14 de dezembro, de 2009 | 20:15

Preparação para o Fórum das Águas

Ambientalistas capacitam professores e alunos no Parque Ipanema

Wôlmer Ezequiel


CRIANÇAS

IPATINGA – O 5° Fórum das Águas do Rio Doce, que ocorrerá em Ipatinga entre 7 e 10 de abril do ano que vem, já movimenta vários segmentos. Na tarde de ontem, representantes do município, da Associação Projeto Águas do Rio Doce e do Instituto Eco-Futurismo fizeram o lançamento oficial do evento, no Parque Ipanema. Até sexta-feira, três mil estudantes das redes pública e particular e 400 professores deverão passar pelo local, para participar da etapa preparatória do encontro. O lema deste ano é “Água e Educação: Garantia para o Futuro”. 
Coordenadora da Associação Projeto Águas do Rio Doce, Zaira Andrade explica que o objetivo dessa primeira fase do evento é promover a familiarização dos alunos e dos docentes com o Plano Integrado de Recursos Hídricos da Bacia do Rio Doce (PIRH-Doce), que será lançado oficialmente durante o Fórum. Aguardando votação do Comitê da Bacia do Rio Doce, o PIRH-Doce foi elaborado nos últimos dois anos, após a 3ª edição do evento, realizada também em Ipatinga, e estabelece várias metas ambientais para serem cumpridas nos próximos 25 anos.
“O plano - elaborado pelo governo federal, junto aos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo -, será votado em março e lançado em abril. Como ele apresenta uma série de restrições ao ser humano, já estamos apresentando seu conteúdo para os estudantes, para que eles se adaptem às novas regras de uso da natureza”, destacou.

Programação
Ao longo da semana, alunos e professores assistirão a vídeos e palestras, participarão de oficinas e receberão materiais didáticos, como cartilhas educativas. 
A secretária de Educação, Célia Pedrosa, diz que as escolas da rede municipal já começarão 2010 com o foco no meio ambiente. “A etapa preparatória está sendo feita agora para que em 2010 os projetos ambientais tenham início logo no início do ano letivo. Queremos partir da teoria para a ação. Cada escola ficará responsabilizada por traçar seus projetos ambientais e colocá-los em prática”, adiantou.
Ainda de acordo Célia Pedrosa, o Fórum Internacional da Juventude, que ocorrerá no município simultaneamente ao Fórum das Águas do Rio Doce e ao Fórum de Mudanças Climáticas, ajudará a mostrar ao público que crianças e jovens também podem ser protagonistas de planos ambientais.
“Contaremos com a participação de jovens de Moçambique e Portugal, que vão apresentar projetos de sucesso colocados em prática em seus países”, informou.

Educação
Professora de Ciências da Escola Municipal Nelcina Rosa de Jesus, Cíntia Silveira participou ontem, junto a alguns alunos, da etapa preparatória do evento. De acordo com ela, o Fórum cumpre importante papel no processo de conscientização de jovens e crianças. Ela destaca, porém, que a educação ambiental deve ocorrer diariamente e em todos os locais.
“Falar de florestas, biomas e águas para os alunos às vezes é muito amplo. É preciso mostrar para eles que o meio ambiente começa dentro de casa, na sala de aula. Mostrar a importância de economizar, manter a sala limpa e cuidar do patrimônio. É por meio das pequenas coisas que se alcança uma consciência mais geral”, acredita.
 Organizadores garantem compensação dos impactos
 
A terceira edição do Fórum, realizado em 2007, em Ipatinga, reuniu cerca de 130 mil pessoas. Ao final do evento, um engenheiro florestal que participava do encontro informou ao DIÁRIO DO AÇO que os estragos ambientais causados ao Parque Ipanema seriam visíveis, pois além da grande quantidade de gente que o evento atrai, há ainda as obras de infraestrutura, com tendas, pórticos, tapumes e outras instalações.
Entre os impactos, ele citou a destruição de gramíneas, cuja recuperação levaria cerca de seis meses, a danificação de arbustos, que gastam de um a dois anos para se recuperar, e ainda impactos ao lago artificial - com a poluição das águas - e aos animais que ali vivem.
Perguntados sobre os possíveis estragos desta quinta edição do evento, os ambientalistas e organizadores Eddy Willian Melo, do Instituto Eco-Futurismo, e Zaira Andrade, da Associação Projeto Águas do Rio Doce, garantem que haverá compensação dos prejuízos. “Temos uma parceria com a Infrater para a compensação desses estragos. É feita, por exemplo, a plantação de mudas”, informou Eddy Willian. O ambientalista acredita ainda que os resultados trazidos pela iniciativa são bem superiores aos prejuízos. “Há compensação desses prejuízos ainda com a conscientização e mudança de comportamento dos participantes”, observou.
 Recursos garantidos
 
Presidente da Associação de Proteção Ambiental da Bacia do Ribeirão Ipanema (Apabri) - entidade mantenedora do Centro de Educação Ambiental (CEA) do Portal da Mata Atlântica e da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), ambas localizadas na Fazenda do Zaca, na localidade de Tribuna, zona rural de Ipatinga -, o ambientalista José Zacarias acredita que o Fórum das Águas do Rio Doce já trouxe bons resultados à região.
“A edição de 2007, realizada aqui, fez, por exemplo, com que muitas pessoas tomassem conhecimento da obrigatoriedade da educação ambiental na grade escolar. Além disso, temos visto mais pessoas preocupadas com o meio ambiente”, comemora.
O ambientalista ainda disse acreditar que a execução do PIRH-Doce é viável, mas que o processo não acontecerá “do dia para a noite”.
Para Zaca, só a criação de uma agência da Bacia do Rio Doce já representa um grande avanço. “Isso quer dizer que teremos recursos garantidos para a execução dos projetos. Com a outorga de uso das águas, serão cerca de R$ 123 milhões por ano”, informou.
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