30 de outubro, de 2016 | 06:48

Disputa na governança corporativa na Usiminas permanece na Justiça

Recém-reconduzido à presidência da siderúrgica, Rômel Ervin pede reparação de danos

Divulgação
Japoneses e ítalo-argentinos mantêm disputa pela presidência da UsiminasJaponeses e ítalo-argentinos mantêm disputa pela presidência da Usiminas
O presidente da Usiminas, Rômel Erwin de Souza, mantém, na Justiça, ação contra o presidente do Conselho de Administração da companhia, Elias Brito. Na ação, Rômel pede reparação de danos, sem estabelecer valor.

O processo tramita em segredo de justiça no Tribunal Estadual de Minas Gerais e foi confirmado no dia 27/10, durante reunião dos conselheiros da siderúrgica, para a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2016.

Rômel é ligado à japonesa Nippon Steel, um dos acionistas controladores da Usiminas, que trava uma disputa, há dois anos, com a ítalo-argentina Ternium pelo comando da siderúrgica.

O executivo assumiu interinamente a presidência da Usiminas em setembro de 2014, quando o então presidente Julián Eguren, ligado à Ternium, foi afastado após acusações de recebimento irregular de bônus.

Em maio deste ano, Rômel foi destituído e, para seu lugar, foi eleito Sergio Leite, então vice-presidente comercial da Usiminas, que havia se aproximado da Ternium.

A eleição de Leite pelo Conselho de Administração foi por maioria e não por consenso, como prevê o acordo de acionistas. Ainda assim, Elias Brito, homem de confiança da Ternium que ocupa a presidência do conselho da Usiminas desde abril chancelou a votação.
Rômel foi reconduzido ao cargo por decisão da Justiça, a pedido da Nippon Rômel foi reconduzido ao cargo por decisão da Justiça, a pedido da Nippon


A Nippon, então, entrou na Justiça e conseguiu anular a eleição de Sergio Leite. Rômel foi reconduzido ao cargo no início de outubro e não retirou a ação contra Brito.

Na reunião do dia 27, oito dos 11 conselheiros manifestaram-se contrários à interinidade de Romel. Entre os oito, há conselheiros da Ternium, representantes dos minoritários, dos empregados e da Previdência Usiminas, além dos dois conselheios da CSN. Apenas os três conselheiros da Nippon mantiveram seu apoio ao executivo. Em maio, quando houve a votação para a eleição de Leite, os representantes da CSN se abstiveram.

Sem entendimentos, a expectativa é que Ternium recorra à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e à Justiça, para pedir o retorno de Sérgio Leite. A Nippon não comentou sobre o assunto. (Com informações de agências)

Posicionamento da Usiminas

A Usiminas informou que não comenta assuntos no âmbito de seus acionistas e reafirmou “o compromisso da Diretoria Executiva de trabalhar com foco exclusivo na geração de resultados consistentemente positivos”.
Sérgio Leite tem a preferência do grupo Ternium Sérgio Leite tem a preferência do grupo Ternium


Posicionamento da Ternium

A Ternium vem a público agradecer a gestão liderada por Sérgio Leite que conseguiu reverter os resultados da Usiminas positivamente, gerando um EBITDA de R$ 307 milhões e margem sobre vendas de 14% no terceiro trimestre, mais do que a gestão anterior havia conseguido em um ano.
Por outro lado, a Ternium, como maior acionista da Usiminas, considera negativa a volta de uma diretoria interina à frente da companhia, que mostrou não ser capaz de liderar a empresa neste momento de crise do setor siderúrgico no Brasil e no mundo.

Além disso, causa preocupação o fato do atual presidente interino Rômel de Souza ter entrado com um processo de danos morais contra o presidente do Conselho de Administração da Usiminas.

A medida é uma retaliação à decisão do Conselho, que cumpriu com seu dever fiduciário de eleger uma diretoria definitiva até 2018. A ação é uma clara ameaça à governança corporativa da Usiminas, causando constrangimento ao Conselho de Administração.
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