adriana 728x90

20 de dezembro, de 2016 | 17:16

Ternium admite comprar ou vender fatia na Usiminas

A ideia é propor uma “cláusula de saída”, a fim de permitir a um dos sócios comprar a participação do outro, prevalecendo a regra do melhor preço

Wôlmer Ezequiel
Grupo ítalo-argentino quer fazer mudanças no acordo de acionistas da siderúrgica para permitir a compra da fatia da japonesa NipponGrupo ítalo-argentino quer fazer mudanças no acordo de acionistas da siderúrgica para permitir a compra da fatia da japonesa Nippon


O grupo ítalo-argentino Ternium fez uma proposta à japonesa Nippon Steel, como forma de resolver o litígio no bloco de controle da Usiminas, que já dura mais de dois anos. Em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, Daniel Novegil, presidente global da Ternium, disse que a proposta da empresa é incluir no acordo de acionistas da siderúrgica um mecanismo de mediação de conflitos no mundo corporativo. A ideia é propor uma “cláusula de saída”, a fim de permitir a um dos sócios comprar a participação do outro, prevalecendo a regra do melhor preço. A informação foi publicada pelo jornal “Estadão” na edição dessa terça-feira.

Os dois sócios se desentenderam em setembro de 2014. À época, o conselho de administração aprovou as destituições do argentino Julián Eguren da presidência da companhia, do diretor de subsidiárias, Paolo Bassetti, e do diretor industrial, Marcelo Chara. Desde então, a relação entre os dois grupos majoritários só piorou.

Na semana passada, a Ternium recorreu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a fim de pedir que o órgão reconheça a decisão tomada em maio pelo conselho de administração do grupo, e reconduza o executivo Sergio Leite à presidência da siderúrgica.

Após decisão da Justiça de Minas Gerais, Leite teve de deixar o posto em outubro. Foi substituído por Rômel Ervin de Souza, nome indicado pela Nippon. A Ternium recorreu da decisão, que ainda não foi analisada, e deverá levar o processo ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), caso a sentença confirme a manutenção de Souza no posto.

Negociação
Na entrevista ao jornal paulista, Novegil afirma que o ingresso da Ternium no bloco de controle da siderúrgica mineira, no fim de 2011, com a compra das fatias da Votorantim e Camargo Corrêa por US$ 2,7 bilhões, ocorreu dentro da percepção de que a Usiminas necessitava de uma gestão de longo prazo. Pelo bom relacionamento com a Nippon (os dois grupos também são sócios no México), foi acertado, à época, um acordo por consenso nas decisões da siderúrgica. No México, contudo, a Ternium é majoritária no negócio, com 51%. “A parceria no México é muito boa e de êxito para as partes”, pontua.

As tentativas de acordo no Brasil, no entanto, não têm sido bem-sucedidas. Os dois grupos não querem abrir mão da Usiminas, segundo fontes. As duas partes voltarão a conversar em janeiro (não há data fechada).

Origem
Rômel Ervin de Souza assumiu a presidência da Usiminas em outubro de 2014, quando o conselho da siderúrgica afastou do cargo Julián Eguren e outros dois diretores, que haviam sido indicados pela Ternium. Como a decisão não foi por consenso, iniciou-se o desentendimento dos sócios majoritários acerca da governança corporativa, crise que persiste até hoje.

O representante da Ternium acrescentou que o grupo está disposto a negociar a possibilidade de alternância de poder, como já propôs a Nippon, desde que a cláusula de saída seja incluída no acordo de acionistas.

Cisão
Daniel Novegil descarta, no momento, uma cisão dos negócios. No início do ano, chegou a circular a informação de que a Ternium ficaria com os ativos da Usiminas em Cubatão, enquanto os japoneses ficariam com a unidade de Ipatinga, conforme fontes de mercado.

Novegil reitera que o Brasil é estratégico para a expansão dos negócios da Ternium, por reforçar sua posição na América Latina. No entanto, não há nenhuma aquisição, neste momento, que possa ser anunciada.

Procurada na tarde dessa terça-feira, a assessoria da Nippon informou que não vai se pronunciar, no momento. (Com informações de “O Estado de S. Paulo”).

Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário