21 de setembro, de 2016 | 13:36
A diferença está no olhar
Zenólia M. de Almeida
O Brasil teve a oportunidade de receber neste ano dois eventos esportivos de grande envergadura: as Olimpíadas e Paralimpíadas. Uma rápida análise revela diferenças significativas no olhar com o qual a sociedade os distinguiu: os orçamentos disponibilizados, o destaque na mídia nacional e internacional, o interesse do público em assistir aos eventos, a participação do público, em geral. Enfim, a importância conferida aos dois eventos não foi a mesma.O esporte é uma forma privilegiada de congregar pessoas, um meio pelo qual é possível alcançar a inclusão social. No caso dos portadores de deficiência ou necessidades especiais, representa uma oportunidade de superar as dificuldades e as limitações que sugerem, bem como a falta de oportunidades. Segundo dados do Censo Demográfico (IBGE, 2010), o Brasil tem 45,6 milhões de pessoas com deficiência, ou seja, 23,9% da população declararam ter pelo menos uma deficiência, seja visual, auditiva, motora ou mental. Essas pessoas não são incapazes, mas sofrem com o preconceito ou até mesmo com o descaso da sociedade.
A história registra que as competições esportivas têm sua origem nos Estados Unidos e na Inglaterra, provavelmente devido à existência de muitas pessoas que sofreram algum tipo de perda física ou trauma grave na Segunda Guerra Mundial. As primeiras competições aconteceram no ano de 1948, num hospital londrino, do qual participaram pessoas que se recuperavam de lesões na medula óssea.
Os jogos que aconteceram posteriormente tiveram a participação de atletas de outros locais. Mas, foi em Roma, no ano de 1960, que aconteceu a primeira edição dos Jogos Paralímpicos, com a participação de 400 atletas, de 23 diferentes países. Essa versão de esporte adaptado deixou de ser amadora e de reabilitação, para transformar-se em competições de alto nível. As principais categorias dos participantes estipuladas pelo Movimento Paraolímpico Internacional são: amputados, paralisados cerebrais, deficientes visuais, lesionados na medula espinhal, deficientes mentais e indivíduos com falta de mobilidade que não se encaixam nas categorias anteriormente citadas.
Os esportes que fazem parte do quadro de disputa paraolímpico são: Atletismo; Basquetebol em cadeira de rodas; Bocha; Ciclismo; Esgrima; Futebol de 5 e de 7; Goalball; Hipismo; Natação; Remo; Rugby de cadeira de rodas; Tênis de Mesa. Além dessas modalidades, também pertencem à competição o tênis em cadeira de rodas, o tiro com arco, o tiro esportivo, vela e o voleibol sentado.
A Paralimpíada é um evento que comprova que somos todos capazes, contribuindo para uma grande mudança no modo de pensar da sociedade: vem confirmar que a diferença está no olhar, não na pessoa. A dedicação e o envolvimento definem o lugar que ocupamos. A busca da perfeição é que nos leva além de nossos limites.
O Brasil estreou sua participação em 1976 e conquistou sua primeira medalha na Paralimpíada de 1980. Em 2016, o resultado da participação de atletas brasileiros foi, mais uma vez, surpreendente, superando (em muito) o das Olimpíadas. Esse fato nos leva a concordar com Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, quando afirma que a deficiência é apenas uma característica de alguém, e não a definidora”.
Encerro com as palavras do presidente do comitê organizador de Londres, Lord Coe, quando da realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Verão de 2012: Nós queremos mudar as atitudes do público em relação às necessidades, celebrar a excelência do esporte Paralímpico e consagrar desde o início que os dois eventos estão integrados como um todo”.
A diferença está no olhar.
Zenólia M. de Almeida. Socióloga, PhD em Gestão. Membro da Academia Valadarense de Letras.
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