22 de dezembro, de 2009 | 22:10
Tem gratuidade demais”
Pesquisa origem/destino norteará mudança no transporte coletivo em Ipatinga. Município terá integração total de linhas.
IPATINGA Desenvolvida por uma empresa especializada, pesquisa de origem e destino de passageiros do transporte coletivo urbano é a base para o reordenamento a que deverá ser submetido o sistema já no primeiro semestre de 2010. Uma das mudanças será a implantação da integração total das linhas. Assim, o usuário poderá ir de um canto a outro da cidade e, independentemente do número de ônibus em que embarcar para concluir a viagem, pagará somente uma passagem, dentro de um tempo determinado.
Também deverá ocorrer a revisão do número de usuários da gratuidade, considerado acima da média aceitável. A pesquisa encomendada pelo governo municipal foi apresentada ontem à tarde na Câmara Municipal, onde tramita um projeto que prevê o fim da bilhetagem eletrônica no município. Com a promessa das mudanças, o projeto deverá ser retirado.
O estudo apresentado ontem resulta de pesquisa realizada entre os dias 30 de setembro e 22 de outubro.Entrevistou cerca de 20 mil usuários e mostra que as regiões geradoras do maior número de viagens são o Centro, seguido do Bethânia, depois o Cidade Nobre e o Iguaçu, que concentram 44,6% de todos os desejos de deslocamentos dos passageiros. Só para o Centro são feitos mensalmente 11.590 deslocamentos de passageiros. Segundo maior destino procurado, o Bethânia aparece com 5.873 deslocamentos. Pela análise da origem de passageiros, no entanto, verifica-se que o Bethânia é o maior gerador de passageiros, seguido do Bom Jardim, Barra Alegre e Limoeiro.
O diretor da Tecnotran, Engenheiros Consultores, André Luiz de Oliveira Barra, afirmou que o percentual de gratuidade na faixa de 28% é um dos maiores já encontrados em cidades já pesquisadas. Além da gratuidade há também problemas com a superposição das linhas intermunicipais da região metropolitana com as linhas municipais. Acaba que as linhas intermunicipais transportam passageiros das linhas locais, retira receita do sistema e isso reflete no cálculo da tarifa para cima”.
A pesquisa qualificou os usuários da gratuidade no transporte coletivo e as diversas categorias beneficiadas, que deverão passar por uma readequação. Identificar quem realmente precisa será o desafio do governo municipal. Segundo o estudo, dos cerca de 60 mil usuários do transporte coletivo em Ipatinga, 12 mil são beneficiados com a gratuidade. A título de comparação, na Região Metropolitana de Belo Horizonte a gratuidade no transporte coletivo é em torno de 15%. Na prática, 48 mil usuários pagam pelos 60 mil usuários/mês do transporte coletivo.
Sobreposição
O diretor da Autotrans, Rubens Lessa Carvalho, afirmou que a pesquisa mostra uma realidade que nem a empresa conhecia. Além do índice de gratuidade em Ipatinga, acima da média, a sobreposição de linhas com o transporte intermunicipal é outra preocupação. Nos mapas apresentados, a preocupação especial com três linhas: Fabriciano/Bom Jardim, que tem tarifa de R$ 3,00; Águas Claras (Santana do Paraíso)/Ipatinga, com tarifa de R$ 2,00; e Industrial (Santana do Paraíso)/Ipatinga, com tarifa de R$ 1,90. Essa é outra distorção, pois, segundo Rubens Lessa, nas demais cidades metropolitanas o transporte intermunicipal tem tarifa mais cara do que a urbana. A tarifa deles é menor porque não tem gratuidade, não recolhe Imposto Sobre Serviço (ISS) para os municípios e nem taxa de gerenciamento”, explica.
A previsão é que no fim de janeiro e até o início de fevereiro seja apresentada a proposta de reestruturação do transporte coletivo em Ipatinga e resolvidas questões como a sobreposição e a gratuidade.
Projeto deverá ser retirado de pauta
O prefeito de Ipatinga, Robson Gomes (PT), confirmou serem grandes as expectativas de melhorar o sistema de transporte coletivo, alvo de muitas reclamações. Segundo afirma, uma das primeiras preocupações no começo do seu governo, em fevereiro passado, foi resolver as deficiências do serviço. Coube à Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente contratar a empresa de consultoria para a pesquisa de origem e destino da população usuária do serviço.
Autor de um projeto de lei que prevê a revogação da bilhetagem eletrônica em Ipatinga, o vereador Agnaldo Bicalho (PT) explica que o próprio governo pediu que o projeto não fosse a votação até a conclusão de uma pesquisa para diagnóstico da situação. Com a proposta da integração total do sistema de transporte coletivo, o vereador até aceita retirar o projeto. O que não pode é continuar do jeito que está hoje. A bilhetagem eletrônica em qualquer lugar precisa assegurar que, com uma mesma passagem o usuário se desloque para qualquer lugar da cidade em um determinado tempo, independente do número de ônibus que tenha de pegar para isso”, explica.
Em relação à gratuidade, Agnaldo garantiu que a Câmara já tomou a primeira iniciativa para ajudar a resolver a distorção, ao estabelecer a renda de 1,5 salário mínimo como limite para os usuários do transporte coletivo. Falta agora o município recadastrar os usuários para saber se os usuários realmente precisam. Sabemos que o governo anterior distribuiu carteiras aleatoriamente e várias pessoas sem necessidade têm carteira. Quem tiver direito, terá isso assegurado”, concluiu.
O presidente da Câmara, Nilton Manoel (PMDB), destacou a importância da pesquisa inédita sobre o transporte de passageiros em Ipatinga, mas evitou polemizar sobre o excesso de gratuidades. Não temos que rever a gratuidade, temos que rever a situação da bilhetagem eletrônica, com a integração das linhas. Queremos ver o desdobramento desse estudo, que será apresentado nos próximos meses”, afirmou.
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