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13 de agosto, de 2016 | 17:00

Presos da AAPEC têm prisão prorrogada

Advogado/contador é nomeado como administrador judicial provisório

Wellington Fred + álbum pessoal
Além dos cabeças da entidade em Ipatinga, foram presas mais cinco pessoasAlém dos cabeças da entidade em Ipatinga, foram presas mais cinco pessoas
As oito pessoas presas na Operação Carcinoma, desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), para desarticular uma quadrilha que desviava recursos das doações para a Associação de Apoio à Pessoa com Câncer (AAPEC) vão permanecer presas pelos próximos dias, com a prorrogação da prisão temporária delas.

Também foi nomeado um administrador judicial provisório. Um advogado, que também e contador, terá o desafio de manter a entidade funcionando para prestar ajuda aos pacientes com câncer. Além de recursos arrecadados com doações voluntárias da população, a entidade recebia recursos com débito autorizado em contas mensais de doadores.

Encarcerados

O Diário do Aço apurou, neste sábado, que o prazo da prisão temporária dos investigados terminava na sexta-feira, mas o Gaeco pediu e a Justiça acatou a prorrogação da temporária por mais cinco dias.

No início da noite de sexta feira policiais lotados no Gaeco entregaram os mandados de prisão nas unidades prisionais onde estão os investigados.
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Além de carros de luxo foram aprendidas motocicletas esportivas, como essa Kawasaki/Ninja ZX14R, hobby de Eduardo SilvaAlém de carros de luxo foram aprendidas motocicletas esportivas, como essa Kawasaki/Ninja ZX14R, hobby de Eduardo Silva


O prazo será importante, conforme uma fonte ouvida no Gaeco, porque desde o começo das investigações muitas pessoas estão colaborando com o repasse de informações importantes para o andamento do inquérito.

A reclusão dos envolvidos tem como objetivo assegurar que não haja nenhum tipo de coação a quem possa contribuir com as investigações.

No dia da operação foram presos, a presidente da AAPEC, Zilma Ferreira da Silva, 58 anos, o filho dela, Eduardo Silva de Souza, 33 anos, que de fato dirigia a entidade e a mulher dele, Dafny Sá Domingos, 28 anos, que também era administradora e estava à frente de empresas que supostamente foram montadas para lavar o dinheiro desviado da associação.

Além dos líderes, são investigados pelo Gaeco, por suspeita de envolvimento na má gestão da AAPEC, em Ipatinga, Maria Cecília Lima Oliveira, Ritchelly Sá Domingos. Em Coronel Fabriciano, Flávia Magalhães Fernandes, em Santana do Paraíso, Adnaldo Cardoso Gomes e, em Viçosa, Aline Moreira Lourenço, que era a gerente da associação naquela cidade.

Entenda o caso

A Operação Carcinoma, desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), composto pelas Polícias Civil, Militar e Ministério Público Estadual, desarticulou na terça-feira (9) um esquema criminoso para desvio de dinheiro da que funcionava em Ipatinga e mais cinco cidades mineiras. Ao fim, os investigados podem responder por crimes como estelionato, apropriação indébita e formação e quadrilha, entre outros.

Um grupo de 72 policiais civis e militares cumpriu oito mandados de prisão temporária e 22 mandados de busca e apreensão, apreenderam R$ 38 mil, carros de luxo e motocicletas esportivas. O trabalho contou, inclusive, com o trabalho de peritos contábeis do Instituto de Criminalística da PC em Belo Horizonte. A operação atingiu unidades da associação, além de Ipatinga, em Governador Valadares, Coronel Fabriciano, Santana do Paraíso, Belo Horizonte e Viçosa, esta última a cidade onde a entidade está localizada como sede, e não Ipatinga, como se acreditava.

Não deve parar

Apesar do escândalo, o trabalho da AAPEC não deve parar. O promotor de Justiça, Bruno Schiavo, que acompanhou a operação, informou que foi nomeado um interventor judicial para assumir o comando da entidade. "A intenção é que a entidade continue a prestar o seu serviço, agora, exclusivamente às pessoas com câncer, que é a sua finalidade", concluiu. O número de pessoas atendidas, valores exatos da arrecadação, ainda estão em levantamento, explicou o promotor.
Jornal Folha da Mata
Na sede da AAPEC em Viçosa foram apreendidos documentos e HDs de computadores Na sede da AAPEC em Viçosa foram apreendidos documentos e HDs de computadores


Convênios

A principal fonte de arrecadação de dinheiro da AAPEC eram doações solicitadas pela equipe de telemarketing da associação. Tanto, que os R$ 38 mil apreendidos ontem foram recolhidos com motoboys que chegavam com o resultado da coleta junto aos doadores.

Entre os anos de 2014 e 2015 a AAPEC era irrigada também com dinheiro público. Nestes anos vigorou um convênio com a Prefeitura de Ipatinga, no valor de R$ 107 mil anuais. Este ano, em função das dificuldades financeiras, o convênio não foi renovado.

"Nos dois anos em que vigorou o convênio, toda a prestação de contas está em dia. A prefeitura vai acompanhar o processo, face às denúncias apresentadas pelo Gaeco. Vamos encaminhar toda a documentação referente aos convênios e prestar todas as informações necessárias à investigação", informou a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Ipatinga.

Sensibilidade

O comandante da 12ª Região da Polícia Militar, tenente-coronel Edvanio Carneiro, enfatizou o resultado da união de forças entre as polícias Militar, Civil e Ministério Público, para combater o crime organizado. O comandante também afirmou que as pessoas que contribuíram com a entidade não devem se sentir culpadas.

"A finalidade da entidade era ajudar as pessoas e famílias de pacientes com câncer. Isso toca a todos nós. O crime, o erro foi das pessoas que se apossaram dessa entidade para desviar os seus recursos em benefício próprio. Muitas entidades prestam serviços de forma séria a quem realmente precisa", enfatizou.
Jornal Folha da Mata
Com a gerente da AAPEC em Viçosa foi apreendido esse CorollaCom a gerente da AAPEC em Viçosa foi apreendido esse Corolla


Desvio

Conforme as investigações do Gaeco, a receita da associação aumentava progressivamente, mas, o número de pessoas atendidas só diminuía. A entidade assistencial não pode ter lucro, não pode ter dinheiro em caixa. Foi então que os dirigentes decidiram, conforme a investigação, montar um esquema para desviar o dinheiro. Acredita-se que o esquema "sangrava" cerca de 60% do dinheiro arrecadado, por meio de empresas que eles mesmos montaram para prestar serviços.

Uma das empresas era a Global Telemarketing, da qual Dafny Sá Domingos se apresenta como proprietária, em sua página no Facebook. A Global funcionava dentro da sede da AAPEC, na rua Machado de Assis. Também foi criada a Clínica Odontológica Oralis na avenida Selim José de Sales, no bairro Canaã, igualmente alvo da operação de busca e apreensão ontem. Em uma nova fase da operação, a partir desta terça-feira, o Gaeco investiga 17 empresas associadas ou que se relacionavam com prestação de serviços e fornecimento para a entidade.

O delegado Gilmaro Alves, que atuou nas investigações explicou que o estatuto da associação, estabelece que nenhum familiar dos dirigentes poderia assumir cargo na entidade. Entretanto, os levantamentos indicam que a presidente Zilma Ferreira, embora assinasse pela entidade, tinha o filho e a nora no comando de todas as ações. "Ela nem sequer morava em Ipatinga, estava em Belo Horizonte", observou o delegado.

As primeiras suspeitas de irregularidades foram levadas e denunciadas por ex-funcionários, que estranharam o número de assistidos, não condizente com o volume de dinheiro arrecadado.

Para o Gaeco, as investigações que duraram seis meses mostraram que o grupo criminoso montou o esquema com o intuito de enriquecimento ilícito, mediante apropriação de recursos públicos e de dinheiro arrecadado com doações.

"As doações do público, em vez de terem sido empregadas em favor de portadores de câncer, eram quase que por completo abocanhadas pela organização criminosa, inclusive, com esquema de lavagem de dinheiro, em um verdadeiro estelionato coletivo e crimes contra a economia popular", divulgou o Gaeco. O nome da operação, Carcinoma, tem a origem em um tumor maligno, com alta taxa de incidência.
Wellington Fred
Essa casa pertencia à AAPEC, mas dirigentes a usavam para morar e entidade funcionava em casa alugadaEssa casa pertencia à AAPEC, mas dirigentes a usavam para morar e entidade funcionava em casa alugada


Dinheiro desviado em entidade bancava ostentação

Além do enriquecimento e a vida de ostentação, com carros de luxo e motos esportivas, apropriados pelo casal administrador de fato da AAPEC, eles ainda residiam em um imóvel de propriedade da associação, na rua Aleijadinho, no bairro Cidade Nobre, enquanto a própria entidade dependia de um imóvel alugado para funcionar, na rua Machado de Assis.

Somente nessa casa foram apreendidos um Corolla, um Fusion e uma motocicleta Kawasaki/Ninja ZX14R.
As investigações do Gaeco apontam que o dinheiro da entidade era usado pelos diretores para arcar com as despesas com alimentação, construções, viagens, festas e academias, além de despesas pessoais dos investigados.
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Comentários

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Izalene Rodrigues Cabral

14 de abril, 2018 | 16:26

“Esses anos todos de existencia da aapc nao foi mostrado todo o trabalho feito,assim como tambem nao foi mostrado o desenrolar dessas denuncias...como esta a aapc hoje?? o que voces tem feito paraa aapec continuar??”

Evaldo de Oliveira

22 de agosto, 2016 | 14:45

“É um verdadeiro absurdo tudo o que vem ocorrendo em nosso país, a respeito da corrupção. Para todo o lado que você vira, tem um corrupto. Eu era um doador fiel dessa Associação , contribuindo com R$ 20,00 mensais, acreditando que o recurso seria utilizado na finalidade prevista ou seja : atender os "pobres" com câncer. É pena , pois em função dessa roubalheira desordenada , os "menos favorecidos" e que são prejudicados.
Episódio extremamente lamentável.........”

Eduardo Odone

16 de agosto, 2016 | 21:55

“Vixe isso tem no Brasil inteiro. Aqui em londrina no parana tem um monte de Ongs deste mesmo jeitinho. É um cancer que consome tb o Brasil!”

Tamires Siqueira

15 de agosto, 2016 | 15:10

“Espero que a justiça seja feita e que os culpados sejam punidos... Assim como espero que não fechem as portas da mesma, pois é graças a mesma que minha avó tem acesso a sua dieta nutricional e assim está conseguindo sobreviver a esse processo tão doloroso que é o tratamento dessa doença!! É uma pena que existe seres humanos que se aproveitam dessa situação tão triste para tirar um dinheiro que poderia estar ajudando muitas outras pessoas, assim como minha avó!! Gostaria que todas as pessoas que fazem doações para essas instituições conheça um pouco mais sobre as mesmas e não parem de doar por causa desse lamentável episódio e cobre mais das mesmas para que façam o que é proposto... Essa é a única forma de acabar com a corrupção desses setores!! Por favor, se mais alguém recebe ajuda, favor colocar aqui para que todos saibam o quanto ajudam!!”

Jhon

15 de agosto, 2016 | 00:02

“Tomara que a justiça mantenha esse povo preso; eles além de roubar a pessoas de boa fé corromperam a confiança necessária a aqueles que tocam com honestidade suas entidades. Os justos não podem pagar pelos pecadores.”

Evando Sousa

14 de agosto, 2016 | 17:44

“Essa corja de bandidos tive o desprazer de conhecer...era voluntários da LBV . E lá já deviam praticar estes atos, pois já estava no DNA deles a mentira, corrupção, traição e lavagem.”

Luiz Guilla.

14 de agosto, 2016 | 09:29

“É MEU AMIGO NÃO SE ILUDA ,,ONDE TÁ O DINDIM A GANANCIA E A CORRUPÇÃO ANDAM JUNTAS..
ESTE PESSOAL NÃO F.... NÃO FOI SÓ ESSA GENTE QUE DEPENDIA DA AAPEC NÃO....;ELES QUEIMARAM O FILME DE TODAS AS INSTITUIÇÕES QUE TRABALHAM COM ESSE PROPÓSITO.
E SERIA CÔMICO SE NÃO FOSSE TRÁGICO.... E TEM GENTE ME CRITICA QUANDO EU DOU UM REAL PRA UM MENDIGO TOMAR UMA CACHACINHA”

Luiz Guilla.

14 de agosto, 2016 | 09:06

“É MEU AMIGO NÃO SE ILUDA ,,ONDE TÁ O DINDIM A GANANCIA E A CORRUPÇÃO ANDAM JUNTAS..
ESTE PESSOAL NÃO F.... NÃO FOI SÓ ESSA GENTE QUE DEPENDIA DA AAPEC NÃO....;ELES QUEIMARAM O FILME DE TODAS AS INSTITUIÇÕES QUE TRABALHAM COM ESSE PROPÓSITO.
E SERIA CÔMICO SE NÃO FOSSE TRÁGICO.... E TEM GENTE ME CRITICA QUANDO EU DOU UM REAL PRA UM MENDIGO TOMAR UMA CACHACINHA”

Rosangela

14 de agosto, 2016 | 07:50

“Claro que muitas entidades em Governador Valadares e outros municípios prestam serviços relevantes a quem as procura. Mas é benéfico a todas elas esta sindicância, dando-lhes o aval de seriedade e honestidade. Não se pode negar por exemplo, que entidades lutando na pobreza e com o caixa sempre no vermelho , não estejam realmente vivendo sua missão cristã e exercendo sua cidadania no que se diz respeito á filantropia.Faz-se necessário é tirar de vez da sociedade, grupos que se espelham neste modelo de enriquecimento através do sofrimento alheio. Estou sempre presente nos trabalhos deste povo e posso dizer quanto sofrimento para arcar com compromissos , pois algumas não recebem um centavo do poder publico.Portanto em Governador Valadares tem credibilidade: O Lar dos Velhinhos, Casa Dona Zulmira, Santa Luzia, Casa da Esperança e Acolhevida que recentemente faz o mesmo trabalho da Casa da Esperança.Espero que possam manter suas portas abertas o que não está fácil, pois vejo de perto e acompanho as preocupações de seus dirigentes.”

Fernado Tavares

14 de agosto, 2016 | 07:40

“Lixos humanos, isso que eles são. E agora pessoas acometidas pela doença que não escolhe cor, raça, sexo, condição social, vão ter pagar por isso? lamentável, muito triste.”

Armando

14 de agosto, 2016 | 04:10

“Estas Associações e Ongs que arrecadam dinheiro deveriam ter uma prestação de contas publicas com numeros de assistidos e o tipo de serviço prestado, nao ia acabar as fraudes, mas ajudaria bem mais o controle.”

Zeca

13 de agosto, 2016 | 20:51

“se eu fosse delegado colocaria estas pessoas 2o minutos em praca publica para os cntribuintes da aapec fazer um carrinho neles”

Gildázio Garcia Vitor

13 de agosto, 2016 | 18:03

“O Ministério Público deveria investigar outras associações e ONGs que prestam assistências às pessoas para que possamos ter certeza da seriedade delas.”

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