro. A partida de volta no interior pernambucano será dia 18 de junho, devido ao calendário apertado do Sport envolvido em quatro competições simultaneamente.
* No sul, a queda da dupla Gre-Nal para modestos clubes do interior, aumentou bastante as pressões pelas demissões dos treinadores Renato Gaúcho no Grêmio e Antônio Carlos Zago no Inter. O primeiro é acusado de arrogante e preguiçoso, pois só dá treinos à tarde em razão de ir ao Rio de Janeiro quase todos os dias. No caso do técnico colorado, as críticas se baseiam nos resultados de seu trabalho considerado ruim ou péssimo. Só para ter uma ideia da diferença abissal dos dois clubes da capital para os do interior, basta dizer que a folha mensal de salários dos jogadores e comissão técnica do Internacional alcança R$ 6 milhões, enquanto a do Novo Hamburgo, campeão gaúcho, não passa de R$ 160 mil, cerca de quarenta vezes menor. (Fecha o pano!)



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