29 de julho, de 2022 | 15:00

O Brasil está cada vez mais depressivo

Sarina Occhipinti*

Um boletim recente, divulgado pela Pesquisa Vigitel 2021, identificou um preocupante aumento no número de casos de depressão, no Brasil. Conforme os dados, 11,3% dos brasileiros receberam um diagnóstico médico da doença.
Na comparação por gênero, a frequência foi maior entre as mulheres, as quais 14,7% das brasileiras adoeceram, enquanto os homens os homens 7,3%. Somados os grupos, mais de 30 milhões de pessoas sofrem da doença no país.

Essas estatísticas, segundo a Organização Mundial de Saúde, colocam o Brasil na ponta do ranking de países com mais pessoas depressivas no mundo. Como dados não mentem, podemos interpretar este cenário como crítico para os brasileiros, uma vez que a depressão é uma doença severa e de tratamento a longo prazo.

Clinicamente, nós médicos classificamos a depressão como um transtorno psíquico causada pela complexa interação entre fatores biológicos, psicológicos e ambientais, podendo ser também secundária a uso de alguns medicamentos ou transtorno de dependência química. Ela tem cura, mas para tratarmos, precisamos de um trabalho muito além do medicamentoso.

Outro dado preocupante, também apresentado pela OMS, é que nas Américas, sete em cada dez pessoas com esse tipo de transtorno não recebem o tratamento necessário. Nesta margem tão grande, uma dúvida recorrente tanto para a comunidade médica quanto para as pacientes é quanto ao tratamento adequado para a depressão. Há muitos debates envolvendo o uso de antidepressivos e acompanhamento psicoterapêutico, mas o consenso é de que quem sofre de depressão jamais pode ficar distante dos olhos dos especialistas.

“Há muitos debates envolvendo o uso de
antidepressivos e acompanhamento psicoterapêutico,
mas o consenso é de que quem sofre de depressão
jamais pode ficar distante dos olhos dos especialistas”


Baseado nesta análise, lhes digo que a procura por tratamentos para depressão muitas vezes é dificultada pela negação da doença, pela crença de que os sintomas são normais e passageiros, pela falta de apoio de amigos e familiares e pelo medo do preconceito e dos estigmas associados a esse transtorno.

Além disso, outras doenças devem ser investigadas antes de se indicar o uso de antidepressivos. Alterações hormonais por exemplo, podem confundir o médico na hora do diagnóstico correto.

A queda dos níveis de alguns hormônios em mulheres e homens, que estão envelhecendo, pode causar angústia, falta de motivação, humor diminuído, desprazer pela vida, sintomas típicos de depressão. Mulheres na menopausa apresentam melhora desses sintomas com terapia de reposição hormonal adequada e homens que apresentam baixos níveis de produção de testosterona, recuperam seu humor e energia com o uso do hormônio.

Outra alteração endócrina que pode simular sintomas depressivos é o hipotireoidismo, que pode ocorrer a qualquer idade e que na maioria das vezes é corrigido de forma simples, com a indicação do hormônio tireoidiano.

Enfim, antes mesmo do tratamento, a avaliação clínica e a investigação exaustiva das causas é de suma importância para que o paciente possa receber os cuidados devidos.

Como eu sempre digo, sentir-se mal, nunca é normal, procure ajuda.

*Médica com especialidade em Clínica Médica, pós-graduada em Endocrinologia, com curso de Endocrinologia Avançada pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos.

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Comentários

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Tião Aranha

29 de julho, 2022 | 15:46

“O médico tem que fazer muitos exames no paciente antes de prescrever um medicamento. Tanto o hipo quanto o hipertireoidismo afetam seriamente o metabolismo celular.”

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