28 de julho, de 2007 | 00:00

Idosos querem mais atenção

Em um país que não estava preparado para envelhecer, crescimento da população idosa gera cada vez mais preocupações

Alex Ferreira


Felipe Willer: precisamos criar a cultura do idoso no Brasil
IPATINGA - Representantes de 20 cidades do Vale do Aço e Leste do Estado participam desde ontem em Ipatinga do 1º Fórum de Debates de Conselhos de Idosos dos Municípios de Minas Gerais. O evento, no auditório do Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga (Sindipa), discute dez temas de atenção do idoso. Representantes dos conselhos municipais devem apresentar demandas e propor soluções, que serão levadas para análise no Conselho Estadual do Idoso, Governo do Estado e Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Ao participar da abertura do Fórum ontem, o presidente do Conselho Estadual do Idoso, Felipe Willer de Araújo Abreu Júnior, afirmou que a política pública depende de planejamento. Segundo ele, em Minas, a partir da Conferencia Estadual do Idoso, ano passado, várias propostas estão em andamento, mas ainda na fase inicial, de forma lenta. Felipe entende que se trata de uma discussão nova. “O país não estava preparado para o envelhecimento e, de repente, se deparou com essa situação, onde se abriu o triângulo que tinha crianças e adolescentes na base e idosos no vértice. Ele se abre e hoje estamos quase que paritários; temos entre a população tantos jovens quanto idosos, com tendência à inversão para mais idosos”, analisa o presidente do Conselho Estadual do Idoso.Felipe Willer também diz acreditar que chegou a vez de os conselhos de idosos apresentarem contribuições aos governos, para que sejam estabelecidas minimamente as prioridades iniciais para uma melhoria na prestação de assistência aos idosos. Críticas ao EstatutoEm relação à reclamação estampada em reportagem do DIÁRIO DO AÇO ontem, sobre a falta de implementação do que prevê o Estatuto do Idoso, o presidente do Conselho Estadual, Felipe Willer de Araújo Abreu Júnior, afirmou que no Brasil criam estatutos para o não- cumprimento de leis. “Desde 1996 o Brasil já tinha a Política Nacional do Idoso. O não-cumprimento da política delineada tornou necessário o Estatuto do Idoso, que veio com o estabelecimento de situações já previstas. Agora, o estatuto não é uma situação fácil de ser implementada. Vai depender muito de mobilização e também tem pontos que deverão ser revistos e discutidos. De fato, pouco dele foi implementado até agora”, afirmou Felipe Willer. Discussão em IpatingaA programação do 1º Fórum de Debates de Conselhos de Idosos em Ipatinga dividiu os participantes em 10 grupos temáticos. Hoje serão apresentados os resultados dos estudos e as propostas encontradas. Os grupos discutiram propostas para o lazer e esportes, cultura, educação, saúde e segurança alimentar, Previdência Social, assistência social, financiamento e orçamento  público para consolidação dos direitos da pessoa idosa e controle social, inclusão produtiva e geração de renda, enfrentamento da violência contra a pessoa idosa e grupos de convivência, família e domicílio.Felipe Willer defende o estabelecimento de políticas por segmentos temáticos. “Devemos aproveitar os momentos de conferências e eventos com esse em Ipatinga, para abrir frentes de mobilização em busca do cumprimento dos direitos. Os idosos trazem aos eventos suas necessidades e devemos aproveitar a demanda e estabelecer, a partir daí, a política pública”. No entendimento de Felipe, todas as questões discutidas em Ipatinga dependem do estabelecimento de linhas direcionais com prazos para execução. Na prática, explica Felipe, tudo o que se busca é a valorização da pessoa idosa. “Pensamos erradamente no país, onde a cultura ocidental joga aos cantos o idoso, justamente no momento em que ele acumulou conhecimentos. Precisamos criar a cultura do idoso no Brasil”, conclui Felipe Willer de Araújo Abreu Jr.Alex Ferreira
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