22 de dezembro, de 2009 | 09:57

Mais uma eleição polêmica

Reviravolta na eleição da Mesa Diretora agita política em Coronel Fabriciano

Wolmer Ezequiel


LUGÃO LEMOS FABRICIANO

Petistas acusam  Canídia de traição
FABRICIANO – Pelo segundo ano consecutivo, a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Coronel Fabriciano terminou em polêmica e causou surpresa no cenário político. A votação aconteceu na manhã de domingo (20).
Ao invés de Luciano Lugão (PSB), como esperavam os governistas, o presidente eleito foi Vanderlei Cupertino, o Canídia (PT). O vice-presidente, pelo segundo ano seguido, é o vereador Francisco Pereira Lemos (PDT).
O cargo de primeiro secretário ficou com Djalma Eugênio (PT). A dois dias da eleição, a expectativa era de que a Mesa fechasse com Lugão na presidência, Adriano Martins (DEM) como vice e Djalma no secretariado. A solenidade de posse será realizada no dia 1º de janeiro de 2010, às 18h30, no plenário da CMCF. 
Duas chapas disputaram a Mesa. A primeira formada por Luciano Lugão, Adriano Martins e Djalma. A chapa 2 saiu com Canídia, Lemos e José Cleres (PSB) como secretário. A primeira votação foi por chapas, mas a Mesa decidiu fazer a eleição por meio de voto nominal.
Os vereadores Andréia Botelho (PSL), Lemos, Nivaldo Lagares Pinto – Querubim (PDT), Natalino Moraes (PDT) e José Cleres Gomes votaram em Canídia para presidente e Lemos para vice; ficando 6 votos contra 5.
Já Luciano Lugão, Marcos da Luz (PT), Djalma Eugênio, Adriano Martins e Wailson Lima (PR), votaram em Luciano Lugão para presidente e em Adriano Martins para vice. Para o cargo de primeiro secretario, os votos de Canídia, Djalma, Luciano Lugão, Marcos da Luz, Adriano e Wailson foram para Djalma Eugênio; os demais votaram em José Cleres, ficando 6 votos contra 5.

Divulgação ACS


CANÍDIA DJALMA FABRICIANO


Mandato
Na CMCF, o mandato da Mesa Diretora é de apenas um ano. Apesar de chegar ao cargo com a indignação dos petistas, o presidente eleito, Canídia, prometeu governar a Casa alinhado com o governo municipal. “Não abro mão de ser governo. Vamos conversar com todos os vereadores da base. Farei uma administração com responsabilidade, vamos ser governo com responsabilidade e votar no que for bom para cidade”, disse.
Como ainda não houve concurso para preenchimento de cargos, o futuro presidente tem autoridade para trocar todos os 38 cargos comissionados da Casa. Canídia garantiu que fará muitas mudanças, a começar pelos cargos técnicos. “Vamos ter que convocar outros contratados até que o concurso saia. A mudança será feita principalmente nos cargos técnicos. Vamos escolher pessoas para fazer um trabalho técnico, e não político”, avisou.
Em relação ao concurso, o presidente eleito falou que essa é uma de suas prioridades. “Após a posse, vou convocar reuniões extraordinárias para votar o Orçamento e agilizar ao máximo a retomada da discussão do concurso”, declarou. Sobre o polêmico voto em Djalma para secretário, Canídia justificou: “José Cleres é muito bom, mas Djalma também tem competência e ajudará na estabilidade partidária”.
Surpresa
O vereador Djalma Eugênio, que vai assumir a primeira secretaria, não ficou satisfeito com o desenrolar da eleição. “Para mim, o Canídia nos traiu. Ele só votou em mim por pressão, por causa da prerrogativa partidária”, alfinetou. O secretário lamentou o desfecho inesperado. “Não vejo isso como uma vitória do PT, vejo como derrota, em função do descumprimento do acordo.
A meu ver, o resultado foi uma derrota política”, criticou. Diante do quadro, Djalma espera que Canídia dê uma resposta à altura do cargo. “Ele vai ter que dar uma resposta ao eleitor dele. Vamos ver se ele vai responder à altura da traição que ele nos fez”, comentou.
Lemos acusa Lugão
de “mudar de lado”

FABRICIANO - O reeleito vice-presidente Francisco Pereira Lemos chegou a lançar a sua candidatura à presidência da Câmara de Coronel Fabriciano, contando com o apoio do PT, uma semana antes da eleição. Ao falar sobre a reviravolta ocorrida, ele disparou: “Quem traiu primeiro foi o Lugão”.
Segundo Lemos, Lugão fazia parte do grupo de oposição na primeira eleição da atual legislatura e quebrou um acordo da oposição. “Fizemos um acordo prévio através do qual ele seria o escolhido para presidente da Casa em 2011, mas por ambição ele não quis esperar e negociou a presidência com o prefeito Chico Simões. Quem traiu primeiro foi ele”, reforçou.
Nesse sentido, Lemos frisou que, em política, é preciso ter um lado. “Política você ganha com partido e grupo. É preciso ter um lado. Do contrário, ele pode vir a trair o seu eleitor. Acho que nessa eleição ficou a lição de que um acordo é para ser cumprido”, opinou. Em relação ao novo mandato, Lemos garantiu que não ficará contra o prefeito Chico Simões (PT).
“Não vamos trabalhar contra o prefeito, não tenho nada pessoal contra a administração. Não busquei um cargo na Mesa apenas para criar problemas com o Executivo. Não vamos trabalhar com retaliação, nem vamos perseguir ninguém. Queremos somar as nossas ideias para fazer uma Fabriciano ainda melhor”, salientou Francisco Lemos.
A reportagem do DIÁRIO DO AÇO tentou entrar em contato com o vereador Luciano Lugão durante o dia de ontem para ouvir a sua versão sobre o assunto, mas ele não foi localizado.
Chico Simões admite
que está “arrasado”

O prefeito Chico Simões disse que não interfere na Câmara, mas afirma que ficou muito decepcionado com o resultado da votação ocorrida na Casa no último domingo. “Fui testemunha de um acordo político feito entre seis vereadores aliados. Vejo isso com tristeza, quando uma pessoa não cumpre uma palavra dada à outra.
Estou muito decepcionado com o Canídia. Não considero isso como uma derrota, e sim, uma traição”, pontuou. O prefeito acusou Canídia de trair os dois grupos, porque ao final ele acabou votando em Djalma Eugênio, da outra chapa. “Eu preferia não ter ninguém do PT na Mesa Diretora da Câmara. Não admito a palavra infidelidade e traição.
Acho que, como um cidadão, e para se redimir, ele deveria renunciar ao cargo e convocar uma nova eleição. Ele vai ter que escolher um lado. Estou realmente decepcionado”, desabafou. Chico Simões avisou que o futuro presidente será fiscalizado pelo partido. “O PT vai fazer uma reunião e vai impor regras a ele. Ele foi autor de muitas denúncias contra a Câmara e terá que fazer muita coisa. O seu mandato será controlado pelo PT”, finalizou Chico Simões.
 
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