Moradores do setor 7 em Timóteo contestam possível construção de pista de ''grau'' no bairro Alphaville

07/04/2026 às 18:02
Matheus Valadares
Moradores rechaçam prática do Wheeling na região onde vivem e aguardam audiência pública sobre o tema
Por Matheus Valadares
Moradores dos bairros que compõem o setor 7 em Timóteo voltaram a se manifestar contra a possível construção de uma pista para a prática de “wheeling”, que consiste em manobras em motocicletas, incluindo o “grau”. Durante a tarde desta terça-feira (7), os populares se concentraram próximo ao trevo que liga os bairros Recanto Verde e Limoeiro.

A mobilização tem se intensificado nos dias que antecedem a audiência pública que debaterá o tema, marcada para esta quinta-feira (9), a partir das 19h, na quadra coberta do bairro Alphaville, situada na rua Vinicius de Moraes, em frente ao número 317. O requerimento para a reunião foi apresentado pelo vereador Adriano Alvarenga (PRD) em 19 de março. A polêmica surgiu de uma lei de autoria do vereador Reygler Max (PRD), e ele que pretende instalar o equipamento para atender os praticantes deste esporte radical.

De acordo com Élis Cabral, representante do bairro Alphaville, e um dos líderes do movimento contra a construção da “pista de grau”, é necessário que o Poder Público dê prioridade a outras demandas urgentes da regional.

“Essa verba que está para ser destinada à pista de grau poderia ser aplicada em melhor asfalto, em mais creches, em reformas em escola, em limpeza de ruas. Nós não somos contra a pista de ‘grau’, nós somos contra a pista aqui no setor 7, e temos muitas outras prioridades além da pista de grau”, afirmou em entrevista ao Diário do Aço.

“A pista de grau pode ocasionar acidentes. Vai ser tudo mais difícil. E esse tumulto, fim de semana, vem pessoas de outros lugares, no perfil do Instagram do vereador tem pessoas do Bom Jardim (Ipatinga) comentando que vão usar essa pista de grau aqui. Esse setor 7, nós precisamos melhorar o acesso, já sofremos com as ruas e avenidas daqui, imagina no dia de evento deles, o inferno que vai ser esse setor. Caso haja algum tipo de acidente, esse deslocamento até a UPA ou hospital será demorado”, completou.

Ele ainda acrescentou que só enxerga reflexos negativos com implementação da pista de manobras, como por exemplo, risco à segurança pública e barulho excessivo.
Matheus Valadares
Élis Cabral elencou os motivos dos moradores do setor serem contra a pista de ?grau?

“Eles vão ter a pista de grau, mas ao transitar até lá irão fazer a balbúrdia aqui no bairro, é comum eles passarem em canteiros. No bairro Alphaville, eles irão entrar dentro do bairro, e ninguém garante que vão fazer manobras apenas na pista”, continuou.

Por fim, Élis convidou os munícipes de Timóteo, sobretudo aqueles que moram nos bairros do setor 7, para participarem da audiência pública de quinta-feira, que deve contar com a presença de parlamentares e membros do Executivo.

“Wheeling” como esporte


Ainda em 2021, a Câmara Municipal de Timóteo aprovou um projeto de autoria do vereador Reygler Max, que autoriza a prática do “wheeling”, também conhecido como “grau”, desde que feita em espaços delimitados e devidamente licenciados.

A norma prevê a criação de espaços adequados para o esporte. Na justificativa do projeto aprovado em 2021, o autor defendeu a regulamentação do “wheeling” como forma de incentivar a prática segura e valorizar a cultura e o lazer entre jovens, além de reduzir riscos associados as manobras em vias públicas.

Por meio de seu perfil no Instagram, Reygler postou um vídeo no dia 2 de abril, e afirmou que a pista não seria construída próximo às residências.

“Essa pista não vai ser dentro do bairro, justamente pensando em não incomodar ninguém, numa área extremamente isolada. O nosso mandato é comprometido com o esporte na nossa cidade, lógico que respeitando o Código Brasileiro de Trânsito. Contrário a isso, ele se torna crime. Uma corrida de Fórmula 1 é um esporte. Um racha na via pública se torna um crime. Uma luta de MMA no ringue é um esporte. Uma briga de rua se torna crime. Então, o crime não se discute. O que hoje acontece na rua de forma irregular passa a acontecer no seu devido lugar. Isso não incentiva o erro. Isso corrige o problema”, apontou.

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