24 de outubro, de 2016 | 17:51

Aposentadoria de servidores é tema de seminário

Durante o sábado, dois especialistas fizeram explanações sobre o Regime Próprio de Previdência Social

Wôlmer Ezequiel
Servidores encheram o auditório do sindicatoServidores encheram o auditório do sindicato
Com o auditório da sede do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Ipatinga (Sintserpi), cheio, a implantação do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) foi tema de um seminário no fim de semana. Atualmente, os servidores inativos recebem parte da aposentaria pelo INSS e a complementação do benefício é realizada pela Prefeitura de Ipatinga. Contudo, nunca foi criado um fundo para esta operação e hoje este sistema de complementação começa a entrar em crise.

Com queda no rendimento e o aumento de despesa com a folha de pagamento dos ativos e a complementação dos inativos, a Prefeitura de Ipatinga atinge quase o limite máximo de gastos com o funcionalismo, estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (que é de 49% da receita líquida corrente).

A presidente do Sintserpi, Marcione Menezes Andrade, informou que debate sobre RPPS é feito desde 2005, quando houve o alerta que “a forma de complementação feita pela Prefeitura iria onerar os cofres públicos. Há dois problemas: primeiro, o servidor inativo não recebe mais a complementação na data correta, nem com o valor correto; e o servidor ativo fica impedido de receber a recomposição de inflação, porque senão a folha de pagamento atinge o limite fiscal”.

Gastos

Dentre os funcionários públicos aposentados, cerca de 52% recebem o acréscimo de até R$1 mil, os demais possuem complementação maior que este valor. Segundo a presidente do sindicato, a PMI não faz a complementação total dos outros 48% servidores inativos, desde o fim de 2015. A dirigente avalia que o impacto social para estas pessoas é grande “uma vez que, a parte da prefeitura representa a metade do salário, para a grande maioria”.

Wôlmer Ezequiel
A presidente do Sitserpi, Marcione Menezes, pede aos servidores para se instruirem em relação às formas de previdênciaA presidente do Sitserpi, Marcione Menezes, pede aos servidores para se instruirem em relação às formas de previdência
Para Marcione, é necessário que os futuros aposentados recebam a complementação por outro meio, que não sejam os cofres públicos. “Se este modelo de previdência adotado pela prefeitura continuasse, não haveria nem como prestar serviços básicos para a comunidade. Para tentar resolver este problema, foi encaminhado à Câmara de Ipatinga o projeto de lei nº 47/2016 que prevê a criação de um instituto de previdência do município”, informa.

Contudo a presidente destaca que o projeto possui alguns pontos questionáveis. “O projeto possui algumas inconformidades com a legislação previdenciária, além disso, precisamos de ter instrumentos nesta lei que assegurem que não haja atrasos nos salários”, informa.

O seminário é uma etapa preparatória para a reunião que será realizada em conjunto com o Sintserpi, o Sindicato Único dos Trabalhadores da Educação (Sind-UTE) e assessoria da Casa Legislativa, para detalhar os pontos frágeis e apresentar propostas de mudanças, que serão sugeridas ao Executivo.

Especialistas

No seminário, os servidores puderam esclarecer dúvidas sobre o RPPS, com dois especialistas no assunto: Pedro Antônio Moreira, graduado em Administração de Empresas, Contabilidade e Ciências Atuariais e auditor da Receita Federal; e Thiago Costa Fernandes, graduado em Ciências Atuariais e diretor atuário do instituto de previdência do município de Itaguaí-RJ.

Wôlmer Ezequiel
O consultor, Thiago Costa, falou de experiências da implantação do RPPS em outros municípiosO consultor, Thiago Costa, falou de experiências da implantação do RPPS em outros municípios
Thiago alerta que, para implantar um RPPS é preciso “se basear no critério de equilíbrio financeiro e atuarial, ou seja, as contribuições revertidas atualmente tem que ser suficientes para pagar a todos os benefícios futuros. É preciso levantar todo o passivo que possui na previdência e, a partir daí, projetar uma forma de cálculo das contribuições e formação de reservas para o custeio”, explica.

Thiago acrescenta que o processo de um RPPS é diferente do que ocorre no regime geral, do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). O especialista destaca que no INSS são utilizadas as contribuições atuais para o pagamento dos já aposentados. “Nesta configuração, com aumento da expectativa de vida, as contribuições tornam-se insuficientes para custear toda a massa de aposentados e pensionistas. O RPPS acaba com o pacto intergeracional, ou seja, cada geração vai financiar o próprio benefício, por meio da reserva matemática”, informa.

Caso haja a criação do Instituto de Previdência do Município de Ipatinga (Ipaprev), os servidores terão a compensação previdenciária e não perderão as contribuições realizadas.

Para Thiago, a previdência social dos servidores do município deve ter duas discussões. A primeira, e também complexa, é relativa aos servidores inativos, já que muitas aposentadorias “foram concedidas de forma que não refletiam as normas legais. O outro ponto, que é a criação de um regime próprio, avaliar a progressão do tamanho dos pagamentos, estancar o problema e tentar prever o futuro” salienta.

Anomalia

O auditor da Receita Federal, Pedro Antônio, destaca que o panorama previdenciário em Ipatinga é peculiar. “Criaram uma anomalia jurídica, sem amparo legal. O compromisso do caixa do tesouro é sempre crescente, parecido com o que ocorre no INSS. Contudo, no INSS existe a União por trás, e ela mesma está preocupada em mudar fatores”, ressalta.

Wôlmer Ezequiel
Servidores assistiram palestra do auditor da Receita Federal, Pedro AntônioServidores assistiram palestra do auditor da Receita Federal, Pedro Antônio
Pedro Antônio, explica que os municípios não possuem a obrigação de implantação do RPPS, de acordo com o Artigo 40 da Constituição Federal. “A condição de implantar ou não o regime próprio fica à guarda do gestor público”, diz Pedro.

Prefeitura

Na tarde desta segunda-feira, a Prefeitura de Ipatinga informou, por meio de nota que, “em razão da queda de receitas municipais, a prefeitura foi forçada a interromper parcialmente o pagamento das complementações nos últimos meses”.

A administração informa que, na medida do fluxo de caixa, são feitos todos os pagamentos consignados dos inativos e mais a complementação de até R$ 1 mil, o que contempla mais de 60% da folha de inativos.

“Para fazer a elaboração do projeto de lei 47/2016, no ano passado a Administração contratou consultoria atuarial especializada e constituiu uma equipe técnica composta por representantes do Executivo, do Legislativo e dos sindicatos (Sintserpi e Sind-UTE)”, acrescenta a nota.

Por fim, o governo informa que a matéria tramita na Câmara Municipal desde o início deste ano e já foi motivo de várias diligências por parte de vereadores, técnicos legislativos e sindicatos, muito delas atendidas na proposição por intermédio de mensagens modificativas. A expectativa da Administração é que o referido projeto de lei 47/2016 siga para apreciação em plenário ainda neste ano.

Repórter: Fernando Lopes
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Francisco Moreira da Silva

25 de outubro, 2016 | 10:21

“Sinto dizer que eu e a minha esposa fomos tapeados pelo anúncio da Casa Baher,uma vez que,anunciam o Jogo de Cama Casal 4 Peças 170 Fios,e quando o produto chegou ,ao conferír a mercadoria descobrimos que era 100% Poliéster.Resultado:compramos gato por lebre.Fica aí nossa indignação.No meu entender,isto configura,propaganda enganosa.”

Francisco Moreira da Silva

25 de outubro, 2016 | 10:19

“Sinto dizer que eu e a minha esposa fomos tapeados pelo anúncio da Casa Baher,uma vez que,anunciam o Jogo de Cama Casal 4 Peças 170 Fios,e quando o produto chegou ,ao conferír a mercadoria descobrimos que era 100% Poliéster.Resultado:compramos gato por lebre.Fica aí nossa indignação.No meu entender,isto configura,propaganda enganosa.”

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