15/05/2017 11:53:00

O que significa a religação do Alto Forno nº 1 da Usiminas



Divulgação

No fim da semana passada, a Usiminas informou, como fato relevante - uma obrigação que as empresas listadas em bolsa têm quando um fato possa vir a impactar o preço e volume de negociação de seus papeis -, que o Conselho de Administração aprovou a proposta apresentada pela Diretoria da companhia relativa ao retorno operacional do Alto Forno nº 1 da Usina de Ipatinga, o qual foi temporariamente paralisado em junho de 2015 em razão da necessidade da companhia, à época, de adequar sua produção à queda da demanda por aços planos no mercado brasileiro.

A retomada das operações do Alto Forno nº 1 da Usina de Ipatinga demandará investimentos orçados em cerca de R$ 80 milhões, ocorrerá a partir de abril de 2018 e importará em aumento da capacidade de produção atual da companhia, reduzindo sua exposição à compra de placas de terceiros.

Caro leitor, o que realmente está por trás dessa decisão é a luta intensa da diretoria industrial da Usina de Ipatinga, no que diz respeito ao convencimento dos conselheiros sobre as vantagens de fabricar placas. A manutenção do volume da demanda de segmento de seus clientes forja, desde o meio do ano passado, o debate suscitado pela diretoria industrial, a quem, sem dúvida alguma, deve ser creditado o êxito da decisão, graças ao incansável poder de persuasão junto aos demais diretores e conselho.

Trazer para dentro da usina de Ipatinga algo em torno de 400 novos empregos só para as ações pré-operacionais é um alento, meio ao caudal de notícias ruins que recebemos ao longo dos últimos anos, sobretudo, as relativas à falta de entendimento entre os principais acionistas. A previsão é retomar as operações em abril de 2018, o que vai garantir um incremento anual de 500 mil a 600 mil toneladas na produção de ferro-gusa.

Esse é um dos dois altos fornos que foram desligados em 2015, quando o mercado de aço estava mais desaquecido. O outro, situado em Cubatão (SP), permanecerá desativado, sem previsão de reativação. Operacionalmente, a produção de ferro-gusa foi reduzida em aproximadamente 120 mil toneladas por mês desde junho de 2015, quando as medidas de cortes foram adotadas.

No entanto, lança-se luz sobre a ousadia do custo da retomada da operação. Ele será praticamente igual ao lucro da Usiminas no primeiro trimestre deste ano, de R$ 108 milhões de janeiro a março de 2017. Ou seja, serão investidos praticamente todo o resultado positivo alcançado até o momento em mais de dois anos de más notícias.

Protagonizando a maior disputa societária em curso no Brasil, entre os sócios japoneses da Nippon Steel/Sumitomo e os italianos da Ternium/Techint, a Usiminas registrava, há um ano, perdas de R$ 151 milhões.

A obra
A reforma do equipamento do Alto Forno 1 da Usiminas consiste na troca de refratários e obras de manutenção, além de pequenas melhorias, em um cronograma previsto para se estender de 10 a 11 meses. E importante entender que esses 80 a 110 milhões a serem investidos serão, a priori, gastos em serviços e manutenção de equipamentos, a serem realizados por empresas da região do Vale do Aço. Essa injeção de recursos possibilita, principalmente, encomendas para o setor metalomecânico, que é, ainda, muito sensível às variações do mercado siderúrgico.

Em operação
A retomada do equipamento acrescenta produção em torno de 2 mil toneladas por dia à usina de Ipatinga, hoje ao ritmo de 9 mil toneladas de gusa produzidas diariamente por outros dois altos-fornos. Serão necessários o acréscimo de 120 especialistas ao quadro fixo da empresa, para “tocar” as operações no dia a dia. Fora isto, a economia no caixa da empresa, permanecendo os níveis de demanda, será significativa, pois não serão necessárias a aquisição de placas de terceiros, estimando um “pay back” rápido, segundo os analistas.

Negócios & Empregos acompanha
Vamos continuar acompanhando a Usiminas e seus desdobramentos. Há mais de cinco anos acompanhamos todos os movimentos significativos da empresa para tentar traduzir para você, leitor, os impactos sobre o nosso dia a dia.

A Usiminas continua sendo protagonista no Vale do Aço, mas entende que deve desempenhar um papel para o incentivo de novos incrementos econômicos para que as demandas sociais não lhes sejam unicamente imputadas, como acontece há décadas.

O que inclui fomentar o desenvolvimento da cadeia de fornecedores, tal como fez no início do mês, com o relançamento do programa Garimpando Oportunidades, que possibilita a nacionalização e regionalização de sobressalentes consumidos pela empresa e comprados fora da região. E capacitar as indústrias de pequeno e médio porte da região já é uma das ações estratégicas para esse fim.


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