12/03/2013 - 00h05
DHPP assume investigação da morte de Rodrigo Neto
Um delegado e três investigadores, vindos de Belo Horizonte, fizeram diligências domingo e ouviram pessoas do círculo de relacionamento do repórter


Arquivo DA
Rodrigo Neto
Equipe da DHPP investiga motivação do assassinato de Rodrigo Neto

DA REDAÇÃO – O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil, em Belo Horizonte, assumiu de forma definitiva as investigações sobre o assassinato do radialista Rodrigo Neto de Faria, 38 anos, executado com três tiros na madrugada de sexta-feira (8). Agentes da capital mineira foram deslocados para Ipatinga, onde passarão ao menos 15 dias para investigar o caso.

O repórter que fazia participações ao vivo no programa Plantão Policial, da Rádio Vanguarda, e que retornava à imprensa escrita depois de passar por jornais, entre eles o DIÁRIO DO AÇO, já tinha ido à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais para denunciar o envolvimento de policiais em crimes conhecidos na região, como as chacinas de Belo Oriente e de Revés do Belém, as execuções do “Justiceiro da Moto Verde”, entre outros casos graves.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, deputado Durval Ângelo (PT), disse no domingo que repassou ao chefe da Polícia Civil, delegado Cylton da Matta, denúncia de que um carro da PM rondava a área onde o jornalista mineiro foi morto no momento do crime. A suspeita, segundo o parlamentar, é que seus ocupantes estariam ali para dar cobertura aos matadores.

Um delegado e três investigadores, vindos de Belo Horizonte, fizeram diligências durante todo o domingo e ouviram pessoas do círculo de relacionamento do repórter. O resultado das conversas é mantido em sigilo.

“A investigação está a cargo da Polícia Civil, mas as denúncias anônimas recebidas no telefone 181 também são informadas à Polícia Militar. Hoje, este caso é uma prioridade”, disse o interino da Delegacia de Crimes Contra a Vida em Ipatinga, Ricardo Cesari.

O delegado já havia informado à imprensa, na sexta-feira, que nenhuma hipótese sobre o crime foi descartada, mas a principal linha é a de que a execução tenha relação com a atividade profissional de Rodrigo Neto. A Polícia Civil já tem alguns suspeitos, mas evita revelar detalhes com a justificação de não atrapalhar as investigações.

Mobilização
Após o sepultamento do repórter, no sábado, vários colegas de profissão iniciaram uma mobilização para pedir justiça e rapidez no esclarecimento do crime. Para as 14h desta terça-feira está programada uma reunião entre jornalistas, para unificar forças em torno da mobilização. 

Entenda
Na quinta-feira (7), Rodrigo Neto saiu do trabalho por volta das 21h e foi a um churrasquinho que costumava frequentar na avenida Selim José de Sales, no bairro Canaã. Testemunhas contaram à polícia que, depois da meia-noite, quando o jornalista entrava no carro para ir embora, dois homens em uma moto passaram pelo local, pararam perto do carro e dispararam contra o repórter. Como não houve anúncio de assalto e os bens - como notebook, máquina fotográfica, celular e carteira - foram deixados no local, a polícia descarta latrocínio ou uma suposta reação dele diante dos assaltantes.

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