06 de dezembro, de 2016 | 08:55
Operação do Gaeco combate organização criminosa na Prefeitura de Belo Oriente
Servidor público do setor de RH é investigado por suspeita de embolsar salários de servidores desligados. Caso foi apurado por CPI da Câmara Municipal
Com atualização de dados às 14h28Divulgação Gaeco
Além de documentos, computadores, também foram apreendidas armas na operação do Gaeco
Além de documentos, computadores, também foram apreendidas armas na operação do Gaeco Uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), formado pelo Ministério Público e as Polícias Militar e Civil, na manhã de terça-feira (6), em Belo Oriente, desmontou um esquema criminoso, montado dentro da prefeitura, para desviar recursos públicos destinados ao pagamento de servidores-fantasmas e efetivos.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão e presos, por ordem judicial, o vereador eleito, Edson Celson Anselmo, o Disson, do PMN, o ex-chefe do departamento pessoal da Prefeitura de Belo Oriente, Cleufas Rodrigues de Souza, e o ex-gerente da Controladoria da Prefeitura, Helder Fernandes Silva. Cleufas e Disson são cunhados.
Conforme relatos obtidos pelo DIÁRIO DO AÇO, entre outras práticas, o ex-chefe do setor de RH da prefeitura, quando recebia ordem para a dispensa de servidores nomeados (não concursados), principalmente da área da educação, efetivava a demissão, em papel, mas não dava baixa na matrícula do servidor, no sistema.
Com a manobra, conseguia desviar verbas com destinação específica, entre elas, a do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) para o pagamento dos salários. Assim, mesmo após o desligamento do servidor, os pagamentos continuavam a ser liberados regularmente.
Cleufas ocupava cargo de confiança e era responsável pela remessa, via online, da listagem dos salários. Os cúmplices dividiam os recursos.
Nota da Prefeitura de Belo Oriente
Na tarde desta terça-feira, a assessoria da Prefeitura de Belo Oriente confirmou que dois dos conduzidos pelo Gaeco trabalharam para o atual governo até 2014. O terceiro conduzido foi exonerado tão logo a auditoria interna determinada pelo prefeito Pietro Chaves confirmou a suspeita de desvio de recursos”, informou o governo.
A nota acrescenta que o resultado preliminar desta auditoria foi encaminhado aos órgãos competentes, para que a Justiça seja feita. A atual administração está tranquila quanto aos trabalhos que ainda estão sendo feitos pela comissão interna que culminaram na Comissão Processante”, conclui a nota.
Operação Perfídia
A assessoria de Comunicação do Gaeco informou que essa foi a primeira fase da Operação Perfídia, desenvolvida de forma conjunta pelo Ministério Público da Comarca de Açucena, a fim de investigar os envolvidos no esquema de desvios de dinheiro público de servidores e ex-servidores, envolvendo o atual governo e os governos anteriores.
Durante buscas efetuadas por policiais civis e militares, na residência de Edson e Cleufas foram encontradas três armas de fogo, das quais, uma espingarda calibre 28 e uma espingarda do tipo chumbeira, além de documentos recolhidos para análise.
Reprodução
CPI apontou Helder (E), Cleufas o cunhado dele, vereador eleito Disson como cabeças do esquema
CPI apontou Helder (E), Cleufas o cunhado dele, vereador eleito Disson como cabeças do esquemaCPI apurou o esquema, aponta gerência da Câmara de Belo Oriente
Conforme a gerência da Câmara de Belo Oriente, o desvio de recursos na Prefeitura foi denunciado ao Legislativo, que montou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), em 1º de agosto. No dia 9 de setembro, dada a gravidade do caso em apuração, foi encaminhado um relatório preliminar à Justiça da Comarca de Açucena, Ministério Público Federal, em Ipatinga, e Delegacia da Polícia Federal, em Governador Valadares, haja vista que os desvios envolviam verba pública federal (Fundeb).
A CPI, presidida pelo vereador Sebastião Lopes de Faria (PCdoB), colheu depoimentos de todos os investigados.
Sebastião explicou que tudo começou quando o secretário de Educação do município acompanhava uma prestação de contas da prefeitura, na Câmara, e percebeu discrepâncias entre os valores apresentados e os que eram do seu conhecimento. Por isso, foi à prefeitura puxar os dados de pagamentos de pessoal, quando deparou com nomes desconhecidos, que figuravam como servidores da Educação. Esse foi o passo inicial da apuração oficial que levou ao escândalo do desvio de recursos, explica o vereador.
No relatório final da CPI, votado no dia 28 de novembro, foram indicados como operadores do esquema o vereador eleito, Edson Celson Anselmo, o ex-chefe do departamento de pessoal da prefeitura, Cleufas Rodrigues, e o ex-gerente da Controladoria da Prefeitura, Helder Fernandes Silva.
O relatório final é um calhamaço que soma 2.500 páginas e, além dos cabeças do esquema, aponta nomes de outras 17 pessoas supostamente envolvidas diretamente na fraude (entre elas funcionários efetivos) e ainda mais 32 pessoas
consideradas funcionárias-fantasmas da Prefeitura de Belo Oriente.
O principal diferencial do relatório final é que estamos acionando o Tribunal de Contas de Minas Gerais e o Tribunal de Contas da União. Também acionamos o INSS. Por incrível que pareça, dos valores repassados aos funcionários-fantasmas também foram recolhidos os encargos sociais para a Previdência Social”, acrescentou o vereador.
Conforme a CPI, o golpe aplicado pelo esquema desviou, entre os anos de 2015 e 2016, cerca de um milhão de reais. Mas tudo indica que esse valor é bastante superior e pode chegar a dois milhões de reais. Assista vídeo com entrevista sobre o caso:
Operação Perfídia
A assessoria do Gaeco divulgou, na manhã desta terça-feira, a seguinte nota oficial sobre o resultado da Operação Perfídia:
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Ipatinga cumpriu na manhã desta terça-feira (6) mandados de busca e apreensão e prisões na cidade de Ipatinga e Belo Oriente, referentes à primeira fase da Operação Perfídia.
Foram presos Edson Celson Anselmo (Vereador eleito da cidade de Belo Oriente); Cleufas Rodrigues de Souza, ex-chefe do departamento pessoal da Prefeitura Municipal de Belo Oriente e Helder Fernandes Silva, em cumprimento a mandados de prisão expedidos pela Justiça Pública de Açucena.
A Operação Perfídia é uma atuação conjunta do Ministério Público da Comarca de Açucena e visa investigar um esquema de desvios envolvendo funcionários da prefeitura de Belo Oriente, bem como outras ilicitudes que vinham ocorrendo durante a gestão da administração atual e anteriores também.
O nome da operação faz alusão aos crimes correspondentes a desvios cometidos por funcionários da prefeitura que se associavam para falsear documentações e procedimentos internos da prefeitura com a finalidade de obterem benefícios e ganhos financeiros.
Durante buscas, efetuadas por policiais civis e militares, na residência de Edson e Cleufas foram encontradas três armas de fogo, das quais, uma espingarda calibre 28 e uma espingarda do tipo chumbeira, além de documentos que foram recolhidos para análise.
Dentre os fatos investigados está a contratação e pagamento, por parte da municipalidade, de pessoas que jamais prestaram serviços ao município, conhecidos na cidade como funcionários-fantasmas. A operação apura o possível envolvimento de outros agentes públicos e de demais danos à administração pública.
Outra operação do Gaeco, no Vale do Aço:
Secretária da Fazenda de Timóteo e sobrinha são presas
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