18/05/2017 09:05:00

Negada a prisão de Aécio Neves e irmã é presa em BH

Delação de empresários da JBS alimentos desencadeou efeito bomba nos bastidores da política nacional



O Supremo Tribunal Federal (STF) afastou do cargo o senador mineiro Aécio Neves, presidente nacional do PSDB e que aparece, segundo reportagem do jornal Globo, em gravação pedindo R$ 2 milhões a donos do frigorífico JBS, que negociam delação premiada.

Também foi afastado, a pedido da Procuradoria-Geral da República, o deputado Rocha Loures (PMDB-PR), um dos assessores mais próximos do presidente Michel Temer e que teria sido filmado recebendo uma mala de R$ 500 mil.

Há ainda um mandado de prisão preventiva contra Andrea Neves, irmã do senador, e contra o procurador da República Ângelo Goulart Vilela, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Fotos: Divulgação


Aécio Neves teve determinado o seu afastamento do cargo no Senado


A Procuradoria chegou a pedir a prisão de Aécio, mas o ministro Edson Fachin, na tarde desta quinta-feira, negou o pedido de prisão e também decidiu que não levará caso de Aécio ao plenário.

O plenário do Supremo só avaliará o caso se o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, autor do pedido, decidir recorrer da decisão do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato.

Residências de Aécio Neves em Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte estão sendo alvo de busca e apreensão na manhã desta quinta (18). Também são alvos da operação o senador Zezé Perrella (PMDB-MG), o deputado Rocha Loures (PMDB-PR) e Altair Alves, conhecido por ser braço direito do deputado Eduardo Cunha.

Policiais federais chegaram às 6h na casa de Aécio em Brasília, que fica no Lago Sul, uma das regiões mais nobres da cidade. O advogado de Aécio, José Eduardo Alckmin, está no local, mas ainda não há confirmação de que o senador esteja lá.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, telefonou para o presidente do senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), pouco antes das 6h para informá-lo de que era preciso fazer a operação. Acertaram que a polícia legislativa acompanharia os policiais federais. A PF também faz buscas no Congresso e na casa do coronel João Baptista Lima Filho, ligado a Temer.

Aécio e Rocha Loures foram citados pelo empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F, proprietário do frigorífico JBS. A informação foi dada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal "O Globo", e confirmada pela Folha.

Joesley e seu irmão Wesley foram ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin para selar um acordo de delação premiada na quarta-feira (10). O caso estourou uma semana depois, quando um jornalista do jornal Globo publicou o conteúdo das gravações das conversas, feitas pelos irmãos, empresários donos da JBS, a maior empresa do ramo frigorífico e de alimentos do Brasil atualmente.

A delação aponta que Temer destacou o deputado federal para intermediar interesses do grupo empresarial no Cade, órgão de defesa da concorrência. Desde 2011, ele trabalha com o presidente, quando Temer foi eleito vice na chapa de Dilma Rousseff. Rocha Loures, na época, era chefe de Relações Institucionais da Vice-Presidência. Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley.

Aécio Neves também foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley para pagar sua defesa na Lava Jato.A quantia foi entregue posteriormente a um primo do tucano, em ação filmada pela PF. A delação da JBS também menciona o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega como contato da companhia com o PT.

A JBS esteve na mira de investigações da Polícia Federal em diferentes frentes desde 2016. Na sexta-feira (12), a PF deflagrou operação sobre supostas irregularidades na concessão de empréstimos do BNDES. O juiz responsável, Ricardo Leite, de Brasília, negou um pedido de prisão contra os donos da empresa.

Prisão de Andrea Neves

PF prendeu Andrea Neves, em Belo Horizonte


A irmã do senador e presidente nacional do PSDB Aécio Neves (MG) foi presa pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (18/5). A corporação informou que, por volta das 8h30, cumpriu um mandado de prisão contra Andrea Neves, localizada em um endereço na região metropolitana de Belo Horizonte.

No Rio de Janeiro, um chaveiro foi acionado para os agentes cumprirem o mandado de busca e apreensão no apartamento dela em Copacabana, na zona sul.

A PF e o Ministério Público Federal (MPF) fazem operação no âmbito da Lava Jato, em Brasília, Belo Horizonte e na capital fluminense. O alvo é o senador, Andrea; e Altair Alves, considerado braço direito do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB).

A ação tem autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou os afastamentos do tucano do mandato de senador e de Rocha Loures (PMDB-PR) do de deputado federal.

A operação ocorre um dia depois de a delação de Joesley Batista, dono do frigorífico JBS, revelar que o tucano teria pedido R$ 2 milhões para pagar sua defesa na Lava Jato.


Reação dos Leitores





Comentários

Gildázio Garcia Vitor

19 de Maio, 2017 | 11:32
Hoje fui "informado" que os suplentes do Aé sim são Elmiro Nascimento, de Patos de Minas, e Tilden Santiago (ex-PT). Alexandre Silveira e Lael Varela são do Senador Antonio Anastasia. Desculpem nossas falhas.

Gildázio Garcia Vitor

18 de Maio, 2017 | 15:32
Um pequeno adendo ao comentário anterior: o ex-deputado Lael Varela, apesar de todos os defeitos políticos, criou e mantém (com o meu, o seu, o nosso dinheiro) a Fundação Cristiano Varela, em Muriaé, que realiza tratamentos oncológicos, atendendo com qualidade a população dos municípios da Zona da Mata e, provavelmente, do norte fluminense.

Gildázio Garcia Vitor

18 de Maio, 2017 | 10:47
E os suplentes do Aé sim são os ex-deputados Alexandre Silveira e Lael Varela. E aí, alguém não os conhece? Continuaremos muito "bem representados". Haja tarja afrodescendente para suportar tudo isso. Se pudesse iria embora para Pasárgada, ou para Marte.
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