20 de dezembro, de 2016 | 17:16
Ternium admite comprar ou vender fatia na Usiminas
A ideia é propor uma cláusula de saída”, a fim de permitir a um dos sócios comprar a participação do outro, prevalecendo a regra do melhor preço
Wôlmer Ezequiel
Grupo ítalo-argentino quer fazer mudanças no acordo de acionistas da siderúrgica para permitir a compra da fatia da japonesa Nippon
Grupo ítalo-argentino quer fazer mudanças no acordo de acionistas da siderúrgica para permitir a compra da fatia da japonesa NipponO grupo ítalo-argentino Ternium fez uma proposta à japonesa Nippon Steel, como forma de resolver o litígio no bloco de controle da Usiminas, que já dura mais de dois anos. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo”, Daniel Novegil, presidente global da Ternium, disse que a proposta da empresa é incluir no acordo de acionistas da siderúrgica um mecanismo de mediação de conflitos no mundo corporativo. A ideia é propor uma cláusula de saída”, a fim de permitir a um dos sócios comprar a participação do outro, prevalecendo a regra do melhor preço. A informação foi publicada pelo jornal Estadão” na edição dessa terça-feira.
Os dois sócios se desentenderam em setembro de 2014. À época, o conselho de administração aprovou as destituições do argentino Julián Eguren da presidência da companhia, do diretor de subsidiárias, Paolo Bassetti, e do diretor industrial, Marcelo Chara. Desde então, a relação entre os dois grupos majoritários só piorou.
Na semana passada, a Ternium recorreu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a fim de pedir que o órgão reconheça a decisão tomada em maio pelo conselho de administração do grupo, e reconduza o executivo Sergio Leite à presidência da siderúrgica.
Após decisão da Justiça de Minas Gerais, Leite teve de deixar o posto em outubro. Foi substituído por Rômel Ervin de Souza, nome indicado pela Nippon. A Ternium recorreu da decisão, que ainda não foi analisada, e deverá levar o processo ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), caso a sentença confirme a manutenção de Souza no posto.
Negociação
Na entrevista ao jornal paulista, Novegil afirma que o ingresso da Ternium no bloco de controle da siderúrgica mineira, no fim de 2011, com a compra das fatias da Votorantim e Camargo Corrêa por US$ 2,7 bilhões, ocorreu dentro da percepção de que a Usiminas necessitava de uma gestão de longo prazo. Pelo bom relacionamento com a Nippon (os dois grupos também são sócios no México), foi acertado, à época, um acordo por consenso nas decisões da siderúrgica. No México, contudo, a Ternium é majoritária no negócio, com 51%. A parceria no México é muito boa e de êxito para as partes”, pontua.
As tentativas de acordo no Brasil, no entanto, não têm sido bem-sucedidas. Os dois grupos não querem abrir mão da Usiminas, segundo fontes. As duas partes voltarão a conversar em janeiro (não há data fechada).
Origem
Rômel Ervin de Souza assumiu a presidência da Usiminas em outubro de 2014, quando o conselho da siderúrgica afastou do cargo Julián Eguren e outros dois diretores, que haviam sido indicados pela Ternium. Como a decisão não foi por consenso, iniciou-se o desentendimento dos sócios majoritários acerca da governança corporativa, crise que persiste até hoje.
O representante da Ternium acrescentou que o grupo está disposto a negociar a possibilidade de alternância de poder, como já propôs a Nippon, desde que a cláusula de saída seja incluída no acordo de acionistas.
Cisão
Daniel Novegil descarta, no momento, uma cisão dos negócios. No início do ano, chegou a circular a informação de que a Ternium ficaria com os ativos da Usiminas em Cubatão, enquanto os japoneses ficariam com a unidade de Ipatinga, conforme fontes de mercado.
Novegil reitera que o Brasil é estratégico para a expansão dos negócios da Ternium, por reforçar sua posição na América Latina. No entanto, não há nenhuma aquisição, neste momento, que possa ser anunciada.
Procurada na tarde dessa terça-feira, a assessoria da Nippon informou que não vai se pronunciar, no momento. (Com informações de O Estado de S. Paulo”).
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