25 de janeiro, de 2023 | 07:00

Brasileiros se endividaram para sobreviver, defende economista

Álbum Pessoal
''É fundamental que as pessoas saibam que a culpa do endividamento não é delas'', enfatizou Gelton Pinto Coelho''É fundamental que as pessoas saibam que a culpa do endividamento não é delas'', enfatizou Gelton Pinto Coelho
(Stéphanie Lisboa - Repórter do Diário do Aço)
Contas, despesas e compromissos financeiros a perder de vista. O ano que passou foi, para uma parcela considerável da população brasileira, marcado pelas dívidas. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) anual, divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), revelaram um recorde na série histórica, iniciada em 2011: 77,9% das famílias estavam endividadas em 2022.

Para o economista Gelton Pinto Coelho, que atua no Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG), esse cenário tem explicação e a culpa está longe de ser da população. De acordo com ele, um dos fatores que justifica o endividamento de quase 80% dos brasileiros é o aumento da taxa de juros para tentar combater a inflação. “Um remédio dolorido e mal utilizado pelo governo que aumentou indevidamente os juros para combater uma inflação que tinha um perfil diferente, ou seja, não combateu a inflação e nem resolveu o problema das famílias”, detalhou.

O acúmulo de dívidas, segundo o economista, foi reflexo de um conjunto de fatores. “Com pouco dinheiro, às vezes sem emprego, e vivendo a tragédia que foi a pandemia, o último recurso era o uso do cheque especial ou do cartão de crédito”, ponderou Gelton.

Perfil
O levantamento realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo apontou ainda o perfil da pessoa endividada no país. O retrato descrito revela uma mulher, com menos de 35 anos e Ensino Médio incompleto, moradora das regiões Sul ou Sudeste, cuja família recebe até dez salários mínimos. Na análise de Gelton, o perfil apresentado na pesquisa mostra uma desigualdade que se amplia em determinados segmentos da população.

“No caso das mulheres isso ainda é mais forte. Porque grande parte delas é que cuida da família, muitas inclusive criam os filhos sozinhas e algumas ainda tem a reponsabilidade de cuidar de pais e avós. Esse endividamento ocorre de forma também desigual, reforçando ainda mais essa desigualdade da economia”, avaliou.

Luta por sobrevivência
O economista defende que foi em meio a toda dificuldade econômica, caos financeiro e na tentativa de sobreviver que muitos dos brasileiros acumularam dívidas. “Na luta por sobrevivência muita gente se endividou”.

Gelton acredita que seja fundamental que as pessoas saibam que a culpa do endividamento não é delas. “Porque muitas pessoas que estão endividadas estão depressivas, estão tristes e, muitas vezes, sem entender o motivo do endividamento. Não é culpa pessoal. 80% está endividado não é porque os 80% erraram. Isso quer dizer que essas pessoas, por situações que a vida apresentou a elas, tiveram que se endividar para sobreviver”, declarou.

Comprando o básico, seja para se alimentar, vestir ou medicar, lembrou o economista. “Não é razoável propor num período inflacionário, como tivemos, que 80% dos brasileiros gastaram mal. As pessoas se endividaram para comer e comprar remédios”, concluiu.
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Comentários

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Leão

25 de janeiro, 2023 | 07:51

“O ano que passou foi de reaquecimento da economia com REDUÇÃO da inflação, basta ver os números.

ESte site sempre postava matérias sobre o governo federal, fiquei decepcionado não encontrar nenhuma matéria falando sobre o Brasil voltar a financiar obras em países vizinhos (e caloteiros) com o NOSSO dinheiro.

Se preparem porque daqui pra frente é ladeira a baixo com esse bando que foi colocado lá.”

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