18/05/2017 10:03:00

Delegação Antes da Sucessão

Reinaldo Moura



Divulgação

Aos que me perguntam onde encontrei tempo para escrever 22 livros na carreira, respondo ter me ocupado durante as crises de 1981 a 1983, 1990 e 1991, 2001 e 2002, 2009 etc e etc, ou seja, é nos vales que se prepara o fôlego para superar os picos da economia. 

Há três anos, soltei o balde num processo de delegação, já pensando em um processo de sucessão - Sucessão Empresarial -, que é entendida como o rito de transferência do poder e do capital entre a atual geração dirigente e a que virá dirigir, situação pela qual todas as empresas que perdurem irão um dia passar.

Isso é uma discussão que todos evitam, mas que precisa, em um momento ou outro, ser enfrentada. No começo você vai soltando o sarilho aos poucos, mas num dado momento o peso do balde ganha rumo e velocidade até encontrar a água, quando então você vira o balde e enche-o com água até a boca. 

Você vai puxando devagar, sem movimentos bruscos, para não perder a água, e evitar que esbarre na parede do poço. Não adianta ter pressa, pois o balde baterá nas laterais do poço e contaminará a água ou enroscará, fazendo a corda romper-se. Ou seja, por mais simples que seja o processo, qualquer erro pode ser fatal. Mas temos que lembrar que, teoricamente, a sucessão empresarial divide-se em dois grupos: sucessão corporativa e sucessão em empresa familiar.

Seja adotando um profissional ou um herdeiro de família, além das turbulências de mercado, crises econômicas, processos de reestruturação e reorganização, as empresas também devem voltar a sua energia e de seus gestores para a questão sucessória, já que esta pode se tornar um elemento facilitador ou dificultador para o processo de inovação, que é cada vez mais crucial para o sucesso empresarial.

Da mesma forma, o processo que antecede a sucessão, que é a delegação, é extremamente delicado. É um processo lento o de passar o bastão, porque se o bastão cair, todos perdem. Requer persistência, para que a pessoa assuma e possa até melhorar o processo, e não pura e simplesmente aceitá-lo pelo método GA — "Goela Abaixo". 

O mais importante componente do processo de delegação é o retorno contínuo. O acompanhamento, o estar junto para que num primeiro momento tudo não pareça uma tarefa demasiada para quem está assumindo. 

Delegação não é abdicar, jogar por cima do muro, tipo "toma que o filho é seu". Mas é um processo conjunto, quase que de cumplicidade, incluindo o fato de que quem receberá as funções da delegação poderá não estar de acordo em aceitá-la, devendo honestamente falar com seu superior imediato, com a esperança de que essa negativa não crie embaraços, principalmente, nestes tempos atuais de crise. 

A delegação deve ser vista como um processo de aprendizagem rumo a uma sucessão. Aliás, quanto mais os processos de delegação são aceitos e executados, mais o sucessor ganha com louvor o seu posto na corporação, independente do estatuto da sociedade. Existirão os sucessores de fato, legais, heranças e os sucessores que ganharão os postos sem nenhuma imposição, ou seja, por naturalidade, e haverá aqueles que arduamente conquistarão os postos com esforço e trabalho, os líderes.
 
* Engenheiro e fundador do Grupo IMAM entidade dedicada ao treinamento, publicações e consultoria.


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