17/05/2017 21:31:00

Dono da JBS gravou Temer autorizando compra de silêncio de Cunha, diz jornal

A denúncia foi feita nesta quarta-feira (17) ao ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal



Fabio Rodrigues/Agência Brasil


Presidente Michel Temer e ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha


Sem tempo parar esfriar os ânimos com escândalos, Brasília vive mais um dia de efervescêcia. O motivo é uma recente revelação do jonal O Globo, segundo o qual, na noite de 7 de março, com um gravador no bolso, Joesley Batista, executivo do maior grupo processador de carne do mundo (JBS), chegou ao Palácio do Jaburu, onde o presidente o aguardava.

O jornalista Lauro Jardim afirma que os donos da JBS, Joesley Batista e seu irmão Wesley Batista, gravaram uma conversa em que o presidente Michel Temer supostamente dá aval para a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Operação Lava Jato. [imagemd10331]

A denúncia foi feita nesta quarta-feira (17) ao ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.

Joesley e Wesley, segundo o jornal, firmaram acordo de delação premiada com a Operação Lava Jato. A colaboração também inclui outros executivos da empresa, a maior produtora de carne do mundo.

Na gravação, feita em março, Temer teria indicado a Joesley o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto da J&F (holding que controla a JBS). Em nova gravação entregue aos procurados, o parlamentar foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil que teria sido enviado por Joesley.

Cunha já temia delações da JBS

“Se a JBS delatar, será o fim da República”, disse Eduardo Cunha , ex-presidente da Câmara, em conversa com interlocutores na prisão da Lava Jato, nos arredores de Curitiba, onde cumpre pena de 15 anos e quatro meses por corrupção e lavagem de dinheiro.

Na notícia publicada nesta quarta-feira, o jornal Globo afirma que a JBS pagou R$ 5 milhões pelo silêncio de Cunha – para que ele não faça delação premiada.

Temer teria incentivado o empresário a continuar pagando mesada milionária ao ex-presidente da Câmara – em troca do silêncio de Eduardo Cunha.

Cunha também comentou a interlocutores que as delações da empreiteira Odebrecht seriam ‘pequenas causas’ se comparadas ao teor das revelações dos controladores do Grupo JBS.

Aécio pediu R$ 2 milhões, diz Joesley

Entre os políticos citados na delação o empresário Joesley Batista entregou à Procuradoria-Geral da República uma gravação na qual o presidente do PSDB, Aécio Neves, pede R$ 2 milhões ao empresário, sob a justificativa de que precisava da quantia para pagar despesas com sua defesa na Operação Lava Jato.

Segundo o jornal Globo, o diálogo gravado durou cerca de 30 minutos. Aécio e Joesley teriam se encontrado no dia 24 de março no Hotel Unique, em São Paulo.

De acordo com o jornal, o presidente do PSDB indicou um primo, Frederico Pacheco de Medeiros, para receber o dinheiro. ‘Fred’ foi diretor da Cemig, nomeado por Aécio, e um dos coordenadores da campanha do tucano a presidente em 2014.

O jornal afirma que o diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud, levou o dinheiro a Fred. Foram quatro entregas de R$ 500 mil cada uma.

Segundo o Ministério Público Federal, o dinheiro não foi repassado a nenhum advogado para defesa de Aécio na Lava Jato. As filmagens da PF mostram que, após receber o dinheiro, Fred repassou, ainda em São Paulo, as malas para Mendherson Souza Lima, secretário parlamentar do senador Zeze Perrella (PMDB-MG).

Mendherson levou de carro a propina para Belo Horizonte. Fez três viagens seguido pela Polícia Federal.
As investigações revelaram que o dinheiro não era para advogado algum. O assessor negociou para que os recursos fosse parar na Tapera Participações Empreendimentos Agropecuários, de Gustavo Perrella, filho de Zeze Perrella.


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Comentários

Gildázio Garcia Vitor

17 de Maio, 2017 | 22:04
Devemos reler o artigo da Marli Gonçalves: "E agora, brasileiros? Que é que a gente faz?, de 17/ 4/ 2017.
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