15/05/2017 15:05:00

Início promissor



Divulgação

O melhor jogo na rodada de abertura do Campeonato Brasileiro foi, a meu juízo, o empate de 1 x 1 entre Flamengo e Atlético, que levou cerca de 50 mil pessoas ao Maracanã, fazendo lembrar, em alguns momentos da segunda etapa, os grandes jogos da década de 80 entre os dois, hoje pertencentes à lista dos favoritos ao título.

O rubro-negro fez 1 x 0 com um gol “espírita” no primeiro tempo, enquanto o Atlético, mesmo com mais posse de bola, não deu sequer um chute ao gol defendido por Muralha. Na segunda etapa tudo mudou, a partir da entrada de Cazares em lugar de Otero, e o Galo só não ganhou o jogo porque o zagueiro Rafael Vaz — sim, ele mesmo, marcado pela torcida rubro-negra — salvou dois gols certos, ambos em chutes de Cazares, e com Muralha batido.

Embora o técnico Roger Machado e alguns jogadores tenham considerado este empate um “bom resultado”, fica desde já um aviso: se quer mesmo disputar o título e tirar o Galo da fila, que já dura 46 anos sem ganhar a maior competição nacional, o Atlético não pode se comportar de maneira tão irregular como no sábado, ruim demais da conta no primeiro tempo, bom demais no segundo.

Jogo tenso e muito ruim na estreia de Cruzeiro e São Paulo, no Mineirão, que terminou com a vitória celeste por 1 a 0, gol de Ábila, numa bobeira do zagueiro Maicon, em lance muito parecido com o de Ronaldinho Gaúcho e Marcos Rocha, enganando o então goleiro e hoje técnico do tricolor, Rogério Ceni, na Libertadores de 2013.

Uma das poucas coisas boas ditas por Vanderlei Luxemburgo, ao longo da carreira, foi a frase “o medo de perder tira a vontade de ganhar”, que pode muito bem ser aplicada a este jogo truncado, de muitas faltas e muita marcação, pois ambos precisavam mais da vitória do que de almoçar e jantar, a fim de aliviar a pressão e ter sossego para trabalhar, por conta dos vários resultados negativos acumulados.

No início do segundo tempo o Cruzeiro melhorou um pouco, fez o gol e deu espaço para o São Paulo, que teve mais posse de bola, mas não a competência necessária para concluir ao gol de Fábio, que teve uma volta tranquila à titularidade, ajudado pela excelente atuação do zagueiro Dedé, o melhor em campo e agora também titular absoluto.

O técnico Mano Menezes parecia aliviado na entrevista coletiva, pois, como ele mesmo disse, “independente da atuação, o mais importante era a vitória”, já que agora terá mais tranquilidade para trabalhar e tentar recolocar o time no caminho das vitórias.

• Desde o jogo em que reapareceu contra o Democrata/GV pelo estadual, venho dizendo na Vanguarda e aqui na coluna que o goleiro Fábio deveria ser o titular, por sua história no Cruzeiro, apesar de Rafael atravessar uma boa fase.

Se a volta à titularidade estava combinada para quando iniciasse o Brasileiro, como revelou o técnico Mano Menezes, porque escondê-la da torcida por tanto tempo, causando muitas ondas e mi-mi-mis desnecessários? Também não precisava o goleiro destilar mágoas contra isso e aquilo, até porque pelo seu tempo de janela, já deveria saber como as coisas funcionam no futebol.

• O balanço da largada para o Brasileirão 2017 foi positivo dentro de campo, com muitos gols, 28 em nove jogos, mais de três gols por partida, 17.600 torcedores pagantes em média por jogo, sem contar o confronto realizado ontem à noite entre Coritiba x Atlético (GO), na capital paranaense. Embora não tenha sido o melhor jogo, merecem destaque os 4 x 0 do atual campeão, Palmeiras, sobre o Vasco da Gama, na reestreia do técnico Cuca, colocando o verdão na condição de maior favorito ao título.

• Por outro lado, as arbitragens novamente foram desastrosas, pois é fato que enquanto a CBF não implantar de vez a vídeo-arbitragem, vamos conviver com os erros dos assopradores de apito dentro de campo. Houve um pênalti inexistente a favor do Fluminense e outro inventado a favor do Palmeiras, mas deixaram de marcar um clamoroso para o pequeno Avaí, de Santa Catarina. E não foi só isso: validaram um gol feito com a mão pelo gremista Luan, o segundo na vitória de 2 x 0 contra o Botafogo.

• Hoje o Atlético volta a campo pela Libertadores, contra o argentino Godoy Cruz, ambos já classificados e disputando o primeiro lugar do grupo, que garante vantagem na próxima fase. O jogo será no Independência e o Galo é favorito. Não pode bobear e nem se deixar levar pela catimba natural dos argentinos.

A frase “Isso é Libertadores” — infelizmente — é usada como se fosse uma explicação ou, pior ainda, uma justificativa para que quaisquer partidas da competição exibam cenas de guerra e selvageria, que extrapolam todos os limites de um confronto esportivo, seja de futebol ou até de modalidades de lutas. Pior é que existe gente do campo do futebol, da torcida e da mídia, que a entende assim. (Fecha o pano!)


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