22 de dezembro, de 2009 | 22:07
Alternativa para o crescimento
Reunião discute impasse sobre novas construções em Ipatinga
IPATINGA A Sala das Comissões, no segundo andar da sede da Câmara de Ipatinga, ficou pequena, na manhã desta terça-feira (22), durante reunião convocada pelo presidente do Legislativo, Nilton Manoel (PMDB), para tratar da polêmica questão da restrição de novas construções em Ipatinga. O encontro, solicitado por representantes do setor de construção civil, contou com a presença do promotor de Defesa do Meio Ambiente, Walter Freitas de Moraes Júnior, do prefeito Robson Gomes (PPS), do procurador-geral do município, José Geraldo Nunes de Souza, de representantes do setor imobiliário, engenheiros e empresários.
Os cerca de 50 participantes foram levar ao conhecimento do Executivo e do Ministério Público suas preocupações em relação à decisão judicial de limitar o crescimento do município até que sejam votadas as leis complementares ao Plano Diretor. Proferida na última quinta-feira, a decisão proibia, inicialmente, a liberação de novos alvarás para construir e determinava a suspensão dos procedimentos em andamento. No entanto, um embargo impetrado pela Procuradoria-Geral do município foi acolhido pela Justiça, ficando proibida apenas a liberação de licenças de construções de elevado impacto urbanístico, como loteamentos, condomínios fechados e prédios multirresidenciais ou de uso misto acima de dois andares.
O abrandamento da decisão, contudo, não foi suficiente para tranquilizar os corretores de imóveis e os construtores, que destacaram, na reunião, os impactos da medida para Ipatinga. A economia da cidade não pode parar por causa de um erro das gestões anteriores em relação ao Plano Diretor. Os construtores geram renda e emprego e não devem ser penalizados por um erro que é de responsabilidade do município”, considerou o proprietário de um escritório de engenharia, José Antônio Moreira.
Delegado regional do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de Minas Gerais (Creci-MG), Wesley Givisiez acredita, por sua vez, que a intervenção do Ministério Público foi necessária para conter as irregularidades no município. Mas destaca que o impasse precisa ser resolvido rápido, a fim de que a economia do município não seja prejudicada. Do jeito que estava não podia mesmo ficar. Mas é preciso criar logo as leis necessárias para orientar o crescimento. Ipatinga não pode ficar parada em um momento em que há, em âmbito nacional, um boom econômico, com o próprio governo investindo em planos de habitação”, argumenta.
Preservação do direito coletivo
Diante da exposição dos participantes, o promotor Walter Freitas reconheceu a complexidade do problema, mas esclareceu que o direito coletivo prepondera sobre as questões econômicas na preservação da ordem urbanística e ambiental do município. Tribunais de todo o país têm decidido pela preservação do meio ambiente e da ordem urbanística, embora se reconheça a importância da movimentação econômica gerada pelo segmento”, observou.
Freitas salientou que o município vive um momento de instabilidade jurídica, por conta da inexistência de legislação específica e atualizada. A falta de regras não atende aos interesses da comunidade nem aos da construção civil, uma vez que as obras levantadas ficam sujeitas a ataques e outras intervenções, pela inexistência de leis”, pontuou.
O promotor lembrou ainda que o Código de Obras do município foi elaborado em 1973, quando ainda não se cogitava a verticalização da cidade.
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